. “Porque por tua feitiçaria foram seduzidas todas as nações.” Que isto signifique que eles, por nefandas artes e persuasões, compeliram todos os probos a crer e a fazer as coisas pelas quais tiveram a dominação e a opulência vê-se pela significação de ‘feitiçarias’, que são as artes e as persuasões (de que se tratará a seguir); pela significação de ‘nações’, que são os que estão no bem, assim os probos (de que se tratou nos n. 175, 331, 625 e 1077); e pela significação de ‘ser seduzido’, que é ser engando por elas, a saber, pelas artes e persuasões, a crer e a fazer as coisas pelas quais eles tiveram dominação e opulência. Pelas ‘feitiçarias’ são significadas quase as mesmas coisas na Palavra que pelos ‘encantamentos’, e o ‘encantamento’ significa a persuasão tal que o homem não percebe absolutamente outra coisa senão que algo é assim. Alguns espíritos têm um gênero tal de persuasão que eles tapam, por assim dizer, o entendimento dos outros e sufoca a faculdade de perceber. E como os homens probos na nação babilônica são compelidos e persuadidos a crer e a fazer o que os monges dizem, por isso se diz aqui que ‘foram seduzidos por feitiçaria’. O mesmo que é significado aqui pelas ‘feitiçarias’ é significado pelo ‘encantamento’ em Isaías 47:9, 12, onde também se trata de Babilônia, e também em Davi (Sl. 58:4, 5). O encantamento também é contado entre as artes que se aproximam de magias, proibidas aos filhos de Israel (Dt. 18:10-11).
* * * * * * *
[2] Também serão descritas a eminência e a opulência dos anjos do céu. Há nas sociedades dos céus governadores superiores e inferiores, todos sendo ordenados pelo Senhor e subordinados segundo a sabedoria e a inteligência deles. O mais elevado dentre eles, que é mais sábio do que os outros, habita no meio, num palácio tão magnifico que nenhum palácio no mundo lhe pode ser comparado. Suas características arquitetônicas são tão estupendas, que – posso dizer em verdade – não podem ser descritas quanto à centésima parte pela língua natural, pois ali a arte está em sua arte mesma. Dentro do palácio há câmaras e quartos nos quais todos os aparatos e ornamento resplandecem de ouro e de várias pedras preciosas, em formas tais que nenhum artífice no mundo pode representar pela pintura ou escultura. E, o que é admirável, cada uma das coisas, até as mais singulares delas, são para o uso. Qualquer um que entre vê para que uso elas são, e até percebe isso como pela transpiração do uso por suas imagens. Mas qualquer sábio que entre não põe os olhos por muito nas imagens, mas a mente nos usos, porque estes deleitam a sua sabedoria. Ao redor dos palácios há pórticos, há jardins paradisíacos, há palácios menores, e cada um sendo forma de sua própria beleza uma amenidade celestes. (???) Além dessas coisas magnificas há guardas, cada um deles em vestes esplendorosas, além de outras coisas. Os governadores subordinados também semelhantes coisas, que são magníficas e esplêndidas segundo o grau de sabedoria deles, e eles têm sabedoria segundo o grau do amor dos usos. Não somente eles têm tais coisas, mas também os habitantes, os quais, todos, amam os usos e os prestam por meio de várias obras.
[3] Mas são poucas as coisas que podem ser descritas; as que não podem ser descritas são inúmeras, e, porque são espirituais em sua origem, não caem nas ideias do homem natural e, por conseguinte, tampouco nas palavras de sua língua, exceto nestas, que a sabedoria edifica para si um habitáculo e se conforma a ele, e, então, compõe e faz tudo o que se encerra intimamente em algum conhecimento e alguma arte. Essas coisas foram agora escritas para que se saiba que a eminência ali é a sabedoria, e opulência ali é o conhecimento, e tais são as coisas para as quais o homem é conduzido pelo Senhor por Sua Divina providência.
* * * * * * *
[DOWNLOAD]
[VERSAO IMPRESSA]
Para estudo mais confortavel, adquira esta obra em formato impresso.