AE 1170

Apocalipse Explicado
Emanuel Swedenborg
Explicatione super Apocalypsin — Interpretacao Espiritual do Livro da Revelacao

. (Vers. 17:) “E todo piloto, e todo o que se ocupa com navios, e marinheiros, e todos quantos trabalham no mar”. Que isto signifique todos os que acreditaram estar na sabedoria, na inteligência e no conhecimento, e confirmaram os falsos dessa doutrina e religiosidade pelos raciocínios do homem natural, vê-se pela significação de ‘navios’ que são as cognições do vero e do bem, e, também, os doutrinais em ambos os sentidos (de que se tratou no n. 514); e visto que a sabedoria, a inteligência e o conhecimento vêm das cognições do vero e do bem, daí, pelo ‘piloto’ ou ‘arrais’ são significados os que estão na sabedoria; pelos que ‘se ocupam com navios’, os que estão na inteligência; e pelos ‘marinheiros’, os que estão no conhecimento. Dizem-se sabedoria, inteligência e conhecimento porque estes se seguem nesta ordem naqueles que se tornam sábios pelas cognições; a sabedoria está no terceiro grau, a inteligência no segundo e o conhecimento no primeiro ou mais externo. Por isso, também, estes são nomeados nessa ordem na Palavra, como em Moisés:
“Enchi” a Bezaleel “com o espírito de Deus, quanto à sabedoria... à inteligência... e ao conhecimento” (Êx. 31:3; 35:31);
e pela significação de ‘trabalhar no mar’, que é confirmar pelos raciocínios do homem natural, e, aqui, confirmar os falsos dessa doutrina e religiosidade, pois pelo ‘mar’ é significado o homem natural, e por ‘operar’ aí é significado raciocinar e confirmar pelos raciocínios; por ‘trabalhar no mar’ é significado propriamente adquirir para si coisas tais que dão ganhos, como também vende-las e lucrar; mas, como os ganhos foram representados acima pelos ‘mercadores’ e as suas ‘mercadorias’, por ‘operar no mar, aqui, é significada outra coisa, a saber, confirmar pelos raciocínios. Que pelos ‘pilotos’ ou ‘arrais’ sejam significados os sábios pode-se ver em Ezequiel:
“Os sábios” de Sidom e de Arvade “foram os teus arrais;... os anciãos de Gebal e os seus sábios foram... os que consolidam a tua fenda” (Ez. 27:8, 9),
mas estas coisas se veem explicadas acima (n. 514).
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[2] Continuação
Há duas faculdades da vida no homem; uma se chama entendimento e a outra, vontade. Essas faculdades são inteiramente distintas entre si, mas foram criadas para fazerem uma só, e quando fazem uma, são chamadas uma só mente. No homem, porém, elas são primeiramente divididas, mas, depois, são unidas. São inteiramente distintas como a luz e o calor, pois o entendimento vem da luz do céu, que em sua essência é o Divino Vero ou a Divina Sabedoria. O entendimento do homem, enquanto está no mundo, vê, pensa, raciocina e conclui por essa luz. O homem ignora que é assim, porque não sabe coisa alguma a respeito dessa luz e de sua origem. A vontade, porém, vem do calor do céu, que em sua essência é o Divino Bem ou o Divino Amor. A vontade do homem, enquanto está no mundo, ama por esse calor e tem toda a sua volúpia e seu prazer. O homem ignora que é assim, porque não sabe coisa alguma a respeito desse calor e de sua origem. Ora, como o entendimento vê pela luz do céu, é evidente que ele é o sujeito e o receptáculo dessa luz, assim, também, o sujeito e o receptáculo do vero e, daí, da sabedoria. E como a vontade ama pelo calor do céu, é evidente, é evidente que ela é o sujeito e o receptáculo desse calor, assim, também sujeito e receptáculo do bem, assim, do amor. Por aí se pode ver claramente que essas duas faculdades da vida do homem são distintas como a luz e o calor, e, também, como o vero e o bem e como a sabedoria e o amor.
[3] Que essas duas faculdades sejam primeiramente divididas no homem é o que se percebe evidentemente pelo fato de que o homem pode entender o vero e, pelo vero, o bem, e confirmar que é assim, e, no entanto, não querê-lo e, pelo querer, fazê-lo. Porque ele entende o que é o vero e, daí, o que é o bem quando ouve e lê o vero, e, assim, entendê-lo perfeitamente para que depois possa ensiná-lo pregando e escrevendo, mas quando está em si, e pensa por seu espírito, então pode compreender que não o quer, e, de fato, que quer fazer contra o vero, e também o faz quando os temores não o retêm. Tais são os que podem falar inteligentemente e, no entanto, vivem de outro modo. Isto é, também, “ver uma lei em seu espírito e outra em sua carne”; o ‘espírito’ é o entendimento e a ‘carne’ é a vontade. Esse dissídio do entendimento e da vontade é percebido principalmente por aqueles que querem ser reformados, mas pouco pelos outros.
