. “E a voz do noivo e da noiva não mais será ouvida em ti”. Que isto signifique não haver regozijo algum pela conjunção do bem e do vero vê-se pela significação de ‘noivo’, que, no sentido supremo, é o Senhor; e pela significação de ‘noiva’, que, nesse sentido, é a igreja. E como o Senhor influi no homem pelo Divino Bem do Divino Amor, e é conjunto ao homem da igreja no Divino Vero, assim, por ‘noivo e noiva’ se entende a conjunção do Senhor com a igreja e, também, a conjunção do bem com o vero. Uma vez que todo regozijo espiritual vem dessa conjunção, segue-se que pela ‘voz do noivo e da noiva’ é significa o regozijo daí. Além disso, todo anjo tem sabedoria e inteligência, e, daí, regozijo e felicidade por essa conjunção e segundo ela. Como isto é significado pela ‘voz do noivo e da noiva’, por isso o regozijo celeste na Palavra também é descrito em outras passagens na Palavra por ‘noivo e noiva’. Como em Jeremias: “Tirarei deles a voz de regozijo e a voz de alegria, a voz do noivo e da noiva, a voz da mó e a vos da lâmpada” (Jr. 25:10); no mesmo: “Eis que Eu farei cessar deste lugar... a voz de regozijo e a voz de alegria, a voz do noivo e a voz da noiva” (Jr. 16:9); no mesmo: “Farei cessar das cidades de Judah, e das ruas de Jerusalém, a voz de regozijo e a voz de alegria, a voz do noivo e a voz da noiva” (Jr. 7:34); em Joel: “Sai o noivo de seu tálamo, e a esposa de sua câmara” (Jl. 2:16); em Jeremias: “Ainda se ouvirá neste lugar a voz de regozijo e a voz de alegria, e a voz do noivo e a voz da noiva, dos que dizem: Confessai Jehovah Zebaoth” (Jr. 33:10, 11). Nessas passagens, a ‘voz do noivo e da noiva’ significa o regozijo e a alegria pela conjunção do Senhor com a igreja e, daí, pela conjunção do bem e do vero, pois aí se trata do estado da igreja. E também se diz abertamente ‘regozijo e alegria’; ‘regozijo’ por causa do bem, e ‘alegria’ por causa do vero. [2] Semelhantemente, em Isaías: “Alegrar-me-ei em Jehovah, minha alma exultará em meu Deus;... como o noivo põe a tiara, e como a noiva se ornamenta com seus vasos” (Is. 61:10); ‘pôr a tiara’ é vestir-se de sabedoria, e ‘ornamentar-se com vasos’ é com as cognições do vero. No mesmo: “Como o regozijo do noivo por causa da noiva, regozijar-se-á por causa de ti o teu Deus” (Is. 62:5). Que pelo ‘noivo’, no sentido supremo, se entenda o Senhor e pela ‘noiva’ a igreja é evidente nos Evangelhos: Os discípulos de João perguntaram a respeito do jejum. Jesus respondeu: Enquanto o noivo estiver com eles, os filhos das núpcias não podem jejuar. “Dias virão em que será tirado deles o noivo... então jejuarão” (Mt. 9:15; Mc. 2:19, 20; Lc. 5:34, 35). Aí o Senhor Se chama ‘noivo’, e aos homens da igreja chama ‘filhos das núpcias’; por ‘jejuar’ é significado lamentar por causa da falto do vero e do bem. Em Mateus: “O reino dos céus é semelhante a dez virgens que, tomando suas lâmpadas, saíram ao encontro do noivo” (Mt. 25:1, 2 e seq.); também aí, pelo ‘noivo’ se entende o Senhor, pelas ‘virgens’ se entende a igreja, e pelas ‘lâmpadas’ são significados os veros da fé. Em João: “Quem tem a noiva é o noivo; mas o amigo do noivo, que está presente e o ouve, regozija-se com regozijo por causa da voz do noivo” (Jo. 3:29). Essas palavras João Batista disse a respeito do Senhor, que se entende pelo ‘noivo’, e a igreja pela ‘noiva’. Que a igreja se entenda pela ‘noiva’ vê-se por estas passagens no Apocalipse: “Vi a santa cidade, a Jerusalém nova... preparada como noiva ornada para o marido” (Ap. 21:2); pela ‘nova Jerusalém’ se entende a Nova Igreja. Em outra passagem: “Vem, mostrar-te-ei a noiva, a esposa do Cordeiro; ...e mostrou... a cidade... Jerusalém” (Ap. 21:9, 10); e em outra passagem: “O espírito e a noiva dizem: Vem; e quem ouve diga: Vem” (Ap. 22:17); por ‘espírito e noiva’ é significada a igreja quanto ao bem e quanto ao vero. * * * * * * * [3] Continuação Visto que no mundo cristão reina universalmente o amor de imperar e o amor das riquezas, e hoje esses amores estão tão enraizados que não se sabe jamais que eles seduzem, por isso importa ensinar quais eles são. Eles seduzem a todo homem que não foge dos males porque são pecados, pois aquele não foge assim dos males não teme a Deus, porquanto permanece natural; e como os amores próprios do homem natural são o amor de imperar e o amor da riquezas, por isso ele não vê a partir de um reconhecimento interior a qualidade desses amores que há nele. Não vê se não é reformado, e é reformado unicamente por meio de lutas contra os males. Acredita-se que é pela fé, mas a fé de Deus não existe antes. Quando o homem é assim reformado, então a luz do Senhor influi pelo céu e dá ao homem a afeição e, também, a faculdade de ver quais esses amores são, e se dominam ou servem nele, por conseguinte, se estão em primeiro lugar nele, fazendo como que a cabeça, ou se estão em segundo lugar, fazendo como que os pés. Se dominarem e estiverem no primeiro lugar, então seduzem e se tornam maldições; se, porém, servem e estão em segundo lugar, então não seduzem e se tornam bênçãos. [4] Posso asseverar que todos aqueles em que o amor de imperar está em primeiro lugar são interiormente diabos. Esse amor é reconhecido por seu prazer, pois ele excede todo prazer da vida dos homens. É exalado continuamente do inferno, e a exalação aparece como o fogo de uma grande fornalha, e incendeia os corações dos homens que não são protegidos pelo Senhor. O Senhor protege a todos os reformados. Não obstante, o Senhor os conduz, mas no inferno, e somente pelos vínculos externos, que são os temores por causa das punições da lei e por causa da perda da reputação, da honra, do ganho e das volúpias daí, como também pelas recompensas no mundo. Tampouco o Senhor pode conduzi-los para fora do inferno, porque o amor de imperar não admite os vínculos internos, que são os temores de Deus e as afeições do bem e do vero, pelos quais o Senhor conduz ao céu e no céu a todos que O seguem.