. Vers. 15: “Os mercadores destas coisas, que se tornaram ricos por meio delas”. Que isto signifique todos os que angariaram honras e riquezas por essa religiosidade e, assim, os bens da abundância e da eminência, os quais são ditosos e grandiosos, vê-se pela significação de ‘mercadores’, que são os adquirem para si as coisas que são significadas na Palavra pelas ‘riquezas’, pois se diz ‘os mercadores delas’; (que os ‘mercadores’ signifiquem esses, vê-se acima, n. 1138); e pela significação de ‘tornar-se rico’, que é angariá-las e beneficiar-se com elas. Aqui se entendem os bens da eminência e da opulência, que são significados pelas coisas ‘gordas e esplêndidas’, que são as faustosas e grandiosas externas separadas das internas, assim, os bens do mundo separados dos bens do céu. Porque os que são da Babilônia não sabem o que são as coisas faustosas internas, porque não leem a Palavra e não visam o Senhor, mas sabem somente o que são as coisas externa, com as quais, somente, se deleitam. Não são receptivos das coisas ditosas internas. Coisas semelhantes são significadas pela resposta daqueles que foram convidados para a grande ceia: Um deles disse que comprara um campo, para o qual iria; outro, que experimentaria bois; e o terceiro, que se casara (Lc. 14:18-20); por todas essas coisas se entendem os bens do mundo ou os bens externos abstraídos dos bens internos. Coisas semelhantes são significadas pelas palavras do Senhor em Mateus: Que comiam e bebiam, contraíam casamentos e davam-se em núpcias, e não sabiam, até que veio o dilúvio e levou a todos (Mt. 24:38, 39). Essas palavras foram ditas pelo Senhor a respeito do juízo final, e por ‘comer e beber, contrair matrimônio e dar-se em núpcias’ são significadas as mesmas coisas que aqui são significadas pelas coisas ‘gordas e esplêndidas’, a saber, as felicidades e amenidades externas, que se chamam volúpias do corpo e do mundo, e não ao mesmo tempo da alma e do céu. Por aí é evidente que por todas as mercadorias que são enumeradas neste capítulo se entendem as coisas boas e faustosas externas e não mesmo tempo internas, e, por conseguinte, pelos ‘mercadores, que se tornaram ricos por meio delas’, se entendem os que se acham nelas. * * * * * * * [2] Continuação (viii.) A oitava lei da Divina providência é: Que o Senhor continuamente tire o homem dos males, à medida que pelo livre ele quer ser tirado. Quanto mais o homem puder ser tirado do mal, mais é conduzido pelo Senhor ao bem, assim, ao céu. Mas, quanto mais o homem não pode ser tirado dos males, mais não pode ser conduzido pelo Senhor ao bem, assim, ao céu. Pois quanto mais o homem é tirado dos males, mais faz pelo Senhor o bem que em si é bem, mas, quanto mais não é tirado dos males, mais faz por si o bem que tem o mal em si. Pela linguagem da boca e pelas ações do corpo o homem está no mundo natural, mas está no mundo espiritual pelos pensamentos do entendimento e pelas afeições da vontade. Por mundo espiritual entendem-se o céu e o inferno, ambos distintos na mais perfeita ordem em inumeráveis sociedades, segundo todas as variedades de afeições e, daí, de pensamentos. No meio delas está o homem, ligado de tal modo que não pode pensar sequer a mínima coisa senão juntamente com elas, e tão juntamente que o homem, se fosse delas, ou elas separadas do homem, cairia morto, restando somente a vida no íntimo pela qual ele é homem e não besta, e pela qual vive eternamente. O homem ignora que está numa consociação tão indissolúvel quanto à vida, e ignora porque não fala com os espíritos; entrementes não sabe coisa alguma de seu estado. Mas, para que isto não fique oculto eternamente, eis que foi revelado. Isto foi dito como premissa antes que se possa entender essa lei da Divina providência.