. “E escravos e almas de homens.” Que isto signifique o culto pelos veros e bens que são de origem natural, profanado, vê-se pela significação de ‘escravos’, que são os conhecimentos verdadeiros [vera scientifica], que pertencem ao homem natural (de que se tratará a seguir); e pela significação de ‘almas de homens’, que são os bens correspondentes a esses veros, que, em geral, são as afeições de saber, porque pelas ‘almas de homens’ aqui se entendem os que foram vendidos como servos, assim, a as coisas serviçais. [???] Estas são chamadas ‘almas de homens’ também em Ezequiel: “Javan, Thubal e Meschech [eram] teus mercadores; com alma de homem e com vasos de bronze deram a tua negociação” (Ez. 27:13). Essas palavras são a respeito de Tiro, pela qual são significadas as cognições do vero e do bem; e pela ‘alma de homem’ se entendem os servos que foram vendidos, assim, os escravos; e visto que também se diz ‘com vasos de bronze’, pela ‘alma de homem’ são significados no sentido espiritual os conhecimentos que servem de uso, e as mesmas coisas pelos ‘vasos de bronze’. O homem que é vendido também é chamado ‘alma’ em Moisés: “Se alguém tiver roubado uma alma dos irmãos... e tiver feito proveito dele, quando o vendeu, será morto” (Dt. 24:7). Que ‘escravo’ signifique o conhecimento verdadeiro é porque os conhecimentos do homem natural prestam ajuda e servem ao homem racional para este pensar. Daí é que os conhecimentos na Palavra são significados por ‘ministérios’, ‘ajudas’, ‘servidões’, ‘escravidão’ e, aqui, também por ‘almas de homens’. Aqui como acima, entende-se o culto pelos e bens, profanado por Babilônia. * * * * * * * [2] Continuação sobre a Fé Atanasiana e sobre o Senhor Todos os que desejam milagres e visões são semelhantes Aos filhos de Israel, que, depois de terem visto tantos prodígios no Egito, no mar Suph e sobre o Monte Sinai, após um mês se desviaram, todavia, do culto de Jehovah e adoraram um bezerro de ouro (Êx. 32). São também semelhantes Ao rico no inferno, que disse a Abrahão que se algum dos mortos fosse aos seus irmãos dele, arrepender-se-iam; a ele Abrahão respondeu: “Têm Moisés e os Profetas; ouçam-nos; ... Se não ouvem a Moisés e aos Profetas, também serão persuadidos, ainda que algum dos mortos ressuscite” (Lc. 16:29-31). E são como Tomé, que disse que não creria a menos que visse, ao qual o Senhor disse: “Bem-aventurados os que creem e não veem” (Jo. 20:25, 29). Os que ‘creem e não veem’ são os que não querem sinais, mas os veros da Palavra, assim Moisés e os Profetas, e nestes creem. Esses são homens internos e se tornam espirituais, mas os outros são externos e permanecem sensuais. Estes, quando veem milhares e creem somente por eles, quando creem não são diferentes de uma mulher bela que interiormente é infecta de doença letal, da qual morrerá em breve. E são também semelhantes a frutas formosas na casca, mas com a polpa corrompida; ou semelhantes a nozes de avelã em que se escondem vermes. Sabe-se, sobretudo, que ninguém pode ser constrangido a amar e a crer, e que o amor e a fé devem ser interiormente enraizados no homem; consequentemente, ninguém pode ser levado a amar a Deus e a crer n’Ele por meio de milagres e visões, porque estes constrangem. Porque, quem não crê pelos milagres na Palavra, de que maneira creria pelos milagres fora da Palavra? * * * * * * *