. “Pois julgou a grande meretriz”. Que isto signifique o juízo sobre aqueles que transferiram para si mesmos a dominação sobre a igreja e sobre o céu vê-se pela significação de ‘julgar’, que é o juízo final que foi feito sobre aqueles que se entendem pela ‘Babilônia’ ou meretriz, que são os que falsificaram todos os veros e bens da Palavra pela dominação transferida a si mesmos sobre a igreja e sobre o céu. Por isso se segue: ‘que corrompeu a terra com sua escortação’, pelo que é significado que todos os veros da igreja foram falsificados e todos os seus bens foram adulterados por eles. Mas pela ‘Babilônia’ como meretriz não se entendem outros senão aqueles que exercem essa dominação e por causa dela falsificam e adulteram todas as coisas da Palavra e desprezam a Palavra mesma. * * * * * * * [2] Continuação Como todo o céu foi distinto em sociedades, assim também todo o inferno e, também, todo o mundo dos espíritos; e as sociedades foram ordenadas segundo os gêneros e as espécies de afeições. E como os animais ali são aparências de afeições, como foi dito, por isso um gênero de animal, com as suas espécies, aparece numa sociedade e outro, em outra, e todos os gêneros de animais com suas espécies nas sociedades tomadas juntamente. Nas sociedades do céu aparecem animais mansos e limpos; nas sociedades dos infernos, as bestas ferozes e imundas; e no mundo dos espíritos, as bestas intermediárias. Eu as vi muitas vezes, e pela visão delas foi-me dado conhecer quais eram os anjos ou espíritos que estavam ali. Todos ali são conhecidos pelas aparências que há mais perto e ao redor deles, e as suas afeições são conhecidas por várias coisas e, também, pelos animais. [3] Nos céus eu vi cordeiros, ovelhas e cabras numa tal semelhança com os cordeiros, as ovelhas e as cabras no mundo que em nada absolutamente diferiam. Também vi nos céus rolinhas, pombas e aves do paraíso, além de muitas outras, belas em forma e cor; também vi peixes nas águas, mas estes nos céus mais baixos. Nos infernos, porém, vi cães, lobos, tigres, porcos e ratos, e muitos outros gêneros de bestas ferozes e imundas, além de serpentes venenosas de muitas espécies, como também corvos, corujas e mochos. No mundo dos espíritos, porém, vi camelos, elefantes, cavalos, asnos, bois, cervos, leões, leopardos, ursos, além de águias, gaviões, pegas, pavões e codornizes. Vi, ainda, animais compósitos, como os que foram vistos pelos profetas e descritos na Palavra (como em Ap. 13:2 e outras passagens). [4] Como a semelhança entre os animais que aparecem naquele mundo e os animais neste mundo é tal que eles não podem ser diferenciados, e os primeiros derivam sua existência das afeições dos anjos do céu e das cobiças dos espíritos do inferno, seque-se que as afeições naturais e as cobiças são as almas deles, e que elas, revestidas de um corpo, são, em imagem, animais. Qual afeição ou cobiça, porém, é a alma deste ou daquele animal, seja besta ou fera da terra, seja ave do dia ou da noite, seja peixe de água limpa ou de fétida, não é aqui o lugar de se expor. Eles são nomeados em muitas passagens na Palavra, e ali têm significação segundo as suas almas. O que sigam os cordeiros, as ovelhas, as cabras, os carneiros, cabritos, bodes, bezerros, bois, camelos, cavalos, asnos e cervos, como também os pássaros, vê-se revelado nos Arcanos Celestes.