. “E de todos os mortos sobre a terra.” Que isto signifique daí todos os falsos e males, pelos quais os que são da igreja pereceram, vê-se pela significação de ‘mortos’, que são os que pereceram pelos falsos e males (de que se tratou nos n. 315 e 366); e que ‘matar’ seja privá-los de seus veros e bens por meio de falsos e males (n. 547, 572 e 589); e pela significação de ‘terra’, que é a igreja (da qual se tratou muitas vezes). Assim, pelo ‘sangue de todos os mortos sobre a terra’ é significada a violência feita a todo vero e bem pelos falsos e males, pelos quais pereceram os que são da igreja. * * * * * * * Continuação [Dos Usos] Como o homem foi criado para prestar usos, e isto é amar o próximo, por isso todos, quaisquer que sejam, que vêm ao céu, devem prestar usos. Segundo os usos e o segundo o amor deles é que eles têm todo prazer e bem-aventurança. O regozijo celeste não vem de outra origem. Quem crer que isto é possível no ócio está muito enganado. De fato, nem no inferno se tolera ócio algum. Os que estão ali se acham em cárceres e sob um juiz que impõe aos cativos as obras que eles devem fazer diariamente; aos que não fazem não se dão comida nem vestimentas; ficam famintos e nus e, assim, são ali compelidos [ao trabalho]. A diferença é que no inferno fazem-se usos pelo temor, mas, no céu, pelo amor; e o temor não dá regozijo, mas, sim, o amor. É, no entanto, concedido intercalar as obras com várias ocupações, na companhia dos outros, e estas são as recreações, assim, também usos. Foi-me concedido ver muitas coisas no céu, muitas no mundo e muitas no corpo humano, e ao mesmo tempo observar os usos delas. E foi relevado que cada uma das coisas neles [a saber, no céu, no mundo e no corpo humano] tanto grande quanto pequena, foi criada pelo uso, no uso e para o uso. E uma parte em que o último, que é para o usos, cessa, é separada como nociva e expulsa, como se fosse condenada. Fim do Capítulo 18