. “E todo vaso de marfim, e todo vaso de madeira preciosa”. Que isto signifique os veros e bens racionais, profanados, vê-se pela significação de ‘vasos’, que é o conhecimento (de que se tratará a seguir); pela significação de ‘marfim’, que é o vero racional (de se tratará a seguir); e pela significação de ‘madeira preciosa’, que é o bem excelente, assim, o bem racional, pois este é excelente porque é o melhor do homem natural. Que a ‘madeira’ signifique o vero vê-se logo acima (n. 1145). Que o’ vaso’ seja o conhecimento é porque todo vero no homem natural é chamado conhecimento; que este seja significado pelo ‘vaso’ é porque o conhecimento do homem natural é o continente das verdades racionais e espirituais, pois quando estas são pensadas e percebidas, são depositadas na memória e são chamadas conhecimentos. Daí é que pelos ‘vasos’ na Palavra são significadas as cognições, que, enquanto pertencem ao homem natural, depositadas em sua memória, são conhecimentos. [2] Que pelo ‘marfim’ seja significado o vero racional é porque o camelo7 significa o natural em geral; daí, pelo ‘marfim’ – que é o seu dente e pelo qual ele tem poder, e também porque é branco e resistente – é significado o vero racional, que o vero mais excelente do homem natural. Esse vero é significado pelo ‘marfim’ e também pelo ‘ébano’ em Ezequiel: “Dos carvalhos de Bashan fizeram os teus remos; de marfim fizeram teu banco. ... Muitas ilhas [eram] a mercadoria de tua mão; fizeram vier chifres de marfim e de ébano [como] tua oferta” (Ez. 27:15). Essas palavras são a respeito de Tiro, que significa as cognições do vero, pelas quais o homem tem inteligência; elas são aí descritas pelo navio, cujos remos eram de carvalhos e o banco de marfim; os ‘remos’ significam as coisas do entendimento pelas quais se fala, que pertencem ao homem sensual, e o ‘banco’ significa aquilo do entendimento pelo que se é conduzido, que é o racional. Este é também significado aí pelo ‘ébano’ que as ilhas trazem, pois as ‘ilhas’ significam aqueles que na igreja são naturais e, no entanto, racionais. [3] Em Amós: “Os que se deitam em leitos de marfim, e se estendem sobre suas camas” (Am. 6:4). Assim se descreve o raciocínio pelos falsos; ‘leitos de marfim’ são as doutrinas como se fossem oriundas de veros racionais, e ‘estender-se sobre as camas’ é racionar em favor delas pelos falsos. No mesmo: “Ferirei a casa do inverno com a casa do verão, para que pereçam as casas de marfim e tenham fim as casas grandes” (Am. 3:15); pelas ‘casas’ são significadas as coisas que pertencem à mente humana; aqui, as que pertencem à mente natural separada da mente espiritual; ‘casa do inverno’ e ‘casa do verão’ significam as coisas do homem natural que se chamam sensuais; e ‘casa de marfim’ e ‘casa grande’ significam as coisas do homem natural que se chamam racionais, as quais são, quanto ao vero, significadas pela ‘casa de marfim’, e quanto ao bem, pela ‘casa grande’. Uma vez que o homem, quanto às coisas que são de sua mente, é significado pela ‘casa’, por isso também se construíam outrora casas de marfim, como se lê a respeito de Acab (I Re. 22:39), pelas quais era significado o homem quanto ao racional. Por aí é evidente o que é significado por estas palavras em David: “Dos palácios de marfim... Te alegraram” (Sl. 45:8). Essas palavras são a respeito do Senhor; ‘palácios de marfim’ são os veros oriundos do homem racional, assim, os veros racionais. Que, porém, pelos ‘vasos de marfim’ e pelos ‘vasos de madeira preciosa’ sejam significados os veros e bens racionais profanados é porque foram ditos a respeito da Babilônia, pela qual são significadas as profanações de tudo do vero e do bem. * * * * * * * [4] Continuação sobre a Fé Atanasiana e sobre o Senhor Que o homem seja apenas um recipiente do bem e do vero oriundos do Senhor, e do mal e do falso oriundos do inferno, é o que se deve ilustrar por comparações, confirmar pelas leis da ordem e do influxo e, finalmente, corroborar pelas experiências. É ilustrado por estas comparações: Os órgãos sensórios do corpo são apenas recipientes e percepientes como por si mesmos; o órgão sensório da visão, que é o olho, vê os objetos fora de si como se estivesse neles, quando, todavia, os raios de luz com as asas do éter trazem as formas e cores deles ao olho, formas essas que, percebidas no olho, são examinadas [lustrantur] e, segundo a qualidade delas, distinguidas e reconhecidas pela visão interno que se chama entendimento. O órgão sensório do ouvido semelhantemente; este percebe os sons, sejam palavras sejam melodias, do lugar de onde profluem como se estivesse ali, quando, todavia, os sons influem de fora e são interiormente percebidos pelo entendimento no ouvido. O órgão sensório do olfato igualmente; este percebe de dentro o que influi de fora, às vezes de longe. O órgão sensório do paladar também é excitado pelos alimentos que de fora entram em contato com a língua. O órgão sensório do tanto não sente senão ao ser tocado. Esses cinco órgãos sensórios do corpo sentem pelo influxo de dentro as coisas que influem de fora; o influxo de dentro vem do mundo espiritual, e o influxo de fora vem do mundo natural. [5] Com isto concordam as leis inscritas na natureza de todas as coisas, que são: (i.) Que nada existe, subsiste, atua e move por si, mas por outro. Donde se segue que tudo existe, subsiste, atua e move por um primeiro que não vem de outro, mas que em si é a força da vida, que é a vida. (ii.) Que nada pode ser atuado e movido por si a menos que esteja no meio, entre duas forças, das quais uma age e outra reage, por conseguinte, a menos que uma aja de uma parte e outra de outra; e, também, a menos que uma aja de dentro e outra de fora. (iii.) E visto que essas duas forças, quando em repouso, fazem o equilíbrio, segue-se que nada pode ser atuado e movido a menos que esteja em equilíbrio, e, quando posto em ação, isto vem de fora; e, também, que tudo que é posto em ação e movido busca voltar ao equilíbrio. (iv.) Que todas as atividades são mudanças de estudo e variações da forma, e estas procedem daquelas. Por ‘estado’, no homem, entendemos o seu amor, e pelas mudanças de estado, as afeições do amor; pela ‘forma’, no homem, entendemos sua inteligência, e pelas variações da forma, os pensamentos. Estas, também, procedem daquelas.