. “Dizem: Ai, ai! essa grande cidade, Babilônia”. Que isto signifique a lamentação sobre a doutrina e sobre a religiosidade, vê-se pela significação de ‘ai, ai’, que é a lamentação, principalmente sobre a destruição e a devastação (de que se tratou no n. 531); pela significação de ‘cidade’, que é a doutrina (de que se tratou no n. 223); e pela significação de ‘Babilônia’, que é a essa religiosidade que é chamada ‘meretriz’ e ‘mãe das escortações e das abominações da terra’, por causa da falsificação e da profanação do vero e do bem da igreja. Daí é evidente que ‘Ai, ai! essa grande cidade, Babilônia’ significa a lamentação sobre a doutrina e sobre a religiosidade. * * * * * * * [2] Continuação sobre a Fé Atanasiana e sobre o Senhor Que Deus tenha todo o poder e que o homem ou o anjo não o tenha absolutamente é porque somente Deus é a Vida, enquanto o homem e o anjo são somente recipientes da vida; e é a Vida que atua, e o recipiente da vida é atuado. Qualquer um pode ver que o recipiente da vida não pode absolutamente agir por si, mas age, se for pela Vida que é Deus. Pode, no entanto, agir como por si, pois isto lhe é dado. Que isto seja dado de fato, foi dito acima. Se o homem não vive por si, segue-se que não pensa nem quer por si, nem fala e faz por si, mas por Deus, que é, Ele somente, a Vida. Parece ser um paradoxo que isto seja assim, porque o homem não sente outra coisa senão tais ações estão em si e, assim, que as faz por si. No entanto, ele reconhece isto quando fala pela fé de que todo bem e vero vem de Deus, e todo mal e falso vem do diabo; e, todavia, tudo o que o homem pensa, quer, fala e faz se refere ao bem e ao vero, ou ao mal e ao falso. Daí é que o homem diz consigo mesmo, ou que os líderes lhe dizem, quando faz o bem, que é conduzido por Deus, e, quando faz o mal, que é conduzido pelo diabo. O homem que prega também ora para que seu pensamento, sua fala e sua língua sejam conduzidos pelo Espírito de Deus, e às vezes também diz, após a pregação, que falou pelo Espírito. Alguns até percebem isto em si. Também eu mesmo posso testificar perante o mundo que todas as coisas do meu pensamento e minha vontade influíram; os bens e os veros pelo céu desde o Senhor, e os males e os falsos desde o inferno. Foi-me dado perceber isto por muito tempo. [3] Os anjos dos céus superiores sentem isto claramente, e os mais sábios dentre eles não querem sequer pensar e querer como por si mesmos. Ao contrário, porém, os gênios e espíritos infernais e o negam completamente, e ficam irados quando se diz isto. Mas foi mostrado vivamente a muitos que assim é, porém, depois, eles ficaram indignados. Como, porém, isto parece ser um paradoxo para muitos, importa que se veja por alguma ideia do entendimento, para que se reconheça que assim acontece. A coisa em si é assim: do Divino Amor do Senhor, que aparece no céu angélico como Sol, procedem a luz e procede o calor. A luz é a vida de Sua Divina Sabedoria, e o calor é a vida de Seu Divino Amor. Esse calor espiritual, que é o amor, e essa luz espiritual, que á sabedoria, não influem nos sujeitos recipientes da vida diferentemente de como influem o calor natural e a luz natural oriundos do sol do mundo nos sujeitos não recipientes da vida. E como a luz sozinha modifica as substâncias em que influi, e o calor sozinho muda os seus estados, segue-se que, se esse objetos forem animados, sentirão essas mudanças em si e acharão que elas vêm de si, quando, todavia, as elas se afastam com o sol e retornam com o sol. Ora, visto que a Divina Sabedoria do Senhor é a luz, por isso o Senhor é chamado ‘Luz’ em muitas passagens na Palavra, e, em João, é dito: “A Palavra estava em Deus, e Deus era a Palavra;... n’Ele estava a vida, e a vida era a luz dos homens” (Jo. 1:1-4). Por aí é agora evidente que Deus tem infinito poder, porque é tudo em todos. De que maneira, porém, o mau pode pensar , querer, falar e fazer o mal, quando só Deus é a Vida, dir-se-á na sequência.