. “Porque os teus mercadores eram os grandes da terra”. Que isto signifique aqueles que estão na dominação e no seu prazer e amor, e obtiveram no mundo imensas honras e, também, as riquezas do mundo, vê-se pela significação de ‘mercadores’, que são os que adquirem para si as cognições do bem e do vero e as comunicam; e, no sentido oposto, como aqui, os que adquirem coisas tais que servem à dominação, pelas quais obtêm não somente as honras, mas, também, as riquezas do mundo (de que se tratou nos n. 840 e 1104); e pela significação de ‘grandes da terra’, que são os transferiram a si e exercem essa dominações, que é sobre a igreja e, também, sobre o céu, e mesmo sobre o próprio Senhor. São esses que se entendem este capítulo, mas não os que estão sob a dominação deles; esses, de fato, os veneram e adoram, mas fazem isso por causa da fé que incutiu a autoridade e, daí, pela obediência, e essa fé e obediência procedem da ignorância. Esses não têm parte alguma na dominação. Por isso as coisas que se dizem neste capítulo a respeito da Babilônia como meretriz não foram ditas sobre eles. * * * * * * * [2] Dir-se-á agora alguma coisa a respeito do fato de que o homem é conduzido pela Divina providência às coisas tais que não deduzem e que lhe servem para a vida eterna. Elas também se referem à eminência e a opulência. Que seja assim, pode-se ver pelas coisas que foram vistas por mim nos céus. Os céus foram distintos em sociedades, e em cada uma delas há eminentes e opulentos. Os eminentes ali estão numa glória tal, e os opulentos numa abundância tal, que a glória e a abundância do mundo mal são alguma coisa, relativamente. Mas todos os eminentes ali são sábios, e todos os opulentos ali têm conhecimento, porque a eminência ali pertence à sabedoria, e a opulência ali pertence à ciência. Essa eminência e essa opulência podem ser adquiridas no mundo tanto pelos que aí são eminentes e opulentos, quanto pelos que não o são. São adquiridas por todos aí que amam a sabedoria e o conhecimento; amar a sabedoria é amor os usos que são verdadeiros usos, e amar o conhecimento é amar as cognições do bem e do vero por causa desses usos. Quando os usos são amados acima e si e do mundo, e as cognições do bem e do vero por causa deles, então os usos estão em primeiro lugar e a eminência e a opulência em segundo. Assim é em todos os que são eminentes e opulentos nos céus; eles consideram a eminência em que estão pela sabedoria, e a opulência em que estão pelo conhecimento, exatamente como um homem considera as suas vestes.