. “Porque numa só hora foram devastadas tantas riquezas.” Que isto signifique a destruição de todas as coisas que eles angariaram e a destruição das coisas com as quais eles esperavam angariar vê-se pela significação de ‘ser devastada em uma só hora’, que é a destruição total de que se trata no n. 1136, assim também a perda de tudo; e pela significação de ‘riquezas’, que são os ganhos, a saber, as honras e riquezas, por conseguinte, as coisas que eles angariaram e, também, os males e falso da doutrina e da religiosidade, que são as coisas com as quais eles esperaram angariar. Pelas ‘riquezas’ aqui são significadas as mesmas coisas que acima pelas ‘mercadorias’ que foram enumeradas nos vers. 12-14. * * * * * * * [2] Continuação Quanto mais o homem é removido dos males, mais é removido do inferno, porque os males e o inferno são um só. E quanto mais o homem é removido deles, mais entra nos bens e é conjunto ao céu, pois os bens e o céu são um só. O homem, então, se torna outra. Seu livre, seu bem, sua mente, seu entendimento e sua vontade se invertem, pois ele se torna um anjo do céu. Seu livre, que antes fora o livre de pensar e de querer o mal, se torna o livre de pensar e de querer o bem, o que em si é o livre mesmo. Quando o homem está nesse livre, então ele sabe pela primeira vez o que é o livre, mas não antes, porque pelo livre do mal ele tinham sentido o livre do bem como servidão; agora, porém, pelo livre do bem ele sente o livre do mal como servidão, como de fato é. O bem que o homem fizera anteriormente, porque vinha do livre do mal, não pôde ser o bem em si; o amor de si e ou do mundo estava nele. Não existe bem de outra origem senão o do amor; assim, qual é o amor, tal é o bem; se é o amor do mal, embora seu prazer seja sentido como bem, é, contudo, é mal. Mas o bem que depois o homem faz é o bem em si, porque vem do Senhor, que é o Bem mesmo, como foi dito acima. [3] A mente do homem, antes de ser conjunta ao céu, era voltada para trás, porque ainda não tinha sido conduzida para fora do inferno. Quando está no estado de reforma, ela olha do vero ao bem, assim, da esquerda para a direita, que é contra a ordem, mas, após a mente ser conjunta ao céu, ela é volta para frente e elevada ao Senhor, e olha da direita para a esquerda, isto é, do bem ao vero, que é segundo a ordem; torna-se, assim, inversa. Dá-se de modo semelhante em relação ao entendimento e a vontade, porque o entendimento é o receptáculo do vero e a vontade é o receptáculo do bem. Antes de o homem ser conduzido para fora do inferno, o entendimento e a vontade não agem como um só; então, pelo entendimento o homem vê e conhece muitas coisas que ele não quer, porque não as ama; quando, porém, o homem é conjunto ao céu, o entendimento e a vontade agem como um só, porque o entendimento se torna da vontade, pois quando é feita a conversão, o que o homem quer, isto também ele ama, e o que ele quer pelo amor, isto ele pensa. Assim, após o homem ter sido removido dos males pela resistência e pela luta contra eles como por si mesmo, ele entra no amor do vero e do bem, e, então, todas as coisas que quer, e daí, faz, ele também pensar e, daí, fala. * * * * * * *