. (Vers. 20) “Exulta sobre ela, ó céu! E [vós,] os santos apóstolos e profetas”. Que isto signifique o regozijo de coração no céu e na igreja com aqueles estão na sabedoria e na inteligência pela Palavra vê-se pela significação de ‘exultar’, que o regozijo de coração; pela significação de ‘céu’, que é não somente o céu, mas também a igreja, porque a igreja é o céu do Senhor nas terras; pela significação de ‘apóstolos’, que são os que ensinam a partir da Palavra (de que se tratou nos n. 100 e 333), assim, os que estão na sabedoria; e pela significação de ‘profetas’, que estão os que estão na doutrina do vero da Palavra e, abstratamente, a doutrina mesma (de que se tratou acima, n. 624), assim, os que estão na inteligência, porque os que estão na doutrina da Palavra são chamados ‘inteligentes’, enquanto aqueles que ensinam a Palavra são chamados ‘sábios’. Por estas explicações é evidente que ‘exulta sobre ela, ó céu, e [vós], santos apóstolos e profetas’ significa o regozijo de coração no céu e na igreja com aqueles que estão na sabedoria e na inteligência. Que isto se siga agora é porque antes do juízo final, ou antes de os babilônicos serem lançados no inferno e, assim, o mundo dos espíritos ter sido liberto deles, foi interceptada a luz pela qual os anjos tinham sabedoria e inteligência. Que essa luz tenha sido interceptada e, por ela, os anjos ficarem um pouco na sombra, foi por causa da conjunção dos babilônicos com os anjos do céu mais externo, mas foi diferente quando eles foram precipitados. (Sobre este assunto vide as coisas que foram relatadas no opúsculo Do Juízo Final). * * * * * * [2] Continuação (2.) Que, no entanto, o Senhor proveja que o homem possa ser reformado e salvo pelas coisas que ele daí faz serem de sua religião. Em todas as terras do mundo, onde há uma religião, existem dois que a constituem, que são Deus e o homem, pois deve haver a conjunção. E há duas coisas que fazem a conjunção: o bem do amor e o vero da fé; o bem do amor vem imediatamente de Deus, e o vero da fé vem também de Deus, mas mediatamente. É pelo bem do amor que o Senhor conduz o homem, e é pelo vero da fé que o homem é conduzido. Isto é o mesmo que as coisas que foram ditas acima: o vero da fé parece ao homem como se fosse seu, porque vem das coisas que ele adquire como por si mesmo. Portanto, Deus se conjunge ao homem pelo bem do amor, e o homem se conjunge a Deus como por si mesmo pelo vero da fé. Como tal é a conjunção, por isso o Senhor se compara ao Noivo e Marido, e a igreja é comparada à noiva e esposa. O Senhor influi continuamente com pleno bem do amor, todavia não pode ser conjunto ao homem em pleno vero da fé, mas somente naquele que está no homem, e este é variado. Este pode existir mais plenamente naqueles que estão onde há a Palavra, porém menos plenamente naqueles que estão onde não há a Palavra. No entanto, nestes e naqueles a plenitude é variada segundo o conhecimento e, ao mesmo tempo, a vida segundo o conhecimento. Daí é pode existir em grau maior naqueles que não têm a Palavra do que naqueles que a têm. [3] A conjunção de Deus com o homem e a conjunção do homem com Deus são ensinadas nas duas tábuas que foram escritas com o dedo de Deus, que são chamada ‘tábuas da aliança’, ‘testemunho’ e ‘lei’. Deus está numa tábua e o homem na outra. Essas tábuas estão em todas as nações que têm uma religião; pela primeira tábua elas sabem que se deve reconhecer, santificar e adorar a Deus; pela segunda tábua, sabem que não se deve roubar manifesta ou clandestinamente por meio de artifícios, não se deve adulterar, não se deve matar com a mão nem com o ódio, não se deve testemunhar falsamente diante do juiz nem diante do mundo e, também, que não se deve querer essas coisas. Por sua tábua o homem conhece os males de que deve fugir e, conforme os conhece e foge deles como por si mesmo, assim Deus cônjuge o homem a Si e lhe concede, por Sua tábua, que o homem O reconheça, O santifique e O adore, e também lhe concede não querer os males. Assim essas duas tábuas se conjuntam no homem, e a tábua de Deus é posta sobre a tábua do homem e, como uma só, é encerrada na arca sobre a qual está o propiciatório, que é o Senhor, e sobre o propiciatório os dois querubins, que são a Palavra e as coisas que vêm da Palavra, na qual o Senhor fala com o homem, como com Moisés e Aarão, entre os querubins. [4] Ora, visto que a conjunção do Senhor com o homem e do homem com o Senhor é por essas coisas, é evidente que é salvo qualquer um que as conhece e vive segundo elas não somente por causa da lei civil e moral, mas, também, por causa da lei Divina. Assim, cada um em sua religião, seja cristão, seja maometano, seja gentio. E mais, o homem que vive pela religião, ainda que no mundo nada saiba a respeito do Senhor nem coisa alguma da Palavra, está, quanto ao seu espírito, no estado de querer saber; por isso, após a morte ele é instruído pelos anjos, reconhece o Senhor e recebe os veros segundo a afeição, e se torna anjo. Cada um desses é como o homem que morre na infância, pois é conduzido pelo Senhor e ensinado pelos anjos. Aqueles que não tiveram culto algum, por causa da ignorância, por terem nascido em determinado lugar, também são, após a morte, instruídos como as crianças, e, segundo a sua vida civil e moral, recebem os meios de salvação. Vi esses tais, e primeiro apareceram como não homens, e depois os vi como homens, e os ouvi falando com sensatez pelos preceitos do Decálogo. Instruir aos que são tais é um prazer angélico íntimo. Por aí é agora evidente que o Senhor provê que todo homem possa ser salvo.