. “Quando virem a fumaça de seu incêndio.” Que isto signifique por causa do inferno e da danação deles, vê-se pela significação de ‘fumaça de incêndio’, que é o inferno e a danação (de que se tratará a seguir); daí, ‘quando a virem’ significa por causa dela, pois se diz ‘chorarão por ela e lamentar-se-ão sobre ela quando virem a fumaça do incêndio’, pelo que é significado o choro e a dor de coração por causa dela, a saber, por causa do inferno e da danação deles. Que a ‘fumaça de incêndio’ signifique o inferno e a danação é porque a ‘fumaça’ significa o falso infernal, e o ‘fogo’, assim, o ‘incêndio’, o mal infernal. Por causa da correspondência do falso infernal e do mal infernal com o fogo de incêndio aparece sobre os infernos deles fumaça misturada a fogo, como a fumaça de uma fornalha ou de incêndios. (Que a ‘fumaça’ signifique o falso infernal, vide nos n. 494, 539 e 889; e que o ‘fogo’ signifique o mal infernal, como é desse amor neles, n. 68, 496, 504 e 916). * * * * * * * [2] Continuação sobre a Fé Atanasiana e sobre o Senhor Como Deus é eterno, também é infinito. Mas, assim como é a ideia natural sobre o eterno, também é a ideia sobre o infinito. A ideia natural sobre o eterno vem do tempo, mas a ideia espiritual sobre isso não vem do tempo. Além disso, a ideia natural sobre o infinito vem do espaço, mas a ideia espiritual sobre isso não vem do espaço, porque, assim como a vida não é a natureza, também as duas propriedades da natureza, que são os tempos e os espaços, não são da vida, pois procedem da Vida que é Deus, e foram criadas com a natureza. A ideia natural sobre Deus infinito, a qual vem do espaço, é que [Ele] enche o universo, de fim a fim. Todavia, dessa ideia respeito do infinito surge o pensamento de que o íntimo da natureza é Deus, e que, assim, é uma extensão, e toda extensão pertence à matéria. [3] Assim, uma vez que a ideia natural nada tem de congruente com a ideia da vida, da sabedoria e do amor, que é Deus, por isso o infinito deve ser visto a partir da ideia espiritual, na qual nada há de tempo, assim, nada há de espaço, porque nada há da natureza. É pela ideia espiritual que o Divino Amor é infinito e a Divina Sabedoria é infinita; e como Divino Amor e a Divina Sabedoria são a Vida, que é Deus, a Vida Divina também é infinita. Daí, pois, Deus é infinito. Que a Divina Sabedoria seja infinita, pode-se ver pela sabedoria dos anjos do terceiro céu; como estão na sabedoria mais do que os outros, eles percebem que não existe relação [ratio] entre a sabedoria deles e a Divina do Senhor, porque não há relação entre o infinito e o finito. Eles até dizem que o primeiro grau da sabedoria é ver e reconhecer que assim é. Dá-se o mesmo em relação ao Divino Amor. Ademais, os anjos, assim como os homens, são formas recipientes da vida; por conseguinte, são recipiente da sabedoria e do amor oriundos do Senhor, e são essas formas pelas substâncias que são desprovidas de vida, por conseguinte, mortas em si mesmas, e entre o que é o morto e o que é vivo não existe relação. [4] De que maneira, porém, o finito recebe o infinito, pode ser ilustrado pela luz e pelo calor do sol do mundo. A luz mesma e o calor mesmo desse sol não são materiais, mas, afetam as substâncias materiais; a luz as modifica e o calor muda os estados delas. A Divina Sabedoria do Senhor também é luz, e o Divino Amor do Senhor também calor, mas calor e luz espirituais, porque procedem do Senhor como Sol, que é o Divino Amor e a Divina Sabedoria ao mesmo tempo, enquanto a luz e o calor do sol do mundo são naturais, porque esse sol é fogo e não amor. * * * * * * *