. “A cidade forte”. Que isto signifique que se fortificara de tantos artifícios nefandos, vê-se pela significação de ‘forte’, quando se diz da doutrina e de sua religiosidade, os quais são significados pela ‘cidade Babilônia’, ou seja, que elas se fortificaram por artifícios para que não fossem atacados e abatidos. Quais artifícios são esses e que sejam nefandos, vide acima (n. 1112). Que, no entanto, esses artifícios de nada tenham valido quando todos os que eram tais pereceram no dia do juízo final, é o que se segue, pois se diz: ‘porque em uma só hora veio o teu juízo’ e que ‘choraram por ela e lamentaram sobre ela’ não somente os reis da terra, mas também os mercadores da terra e os pilotos dos navios. [2] Em outras passagens na Palavra são também chamados ‘fortes’ os que estão nos males e, daí, nos falsos, e por artifícios se fortaleceram contra os bens e veros da igreja, assim naqueles em que a igreja foi devastada e que devastam a igreja nos outros. Como em Joel: “Virá o dia de Jehovah... dia de trevas e de escuridão;... um povo grande e forte, qual nunca houve como ele desde o século;... como horeis correm, e como varão de guerra sobem o muro” (Jl. 2:1, 2, 7), onde também se trata do juízo final, que é significado pelo ‘dia de Jehovah’ e pelo ‘dia de trevas e de escuridão’. Os que estão nos falsos do mal e fortaleceram seus falsos contra os veros da Palavra por meio de raciocínios e falsificações, são significados pelo ‘povo grande e forte’; que eles raciocinem contra os veros e assim os ataquem é significado por ‘como heróis correm, e como varões de guerra sobem o muro’. Semelhantemente ocorre em outras passagens. * * * * * * * [3] Continuação sobre a Fé Atanasiana e sobre o Senhor Como a onipotência de Deus é tal que o homem nada possa pensar e querer por si, e, daí, tampouco falar e fazer, mas pela Vida que é Deus, pergunta-se por que não é salvo todo homem. Mas, quem conclui daí que todo homem é salvo, e, se não, ele não tem culpa, não conhece as leis da ordem Divina sobre a reforma, a regeneração e a salvação do homem. As leis dessa ordem se chamam leis da providência Divina. A mente natural não pode conhecê-las, se não for iluminada. E como o homem as desconhece e, por isso, conclui a respeito da Divina providência pelas contingências no mundo, pelas quais cai em falácias e, daí, em erros de que depois dificilmente escapa, por isso essas leis devem ser reveladas. [4] Mas, antes de serem reveladas, importa saber que a Divina providência opera em cada coisa no homem e nas mais singulares de todas para a sua salvação eterna, porque a salvação do homem foi o fim {propósito} da criação do céu e da terra; e como foi o fim para que a partir do gênero humano fosse formado o céu, no qual Deus habitasse como em Sua própria casa, por isso a salvação do homem é tudo em todas as coisas da Divina providência. Mas a Divina providência anda tão ocultamente que o homem mal vê seus vestígios; e, todavia, ela age nas suas coisas mais singulares desde a infância até a velhice no mundo e, depois, na eternidade, e em todo singularíssimo está o eterno que ela visa. [5] Como a Divina Sabedoria em si não é outra coisa senão o fim, por isso a providência age desde o fim, no fim e para o fim. O fim é que o homem se torna sabedoria e se torne amor, e, assim, habitáculo e imagem da Vida Divina. Como, porém, a mente natural, a menos que seja iluminada, não compreende por que a providência Divina, que opera só para a salvação e age nas coisas mais singulares da progressão da vida do homem, não conduz todos ao céu, quando, todavia, quer conduzir pelo amor e é a onipotência, por isso no que agora se segue serão abertas as leis da ordem, que são as leis da Divina providência, pelas quais, como espero, a mente não anteriormente iluminada seja tirada das falácias, se quiser ser tirada.