AE 1150

Apocalipse Explicado
Emanuel Swedenborg
Explicatione super Apocalypsin — Interpretacao Espiritual do Livro da Revelacao

. (Vers. 13) “E canela e fragrâncias”. Que isto signifique o culto pelo amor celeste, profanado, vê-se pela significação de ‘canela’, que é o bem do amor celeste (de que se tratará a seguir); e pela significação de ‘fragrâncias’ ou perfumes, que é o vero do amor celeste, vero esse que é o bem da sabedoria porque vem do amor celeste. Que seja o culto oriundo amor celeste é porque neste versículo são enumeradas as coisas que pertencem a esse culto, enquanto no versículo anterior foram numeradas às que pertencem à doutrina. Que aqui sejam significadas as que pertencem ao culto pode-se ver pelo que se segue, e é visto pelo fato de serem enumerados tantos particulares, o que não teria acontecido se por elas não fosse descrito que todas as coisas do culto, desde as primeiras até as últimas, tinham sido profanadas. A doutrina e o culto se distinguem pelo fato de que a doutrina ensina de que maneira se deve prestar culto ao Senhor e que de maneira o homem deve viver para se afastar do inferno e se aproximar do céu, mas o culto as faz, pois o culto é tanto oral quanto ativo.
[2] Que a ‘canela’ signifique o amor celeste é porque é um aroma excelentíssimo e, por isso, dela, juntamente com outros aromáticas, preparava-se o óleo da unção de santidade (vide Êxodo 30:23, 24); pelo ‘óleo da unção de santidade’ era significado o Divino Amor, e pelos ‘aromáticos’, que eram mirra nobre, canela aromática, cálamo odorífero e cássia era significada a Divina Sabedoria, que, juntamente com o óleo de oliva, significam a Divina Sabedoria unida ao Divino Amor do Senhor. Que por esses aromáticos seja significada a Divina Sabedoria é porque o ‘odor’ significa a percepção, e a percepção pertence à sabedoria. Como isto era significado pelo ‘óleo da unção’, por isso o mesmo significava todas as coisas que serviam para o culto, como o altar, a tenda da assembleia, a arca com o propiciatório e os querubins, e também as vestes de santidade de Aarão e até Aarão mesmo. Daí é evidente que a ‘canela’ significa o bem celeste, e as ‘fragrâncias’ ou os perfumes significam coisas tais que procedem desse bem, as quais se referem, todas, ao vero, e o vero em sua forma é a sabedoria. Esse vero é chamado bem da sabedoria, porque deriva sua essência do bem do amor celeste. Que o culto oriundo desse amor tenha sido profanado vê-se pelo que foi anteriormente a respeito da profanação de tudo da doutrina, e quando todas as coisas da doutrinas são profanadas, também são profanadas todas as coisas do culto, pois o culto vem da doutrina e é segundo ela.
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[3] Continuação sobre a Fé Atanasiana e sobre o Senhor
(iv.) A quarta lei da Divina providência é: Que o entendimento e a vontade não sejam de modo algum constrangidos, porque todo constrangimento por outro tira o livre; mas que o homem mesmo se constranja, pois constranger a si mesmo vem do livre. O livre do homem pertence à sua vontade; pela vontade está no pensamento do entendimento e, por este, na linguagem da boca e na ação do corpo. Pois o homem diz, quando quer algo pelo livre: ‘Quero pensar nisso’ e ‘Quero fazer isso’. Pelo livre da vontade o homem tem, também, a faculdade de pensar, de falar e de agir; a vontade dá essa faculdade porque dá o livre. Uma vez que o livre pertence à vontade do homem, pertence também ao seu amor. Nenhuma outra coisa no homem faz o livre senão o amor que é de sua vontade; a razão disso é que o amor é a vida do homem, pois o homem é tal qual o seu amor; por isso, o que procede do amor de sua vontade, procede de sua vida. Daí é evidente que o livre pertence à vontade do homem, ao seu amor e à sua vida; consequentemente, faz cum com o próprio e com a sua natureza e índole.
[4] Ora, como o Senhor quer que tudo o que d’Ele veem ao homem seja apropriado ao como se fosse seu, pois de outro modo não haveria no homem o recíproco pelo qual se faz a conjunção, por isso é uma lei da Divina providência que o entendimento e a vontade do homem não sejam de modo algum constrangidos por outrem, pois quem não pensar e querer o mal e o bem, contra as leis e com as leis, contra o rei e com o rei, até mesmo contra Deus e com Deus? Mas não lhe é permitido falar e fazer todas as coisas que pensa e quer. Há temores que constrangem os externos, mas não os internos. A razão disso é que os externos devem ser reformados pelos internos, e não os internos pelos externos, porquanto o interno influi no externo e não o contrário. . Além disso, os internos pertencem ao espírito do homem, e os externos pertencem ao seu corpo; e como é o espírito do homem que deve ser reformado, por isso ele não é constrangido.
[5] Há, no entanto, temores que constrangem os internos ou o espírito do homem, mas são somente dos temores que influem do mundo espiritual, que são, de uma parte, por causa das punições do inferno, e de outra, pelo não ter a graça de Deus [gratia apud Deum]. Mas o temor por causa das punições do inferno é o externo do pensamento e da vontade, enquanto o temor por não ter a graça de Deus é o interno deles, e é um temor santo que se acrescenta e se conjunta ao amor, com o qual faz finalmente uma única essência. Torna-se como aquele que ama alguém e por causa do amor teme magoá-lo.

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