AE 1136

Apocalipse Explicado
Emanuel Swedenborg
Explicatione super Apocalypsin — Interpretacao Espiritual do Livro da Revelacao

. “Porque em uma só hora veio o teu juízo.” Que isto signifique a total destruição deles pelo juízo final, vê-se pela significação de ‘em uma só hora’, que é subitamente e, aqui, tudo, também; assim, como se entende a destruição, ela é total. Com efeito, a ‘hora’, assim como o ‘dias’, o ‘ano’ e todos os ‘tempos’ em geral, significa o estado (vide n. 194, 488, 673 e 875). Aqui, a ‘hora’ significa o estado de destruição pelo juízo final, e o número aposto, pelo qual é significada a duração sucessiva do tempo, significa a qualidade do estado. Assim, quando se diz: ‘em uma só hora’ é significado todas as coisas subitamente. Que sejam significadas todas as coisas subitamente vê-se pela sequência, onde todas as suas coisas são enumeradas pelas ‘mercadorias’ que pereceram. Que ‘veio o o teu juízo’ signifique a destruição pelo juízo final é evidente sem explicação.
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[2] Continuação sobre a Fé Atanasiana e sobre o Senhor
As leis da ordem, que se chamam leis da Divina Providência, são as seguintes: (i.) Que o homem não sinta, não perceba e, daí, não saiba outra coisa senão que a vida está nele; por conseguinte, que pense e queira por si e, daí, que fale e faça por si, mas reconheça e creia que os veros que ele pensa e fala, e os bens que ele quer e faz, vêm de Deus, por conseguinte, não de si. (ii.) Que o homem aja pelo livre segundo a ração, mas reconheça e creia que o livre mesmo que ele tem vem de Deus, do mesmo modo que a razão considerada em si mesma, que se chama racionalidade.
[3] (iii.) Que pensar e falar o vero, e querer e fazer o bem pelo livre segundo a razão não vêm de si, mas de Deus; e que pensar e falar o falso, e querer e fazer o mal pelo livre não vêm tampouco de si, mas do inferno; assim, embora o falso e o mal venham daí, o livre mesmo considerado em si mesmo, e faculdade mesma de pensar, querer, falar e fazer, considerada em si mesma, vêm de Deus.
[4] (iv.) Que o entendimento e a vontade do homem não sejam de modo algum constrangidos por outrem, porque todo constrangimento por outrem tira o livre; mas que o homem a si mesmo se constranja, porque constranger a si mesmo vem do livre.
[5] (v.) Que o homem, pelo sentido e pela percepção em si, não saiba de que maneira influem de Deus o bem e o vero, e de que maneira influem do inferno o mal e o falso, nem veja de que maneira a Divina Providência opera pelo bem contra o mal, pois assim o homem não agiria como por si mesmo pelo livre segundo a razão. Basta que saiba e reconheça isto pela Palavra e pela doutrina da igreja.
[6] (vi.) Que o homem não seja reformado por meios externos, mas por meios internos. Por meios externos é por milagres e visões, e também por temores e punições; por meios internos é pelos veros e bens da Palavra e pela doutrina da igreja e por olhar para o Senhor, pois estes meios entram pela via interna e removem os males e falsos que residem interiormente, mas os meios externos entram pela via externa e não removem os males e falsos, mas os fecham. Não obstante, o homem é adicionalmente reformado por meios externos quando foi anteriormente reformado por meios internos. Mas o homem não é reformado por meios externos, que são os temores e as punições, mas somente impedido de falar e fazer os males e falsos que ele pensa e quer.
[7] (vii.) Que o homem não seja introduzido por Deus nos veros da fé e nos bens do amor senão à medida que pode ser mantido neles até o fim da vida, pois é melhor que o homem seja constantemente mau do que ser bom e, em seguida, mau, pois assim é profano. A permissão do mal vem principalmente disso.
[8] (viii.) Que Deus continuamente tire o homem dos males, à medida que pelo livre ele quer ser tirado. Quanto mais o homem puder ser tirado do mal, mais é conduzido por Deus ao bem, assim, ao céu. Mas, quanto mais o homem não pode ser tirado dos males, mais não pode ser conduzido por Deus ao bem, assim, ao céu. Pois quanto mais o homem é tirado dos males, mais faz por Deus o bem que em si é bem, mas, quanto mais não é tirado dos males, mais faz por si o bem que tem o mal em si.
[9] (ix) Que Deus não ensine os veros ao homem imediatamente, nem por Si nem pelos anjos, mas o ensina pela Palavra, pelas pregações, pelas leituras e pelas conversas e comunicações com os outros e, assim, por pensamentos em si mesmo por esses meios. E que, então, o homem seja iluminado segundo as afeições do vero pelo vero, caso contrário o homem não agiria como por si mesmo.
[10] (x.) Que o homem se conduz pela própria prudência à eminência e à riqueza quando estas o seduzem, pois o homem é conduzido pela Divina providência às coisas tais que não seduzem e que servem à vida eterna. Com efeito, todas as coisas da Divina providência no homem visam o eterno, porque a vida, que é Deus, e pela qual o homem é homem, é eterna.
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