. “Chorando e pranteando”. Que isto signifique a dor de alma e de coração vê-se pela significação de ‘chorar’, que é a dor da alma; e pela significação de ‘prantear’, que é a dor do coração. A dor da alma se distingue da dor do coração como o vero se distingue do bem, pois ‘alma’, na Palavra, se diz do vero que é da fé, e ‘coração’, do bem que é do amor. Daí também se dizer, na Palavra, ‘[vindo] da alma e do coração’. Também se distinguem como o entendimento e a vontade do homem, e também como a respiração do pulmão e o movimento do coração. E como na Palavra há um casamento como é o do vero e do bem, ou como é o da fé e do amor, ou como é o do entendimento e da vontade, por isso é o mesmo em relação a chorar ‘chorar e prantear’, a saber, ‘chorar’ é a dor da alma, e ‘prantear’ é a dor do coração. * * * * * * * [2] Continuação Mas, para que o homem seja levado para fora do inferno e introduzido no céu pelo Senhor é necessário que o homem mesmo resista ao inferno, isto é, aos males, como por si mesmo. Se não resiste como por si mesmo, permanece no inferno e o inferno permanece nele e tampouco são separados na eternidade. Isto se segue, também, das citadas leis da Divina providência citadas que já foram explicadas. Que isto seja assim, a experiência também o ensinará. Os males são removidos do homem ou por meio de punições, ou por meio de tentações e, daí, aversões, ou por afeições do vero e do bem. Os males são removidos por meio de punições nos não reformados, por meio de tentações e, daí, aversões nos reformados, e por afeições do vero e do bem nos regenerados. A experiência é esta: Quando um não reformado ou mal sofre punições – o que acontece no inferno – ele é mantido nelas até que se perceba que por si mesmo ele não os quer. Antes disso não é libertado. Assim ele é constrangido por si a remover os males. Se não punido até essa intenção e vontade, permanece em seu mal. No entanto, o mal não extirpado, porque não se constrangeu a si mesmo; permanece dentro e retorna quando o temor cessa. Nos que estão sendo reformados, os males são removidos por meio de tentações, que não são punições, mas lutas. Esses não são constrangidos a resistir os males, mas constrangem-se a si mesmos e imploram o Senhor, e assim são libertos dos males aos que resistiram. Esses, em seguida, desistem deles, não por algum temor da pena, mas pela aversão ao mal. A aversão mesma do mal é, finalmente, a resistência para eles. Nos regenerados, porém, não há quaisquer tentações ou lutas, mas afeições do vero e do bem, que mantêm os males longe deles, pois são inteiramente separados do inferno, onde os males estão, e são conjuntos ao Senhor. [3] Ser separado e removido dos males não é outra coisa senão ser separado e removido das sociedades infernais. O Senhor pode separar e remover das sociedades infernais, por conseguinte, dos males a todos quantos querem, e também os pode transportar às sociedades celestes, por conseguinte, aos bens. Mas isto não continua senão por algumas horas; depois disso os males retornam. Também vi isto ser feito algumas vezes, e também que o mau era mau como era antes. Em todo o mundo espiritual não existe um exemplo de alguém ter sido removido dos males senão por luta ou resistência como por si mesmo, nem que alguém o tenha feito senão pelo Senhor somente.