. “Ficaram de longe.” Que isto signifique que agora não estão tanto nessas coisas, por causa do temor, vê-se pela significação de ‘ficar de longe’ que é estar nos externos (de que se tratou no n. 1133). Aqui, pois, é não estar nessa estúpida sabedoria, inteligência e conhecimento, pelos quais tinham confirmado antes os males e falso da doutrina e da religiosidade, por causa do amor, porque o temor faz com que o homem esteja como se ausente destes, quanto vê serem punidos e atormentados os que foram tais. * * * * * * * Continuação A isto se deve acrescentar: (1.) Que a luz do entendimento antes da reforma é como a luz clara da lua segundo as cognições do vero e bem, mas, após a reforma, como a luz clara do sol, segundo a aplicação das cognições do vero e do bem aos usos da vida. (2.) A razão pela qual o entendimento não é destruído é a fim de que o homem possa conhecer os veros e, por eles, ver os males de sua vontade; e, quando os vir, possa resistir a eles como se por si mesmo e assim ser reformado. (3.) No entanto, o homem não é reformado pelo entendimento, mas pelo fato de o entendimento reconhecer os veros e, por eles, ver os males, porque a operação da Divina providência do Senhor é no amor da vontade do homem e, deste, no entendimento, e não vice-versa. (4.) O amor da vontade dá inteligência segundo a sua qualidade. O amor natural oriundo do espiritual dá inteligência nos assuntos civis e morais, enquanto o amor meramente natural e, daí, o orgulho [???} não dá inteligência alguma nos assuntos espiritual, mas dá a faculdade de confirmar tudo quanto quer, e, depois da confirmação, torna o entendimento estúpido para ver o falso como vero e o mal como o bem. No entanto, esse amor não tira a faculdade de entender os veros na luz deles. Tira quando está presente, e não tira quando está ausente. (5.) Quando a vontade foi reformada, e a sabedoria, que pertence ao entendimento, se torna do amor, que pertence à vontade, ou quando a sabedoria se torna o amor do vero e do bem em sua forma, então o homem é como um jardim na estão da primavera, quando o calor é unido à luz e a alma às germinações. As germinações espirituais são as produções da sabedoria pelo amor, e, então, em toda produção está a alma por esse amor, e o seu revestimento pela sabedoria. Assim, a vontade é como o pai, e o entendimento como a mãe. (6.) Tal é, pois, a vida do homem, não somente a vida de sua mente, mas também a vida de seu corpo, porque a vida da mente age em comum com a vida do corpo pelas correspondências. Com efeito, a vida da vontade ou do amor corresponde à vida do coração, e a vida do entendimento ou da sabedoria corresponde à vida do pulmão; estas são as duas fontes de vida do corpo. O homem ignora que é assim; entretanto, é por esse motivo que o mau não pode viver no céu e o bom não pode viver no inferno. Um e outro se tornam como se estivessem mortos, se não estiver entre aqueles com os quais a vida de sua vontade de, daí, a vida de seu entendimento agem em comum. Entre esses, e não outros, o seu coração age livremente em reciprocidade e, daí, o seu pulmão respira livremente. * * * * * * *