. (Vers. 2) “Porque verdadeiros e justos são os Seus juízos”. Que isto signifique que as leis da Divina providência e todas as obras do Senhor são da Divina Sabedoria e do Divino Amor vê-se pela significação de ‘verdadeiros e justos’, quando se trata do Senhor, que são as coisas que são de Sua Divina Sabedoria e, ao mesmo tempo, as que são de Seu Divino Amor (de que se tratará a seguir); e pela significação de ‘juízos’, quando se trata do Senhor, que são as leis de Sua Divina providência (de que se tratou no n. 946); daí, pelos ‘juízos’ são significadas também as obras, porque todas as obras são do Senhor vem de Sua Divina providência e segundo as suas leis. A razão disso é que todas as coisas que o Senhor opera visam o eterno, e as que visam o eternam são de Sua Divina providência. Que ‘verdadeiros’ signifiquem as coisas que são de Sua Divina Sabedoria, e ‘justos’ as que são de Seu Divino Amor é porque do Senhor como Sol procede a luz e procede o calor; a luz é a Sua Divina Sabedoria, e o calor é seu Divino Amor; por isso, pela ‘luz’ é significado o Divino Vero, do qual os anjos e os homens têm toda inteligência e sabedoria, e pelo ‘calor’ é significado o Divino Bem, do qual os anjos e os homens têm todo amor e caridade; essa luz e esse calor são essas coisas em sua essência. * * * * * * * [2] Continuação Ninguém pode conhecer a qualidade da vida das bestas da terra, das aves do céu e dos peixes do mar se não souber o que é a alma deles e qual ela é. Sabe-se que cada animal tem uma alma, pois eles vivem, e a vida é a alma; por isso também são chamados ‘almas viventes’ na Palavra. Que a alma em sua última forma, que é a corpórea, como aparece à vista, seja animal, não se pode conhecer melhor de outra parte do que no mundo espiritual, pois nele, assim como no mundo natural, se veem bestas de todo gênero, aves de todo gênero e peixes de todo gênero, numa forma tão semelhante que não se pode distingui-los dos que estão em nosso mundo. A diferença, porém, é que no mundo espiritual eles existem aparentemente a partir das afeições dos anjos e dos espíritos, de modo que são aparências das afeições; por isso, também, ele desaparecem assim que o anjo ou espírito se vai ou sua afeição cessa. Daí é evidente que a alma deles não vem de outra parte, e, consequentemente, que existem tantos gêneros e espécies de animais quantos são os gêneros e as espécies de afeições. Que as afeições que no mundo são representados pelos animais não sejam afeições interiores espirituais, mas exteriores espirituais, que se chamam naturais, ver-se-á na sequência. Ver-se-á também que na besta não existe um pelo ou fio de lã alguma, nem na ave existe um filamento de pena e pluma, nem no peixe do mar existe uma parte de esquema ou barbatana que não venha da alma deles, por conseguinte, que não venho do espiritual revestido do natural. Mas dir-se-á primeiramente alguma coisa a respeito dos animais que aparecem no céu, dos que aparecem no inferno e dos que aparecem no mundo dos espíritos, que está no meio, entre o céu e o inferno.