. “Dizendo: Ai, ai! essa grande cidade, na qual se enriqueceram todos os que têm navios no mar, por suas preciosidades”. Que isto signifique a lamentação sobre a doutrina e a religiosidade com as quais se beneficiaram todos os que as confirmaram por meio de raciocínios do homem natural, vê-se pela significação de ‘Ai, ai’, que é a lamentação (de que se tratou no n. 1165); pela significa de ‘grande cidade’, que é a doutrina e a religiosidade (de que se tratou no n. 1134); pela significação de ‘enriquecer-se por suas preciosidades’, que é beneficiar-se por meio delas; e pela significação de ‘ter navios no mar’, que é pelos confirmá-las pelos raciocínios do homem natural. Por ‘ter navios no mar’ são significadas as mesmas coisas que acima, vers. 17, por ‘piloto, todo o que se ocupa com navios, marinheiros e os que operam no mar’, pelos quais são significados todos os que creram estar na sabedoria, na inteligência e no conhecimento, e confirmaram os falso da doutrina e dessa religiosidade pelos raciocínios do homem natural, como se viu acima (n. 1170). * * * * * * * [2] Continuação Visto que a Divina providência age nas afeições que pertencem ao amor e, daí, à vontade do homem, e o conduz em sua afeição e, dela, a outra próxima e afim pelo livre, e isto tão imperceptivelmente que o homem sabe de que modo ela age, e mesmo dificilmente sabe que há uma Divina providência, daí é que muitos a negam e se confirmam contra ela, o que se faz por causa de várias coisas que acontecem e surgem. Por exemplo, que os maus são bem-sucedidos em artimanhas e dolos, que a impiedade reina, que há um o inferno, que há cegueira do entendimento nos assuntos espirituais e que daí haja tantas heresias, e que cada uma, gerada por uma só cabeça, se espalhe em assembleias e nações, e permaneça, como o papismo, o luteranismo, o calvinismo, melanctonismo, moravianismo, arianismo, socinianismo, quaquerismo, carismatismo e até o judaísmo, como também o naturalismo e o ateísmo. E, fora da Europa, em muitos reinos, o maometismo e o paganismo, no quais há vários cultos e, em alguns, nenhum. [3] Todos os que não pensam a este respeito pela Divina verdade dizem em sua coração que não existe Divina providência; e os que param para pensar afirma que, se há, é somente universal. Estes e aqueles, quando ouvem que a Divina providência está nas coisas mais singulares da vida dos homens, ou prestam ou não prestam atenção; os que não prestam atenção o rejeitam e lançam para trás, e se vão, enquanto os que prestam são como os que se vão, e, todavia, desviam a face e somente olham se isto é alguma coisa; e, quando veem, dizem consigo mesmo: ‘Assim dizem’. Alguns até afirmam isso de boca e não de coração. Ora, como importa dissipar a cegueira da ignorância, ou a escuridão por causa da escuridão nascida da ausência de luz, ver-se-á: (1.) O Senhor a ninguém ensina imediatamente, mas mediatamente, pelas coisas que no homem vêm da audição e da visão. (2.) E, no entanto, o Senhor provê que o homem possa ser reformado e salvo pelas coisas que daí faz serem de sua religião. (3.) E provê para toda nação um meio universal de salvação.