. “E todo artífice de toda arte não se achará mais em ti”. Que isto signifique não haver mais sabedoria, inteligência e conhecimento vê-se pela significação de ‘artífice de toda arte’, que é tudo o que pertence ao entendimento, assim, à sabedoria, à inteligência e ao conhecimento, pois estas pertencem ao entendimento, cujo íntimo é a sabedoria, o meio é a inteligência e o último é o conhecimento. Que ‘artífice de toda arte’ signifique estas coisas é porque elas são dotes do entendimento, e os seus dotes são significados pelas ‘artes’. Como elas são significadas pelas ‘artes’, por isso, na Palavra, onde se trata da construção do tabernáculo, como também onde se trata das vestes de Aarão, que eram de ouro, de azul, de púrpura e de escarlate duplamente tingido e de linho fino entretecido, é dito que devem ser feitos como ‘obras de artífice’, e, em outra passagem, ‘obra de invenção’ (Êx. 26:1, 31; 28:6; 39:8 e outras passagens). Pelas coisas que foram feitas por eles e que são agora mencionadas são significadas as que pertencem à sabedoria, à inteligência e ao conhecimento. Por esse motivo se diz a respeito de Bezaleel e de Oholiab, que eram artífices e as fariam, que Foram cheios de sabedoria, inteligência e conhecimento (Êx. 31:3 e seq.; 26:1, 2 e seq.). [2] Que por ‘artífice’ seja significada a inteligência oriunda do proprium vê-se em Oséias: “Fazem de sua prata imagem fundida para si, e em inteligência os seus ídolos, todos estes obra de artífices” (Os. 13:2); por ‘imagem fundida’ e por ‘ídolo’ é significado o culto segunda a doutrina que procede da própria inteligência; por ‘prata’ é significado o falso do qual procede; daí se diz que ‘em inteligência fazem ídolos para si, todos estes obra de artífices’. Semelhantemente, em Isaías: “O artífice funde a escultura, e o ourives o cobre de ouro, e faz correntes de prata; ... procura um artífice sábio” (Is. 40:19, 20); e em Jeremias: “Prata em chapas é trazida de Tharshish... ouro de Ufaz, obra de artífice e das mãos dos ourives, azul e ,,, vestes... tudo obra de sábios” (Jr. 10:3, 9); aqui e acima, como também em muitas passagens da Palavra, a própria inteligência é descrita por ‘ídolos’, ‘esculturas’ e ‘imagens fundidas’ (vide n. 587 e 827). * * * * * * * [3] Continuação O fim, as causas médias e os efeitos são também chamados fins principais, fins intermediários e fins últimos. São chamados fins porque o fim principal os produz, é tudo neles e é deles e a alma deles. O fim principal é o amor da vontade do homem, os fins intermediários são os amores subordinados, e o fim último é o amor da vontade existindo como em sua efígie. Como o fim principal é o amor da vontade, segue-se que os fins intermediários, que são os amores subordinados, são previstos, providos e produzidos por meio do entendimento, e o fim último é o uso previsto, provido e produzido pelo amor da vontade por meio do entendimento, pois tudo o que o amor produz é um uso. Essas premissas foram feitas para que se perceba o assunto referido há pouco, ou seja, que a eminência e a opulência podem ser bênçãos e, também, podem ser maldições.