. “E unguento e incenso”. Que isto signifique o culto pelo amor espiritual, profanado, vê-se pela significação de ‘unguento’, que é o bem do amor espiritual (de que se tratará a seguir); e pela significação de ‘incenso’, que é o vero do bem espiritual (de que se tratou no n. 491). Que o amor espiritual seja significado por ‘unguento e incenso’ é porque as fumigações de incenso se faziam com eles, e a fumigação do incenso, por causa da fumaça perfumada que subia do fogo santo do turíbulo, significava o amor espiritual. O amor espiritual é o amor para com o próximo, que faz um com o amor dos usos. Há dois amores do céu e, daí, dois amores da igreja, pelos quais se presta culto ao Senhor: o amor celeste, que é o amor ao Senhor, e o amor espiritual, que é o amor para com o próximo. O primeiro é significado por ‘canela e fragrâncias’, e o segundo, por ‘unguento e incenso’. Além disso, todo culto procede do amor; o culto que não procede de um ou de outro desses amores não é culto; é somente um ato externo, no qual nada há interiormente da igreja. Que as fumigações de incenso tenham significado o culto pelo amor espiritual vê-se nos n. 324, 491, 492, 494 e 567. Pelo ‘unguento’ é significado o que era feito de elementos aromáticos de que se faziam as fumigações de incenso, como se pode ver pela seguinte passagem em Moisés: “Toma para ti fragrâncias aromáticas, mirra [stacten] e onychen, e gálbano, fragrâncias, e incenso puro;... e farás disso a fumigação do incenso; unguento, obra de perfumista [unguentarii], salgado, puro, santo; e moerás [parte] disto em miúdos e o porás diante do testemunho, na tenda da assembleia, aonde virei a ti. Santo dos santos será para vós” (Êx. 30:34-37), onde todas essas coisas foram juntamente chamadas ‘unguento de perfumista’ (as quais são explicadas em detalhes nos Arcanos Celestes, n. 10289-10308). * * * * * * * [2] Continuação sobre a Fé Atanasiana e sobre o Senhor Há o livre infernal e o livre celeste. É no livre infernal que o homem nasce dos pais, e é no livre celeste que o homem é reformado pelo Senhor. Pelo livre infernal o homem tem a vontade do mal, o amor do mal e a vida do mal, mas pelo livre celeste o homem tem a vontade do bem, o amor do bem e a vida do bem, porque, como foi dito antes, a vontade, o amor e avida do homem fazem um com o seu livre. Esses dois livres são opostos entre si, mas a oposição não aparece senão à medida que o homem está em um e não no outro. O homem não pode vir do livre infernal ao livre celeste a menos que constranja a si mesmo. Constranger a si mesmo é resistir ao mal e lutar como ele como por si mesmo, mas, no entanto, implorar o auxílio do Senhor. Assim o homem luta pelo livre interiormente em si, que vem do Senhor, contra o livre exteriormente em si, que vem do inferno. Quando está na luta, não lhe parece que tem o livre, pelo fato de lutar, mas que está sendo constrangido, porque isto é contra o livre em que nasceu; mas é, não obstante, o livre, porque de outro modo ele não lutaria como por si mesmo. [3] Mas o livre interior, pelo qual ele luta e que lhe parece ser um constrangimento, mais tarde é sentido como livre, pois se torna como que involuntário, espontâneos e inato, por assim dizer. É, comparativamente, como alguém que força a mão para escrever, para fabricar, para tocar instrumentos de cordas, ou o gladiador para combater; mais tarde as mãos e os braços fazem como si mesmos essas coisas e espontaneamente. É porque então o homem está no bem, pois é tirado do mal pelo Senhor. Quando o homem se constrange contra o livre infernal, então ele vê e percebe que o livre infernal é uma servidão e o livre celeste é o livre mesmo, porque vem do Senhor. Em si mesma, a coisa é tal que, quanto mais o homem se constrange para resistir os males, tanto mais são removidas dele as sociedades infernais com que ele age como um, e é introduzido pelo Senhor nas sociedades celestes, com as quais agirá como um. Que seja assim, é o que se tornou notório para mim no mundo espiritual, e, também, que pelo constrangimento, que se faz pelas punições e, em seguida pelo temor delas, o mal não se afasta.