. “E vinho e óleo”. Que isto signifique o culto pelos veros e bens, que são de origem celestes, profanado, vê-se pela significação de ‘vinho’, que é o vero (de que se tratará a seguir); e pela significação de ‘óleo’, que é o bem de origem celeste (de que se tratou no n. 375). Que o ‘vinho’ signifique o vero de origem celeste é porque aqui está conjunto ao óleo, que é o bem dessa origem. Porque neste versículo, como no anterior, há pares em que um dos elementos significa o que é do vero e o outro, o que é do bem, ambos da mesma origem. Daí se segue que o ‘vinho’ significa o vero de origem celeste porque o ‘óleo’ significa o bem dessa origem. Que o ‘vinho’ na Palavra signifique o vero, ou o bem espiritual, vide no n. 376, pois o vero de origem celeste coincide com o bem espiritual. Dá-se o mesmo em relação ao óleo, que, quando entendido como o óleo da unção de santidade, significa o bem do amor celeste, mas, quando entendido como o óleo com se ungia nas festividades, significa o bem do amor espiritual.
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[2] Continuação sobre a Fé Atanasiana e sobre o Senhor
Foi dito que é uma lei da Divina providência que o homem a si mesmo se constranja e por esta afirmação se entende que ele deve se constranger em relação ao mal, mas não se entende que deve se constranger em relação ao bem, pois é possível se constranger em relação ao mal, mas não ao bem que em si é bem. Porque, se o homem se constrange em relação ao bem sem se constranger em relação ao mal, não faz o bem pelo Senhor, mas por si, pois se constrange a isso ou por causa de si ou por causa do mundo, ou por causa de recompensa, ou por causa do temor. Esse bem em si não é bem, porque tem como fim o homem mesmo, ou o mundo, ou a recompensa, mas não o bem mesmo, nem, por conseguinte, o Senhor. E o temor não faz com que o bem seja bem, mas o amor. Como, por exemplo, constranger-se para beneficiar o próximo, para dar aos pobres, para doar aos templos, para fazer justiça, por conseguinte, para a caridade e para a verdade, quando o homem não se constrange em relação aos males e desse modo removê-los, seria como uma cura paliativa em que a doença ou a úlcera é curada por fora, e como um adúltero que se constrange a agir como o casto, o soberbo como humilde, o defraudador como o sincero, por meio de atos nos externos.
[3] Quando, porém, o homem se constrange em relação aos males, então purifica o seu interno; com essa purificação, ele faz o bem pelo livre, sem se constranger a fazê-lo, porque, quanto mais o homem se constrange em relação ao mal, tanto mais entra no livre celeste, e desse livre vem todo bem que em si é bem, para o qual, por isso, o homem não se constrange. Pare que constranger-se em relação ao mal e constranger-se em relação ao bem são coisas coerentes, mas não são. Por experiência confirmada sei que muitos se constrangeram em relação aos bens, mas não em relação aos males, mas, quando eles foram examinados, descobriu-se que males dos interiores estavam ligados aos bens, donde os bens deles foram comparados a ídolos e a imagens moldadas ou de barro ou de esterco. E foi dito que tais indivíduos que Deus pode ser conquistado com glorificação e ofertas, mesmo de um coração impuro. Entretanto, diante do mundo o homem se constrange em relação aos bens, embora não em relação aos males, porque aí age para ser recompensado, uma vez que no mundo se vê o externo e raramente o interno, mas diante de Deus é diferente.
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