[4] Que exista esse dissídio é porque o entendimento no homem não foi destruído, mas a vontade o foi. Porque o entendimento é, comparativamente, como a luz do mundo, pela qual o homem pode ver de modo igualmente claro, tanto na estação do inverno quanto na estação do verão; e a vontade é comparativamente como o calor do mundo, que pode estar ausente da luz e pode estar presente com a luz. É ausente da luz na estação do inverno, e presente com a luz na estação do verão. Mas o fato é que nada destrói o entendimento senão a vontade, da mesma maneira que nada destrói as germinações da terra senão a ausência de calor. O entendimento é destruído pela vontade naqueles que estão nos males da vida quando o entendimento e a vontade agem como um só, mas não quando não agem como um só. Agem como um só quando o homem pensa consigo mesmo por seu amor, mas não agem como um só quando ele está com os outros. Quando está com os outros, ele oculta e, assim, remove o amor da vontade de seu proprium; sendo removido o amor, o entendimento é elevado a uma luz superior.
[5] Seja, também, a seguinte experiência para confirmação. Ouvi algumas vezes espíritos falando entre si, e também comigo, tão sabiamente que dificilmente um anjo poderia falar mais sabiamente, e daí achei que eles seriam em breve levados ao céu. Mas, após algum tempo, eu os vi com os maus no inferno, do que me admirei. Mas, então, foi-me concedido ouvi-los falando completamente diferente, não em favor dos veros, como antes, mas contra os veros, porque agora estavam no amor da própria vontade e, semelhantemente no entendimento, mas antes não estavam. Também foi concedido ver de que maneira o proprium do homem de distingue do que não é seu proprium. Isto pode ser visto na luz do céu. O proprium reside interiormente, mas o não proprium exteriormente, e este cobre aquele e também o esconde, para que não apareça senão quando esse véu é tirado, o que acontece em todos após a morte. Observei também que muitos se espantavam pelo que foi visto e ouvido, mas eram aqueles que julgam a respeito do estado da alma do homem pela linguagem e pelos escritos, e não ao mesmo pelos feitos que são da própria vontade deles. Por aí é evidente que essas duas faculdades do homem são primeiramente divididas.
[6] Dir-se-á agora alguma coisa a respeito da união delas. São unidas naqueles que são reformados, o que se pela luta contra os males da vontade. Quando estes são removidos, a vontade do bem age com o entendimento do vero. Segue-se daí que qual é a vontade, tal é o entendimento; ou, o que é o mesmo, qual é o amor, tal é a sabedoria. Que estes sejam tais quais são aqueles é porque o amor da vontade é o ser da vida do homem, e a sabedoria do entendimento é o existir da vida daí; por isso, o amor, que é da vontade, se forma no entendimento. A forma que aí toma é o que se chama sabedoria, porque, como ambos tem uma só essência, é evidente que a sabedoria é a forma do amor ou o amor na forma. Após essas duas faculdades serem unidas pela reforma, o amor da vontade então aumenta dia a dia, e aumenta pela nutrição espiritual no entendimento, pois o homem tem aí a sua afeição do vero e do bem, que é como o apetite, que ele anseia e deseja. Por aí é evidente que é a vontade que deve ser reforma, e, que, conforme ela é reforma, o entendimento vê, isto é, torna-se sábio, porque, como foi dito, a vontade foi destruída, mas não o entendimento. A vontade e o entendimento também fazem um nos que não são reformados ou os maus, se não no mundo, sempre após a morte, porque após a morte não é permitido ao homem pensar pelo entendimento senão segundo ao mor de sua vontade. Cada um é finalmente reconduzido a ela, e, quando reconduzido, então o amor mau de sua vontade tem sua forma no entendimento, forma essa que, por causa dos falsos do mal, é a insanidade.

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