. “E mármore”. Que isto signifique o vero sensual profanado vê-se pela significação de ‘mármore’, que é o sensual, que é o último da vida do pensamento e da vontade do homem. Que isto seja significado pelo ‘mármore’ é porque a ‘pedra’ significa o vero nos últimos, em especial a aparência do vero. O ‘mármore’ é citado em lugar da pedra, porque se entende a aparência do vero na igreja, oriunda da Palavra. Que o vero último, que se chama sensual, também tenha sido profanado é evidente pela adoração dos sepulcros, dos ossos e dos seus cadáveres, aos quais chamam santos e, que, no entanto, são podridões e correspondem às coisas infernais. Os sentidos mesmo do corpo teriam aversão a isto, se as coisas santas não tivessem sido profanadas a este ponto.
* * * * * * *
[2] Continuação sobre a Fé Atanasiana e sobre o Senhor
Que, não obstante, o homem seja culpado, segue-se do que foi citado acima e, também, do que foi confirmado anteriormente a respeito da vida, que é Deus e que está no homem por Deus, como também pelas leis citadas, que são verdades. Que o mal seja imputado ao homem é porque lhe foi dado, e é dado continuamente, sentir e perceber a vida como se estivesse nele; e como está nesse estado, também está no livre e na faculdade de agir como se por si; essa faculdade, considerada em si mesma, e esse livre, considerado em si mesmo, não lhe são tirados, porque nasceu homem e viverá eternamente. É por essa faculdade e por esse livre que é que ele pode receber o bem e o mal como por si mesmo. E como o homem é mantido no meio, entre o céu e o inferno, o Senhor lhe dá também que possa conhecer que o bem vem do Senhor e o mal vem do diabo; e, também, pelos veros na igreja, o que é o bem e o que é o mal. Como o homem os conhece e pelo Senhor lhe é concedido pensar neles e querê-los, fala-los e fazê-los como por si mesmo, e isto continuamente por meio do influxo, daí, se ele não recebe, torna-se culpado.
[3] Mas o homem tem falácias a respeito disso principalmente pelo fato de não saber que o seu livre, e a faculdade de agir como si mesmo, vêm do influxo em seu íntimo da vida oriunda do Senhor, e influxo nunca lhe é tirado, porque nasceu homem e tem esse íntimo. Mas o influxo da vida oriunda do Senhor nas vidas recipientes, que estão abaixo desse íntimo onde residem o entendimento e a vontade, varia segundo a recepção do bem e do vero; de fato, esse influxo diminui e, também, é tirado segundo a recepção do mal e do falso. Em suma, a vida que faz com que o homem seja homem e se distinga dos animais brutos – e que está em seu íntimo e, por isso, agindo universalmente nos inferiores, da qual ele tem o livre e a faculdade de pensar, querer, falar e fazer – está perpetuamente nele pelo Senhor. Mas o entendimento e a vontade do homem oriundos dela são mudados e variados segundo a recepção. O homem vive no meio entre o céu e o inferno, e o prazer do amor do mal e, daí do falso, influi nele a partir do inferno, e o prazer do amor do bem e, daí, do vero, influi nele a partir do Senhor, e o homem é mantido constantemente no sentido e na percepção da vida como por si, e por esse é também mantido constantemente no livre de escolher ou um ou outro, e na faculdade de receber ou um ou outro. Quanto mais, pois, escolhe e recebe o mal e o falso, mais é removido do meio, em direção ao inferno; e quanto mais escolhe o bem e o vero, mais é levado desse meio para o céu.
[4] De criação, o estado do homem é que saiba que o mal vem do inferno e o bem vem do Senhor, e que os perceba como se estivessem si, e, ao perceber, que rejeite o mal ao inferno e receba o bem, com o reconhecimento de que o bem vem do Senhor. Quando o homem faz uma coisa e outra, então não apropria a si o mal nem faz o bem meritório. Sei, porém, que há muitos que não compreendem isto e muitos que não querem compreender, mas orem que seja assim: “Que o Se esteja continuamente neles e os leve, e volte a face para eles, ensine-os, ilumine-os e conduza-os, uma vez que por si nenhum bem pode fazer, e lhes dê que vivam. Tampouco os seduza o diabo e insinue os males em seus corações, cientes de que, quando não são conduzidos pelo Senhor, o diabo os conduz e lhes inspira males de todo gênero, como os ódios, as vinganças, as astúcias, os dolos, como a serpente inocula o veneno, pois o diabo se aproxima, estimula e acusa continuamente, e onde encontra avesso a Deus, ele entra, aí habita, e arrasta a alma ao inferno. Livra-nos, Senhor.” Estas coisas coincidem com as que foram ditas acima, pois o inferno é o diabo. E assim se reconhece que o homem é conduzido ou pelo Senhor ou pelo diabo; por conseguinte, que ele está no meio. Vide as coisas que foram ditas acima (n. 1134).
* * * * * * *
[DOWNLOAD]
[VERSAO IMPRESSA]
Para estudo mais confortavel, adquira esta obra em formato impresso.