. “E a voz dos harpistas e dos músicos, e dos flautistas e dos trombeteiros não mais será ouvida em ti”. Que isto signifique não haver mais regozijo interior e exterior, vê-se pela significação de ‘voz’, ou do som dos vários instrumentos musicais, que são o regozijo pelas afeições internas e externas; que essas coisas sejam significadas é por causa da concordância, porque os sons musicais exprimem afeições e as produzem com regozijo. Que os instrumentos de corda signifiquem coisas espirituais, e os de sopro, celestes, e que correspondem às afeições, vê-se nos n. 323 e 326. O que, porém, significam em particular a ‘voz da harpa’, a ‘voz da flauta’ e a ‘voz da trombeta’, não se pode ver por outro meio senão pelas afeições, que são de duplo gênero, espirituais e celestes; as espirituais, pelos veros, e as celestes, pelos bens. Mas elas são de triplo grau: as íntimas, as médias e as extremas; as íntimas, como são no céu íntimo; as médias, como são no céu médio; e as extremas, como são no céu mais externo.
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[2] Continuação
(x) A décima lei da Divina providência é pela própria prudência que o homem se conduz à eminência e à opulência quando estas o seduzem. Com efeito, pela Divina providência o homem é conduzido a coisas tais que não seduzem e que lhe servem para a vida eterna, pois todas as coisas da Divina providência no homem visam o eterno, porque a vida, que é Deus, pela qual o homem é homem, é eterna. Há duas coisas que influencia principalmente as mentes dos homens: a eminência e a opulência. A eminência é o amor da glória e das honras, e a opulência é o amor do dinheiro e das posses. Elas afetam principalmente as mentes porque são próprias do homem natural; daí é que os que são meramente naturais não sabem outra coisa senão que a eminência e opulência são as bênçãos mesmas que vêm de Deus, quando, todavia, elas podem ser maldições, como se pode concluir claramente pelo fato de as terem tanto os homens bons quanto os maus. Eu vi eminentes e opulentos nos céus, e também os vi nos infernos. Por isso, como foi dito, quando elas não seduzem, procedem de Deus, mas, quando seduzem, procedem do inferno.
[3] Que o homem no mundo não distinga entre elas, se procedem de Deus ou se procedem do inferno, é porque não podem ser distintas pelo homem natural separado do espiritual, mas podem ser no homem natural pelo espiritual, e isto também dificilmente, porque o homem natural é ensinado deste a infância a imitar o espiritual, e assim os usos que ele presta à igreja, à pátria, à sociedade e ao concidadão, portanto, ao próximo, ele não somente diz, mas pode até se persuadir de que os presta por causa da igreja, da pátria, da sociedade e ao concidadão, quando, todavia, ele talvez os preste por causa de si e do mundo como fins. O homem está nessa cegueira pelo fato de não ter removido de si os males por alguma luta, porque, enquanto permanece neles, o homem nada pode ver do espiritual em seu natural; é como o que sonha crendo que está acordado, e é como a ave da noite que vê as trevas como luz. Tal é o homem natural quando a porta da luz do céu é fechada. A luz do céu é o espiritual que ilumina o homem natural. Ora, uma vez que importa sumamente saber se a eminência e a opulência, ou o amor da glória e das honras, bem como o amor do dinheiro e das posses, são fins ou são meios, dir-se-á primeiramente a respeito do fim e dos meios, porque, se forem fins, elas são maldições, mas, se não forem fins, mas meios, elas são bênçãos.
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