. “Que com ela cometeram escortação e se deliciaram”. Que isto signifique que estiveram nos falsos e nos seus males, pelo prazer dessa autoridade, vê-se pela significação de ‘cometer escortação’, que é falsificar os veros (de que se tratou nos n. 141, 161, 805 e 983), assim também amar os falsos, pois quem está no amor do mal também está no amor do falso, porque o falso confirma o mal; e pela significação de ‘deliciar-se’, que é o prazer decorrente da dominação ou de se ter essa autoridade, por conseguinte, amar os males. ‘Cometer escortação’ se diz dos falsos, e ‘deliciar-se’, dos males, e ambas as coisas se dizem prazeres disso.
[2] Visto que ‘cometer escortação’ significa falsificar os veros, e ‘deliciar-se’ significa amar os males e, assim, também os falsos, dir-se-á também de onde procede que a nação babilônica falsificou a Palavra e, além disso, enfraqueceu a sua autoridade Divina. É notório em todo o mundo cristão que a Palavra é Divina e que, daí, todas as coisas que há na Palavra são Divinos veros. Ora, como os babilônicos arrogaram a si e realmente assumiram a dominação sobre todas as coisas da igreja e, também, sobre o céu, e visto que desse modo eles se imergiram em todos os males que brotam do amor de si, foi-lhes, por isso, necessário confirmar esses males pela Palavra, o que não poderia ser feito senão pela falsificação dela, porquanto a Palavra nunca confirma o mal, pois o homem que o confirma pela Palavra falsifica os seus veros. Isto foi o que os babilônicos fizeram. Como, porém, ainda viam na Palavra veros que não puderam falsificar, tais como todos aqueles que ali se dizem a respeito de Babel, por isso, por astúcia, enfraqueceram a santidade Divina da Palavra e proibiram a sua leitura pelo povo e, também, os seus líderes e presbíteros, que se chamam monges, deixaram de lê-la, dizendo que os ditames do papa eram santos igualmente às coisas que são da Palavra, e que todas as coisas da igreja devem ser acomodadas ao seu estado e, consequentemente, devem ser mudadas quando o seu estado demanda, e que essas acomodações e mudanças se fazem pela inspiração do papa. Por aí é evidente de onde procede que os veros da Palavra foram falsificados por eles e, também, rejeitados, e em lugar deles foram aceitas e requeridas por seu papa as coisas tais que apoiam o amor de dominar deles e o favorecem inteiramente, as quais em si são falsas. Por aí se pode ver o que é significado em particular pelas ‘escortações de seus reis’ com a meretriz Babilônia.
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[3] Continuação sobre a Fé Atanasiana e sobre o Senhor
Como Deus é incriado, também é eterno, pois a Vida mesma, que é Deus, é a Vida em si, não de si nem do nada. Assim, é sem origem, e o que é sem origem é desde a eternidade e é eterno. Mas a ideia de não haver origem é impossível para o homem natural, por conseguinte, a ideia de Deus desde a eternidade, porém é possível para o espiritual. O pensamento do homem natural não pode ser separado e abstraído da ideia do tempo; ela é inerente à natureza, na qual está. Assim, tampouco pode ser separada e abstraída da ideia da origem, porque a origem para ele o início no tempo. A aparência da progressão do sol imprime no homem natural essa ideia. Já o pensamento do homem espiritual é abstraído da ideia do tempo, porque é elevado acima da natureza, e em lugar dela há a ideia do estado da vida, e em lugar da duração do tempo há o estado do pensamento oriundo da afeição que faz a vida. Com efeito, no céu angélico o Sol não nasce nem se põe, nem faz os anos e os dias, como o sol no mundo. Daí é que os anjos do céu, por estarem em ideias espirituais, pensam abstratamente do tempo. Por isso a ideia deles a respeito de Deus desde a eternidade não deriva coisa alguma de origem ou de início, mas do estado que é eterno, assim, que tudo aquilo que Deus é, e que procede de Deus, é eterno, isto é, o Divino em si. Que isto seja assim, é o que foi dado perceber pela elevação à ideia espiritual acima da natural. Por aí é agora evidente que Deus, que é incriado, também é eterno; e, também, que é impossível pensar que a natureza é de eternidade, tampouco no tempo por si, mas é possível pensar que Deus é desde a eternidade e que a natureza com o tempo vem de Deus.
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