. “E vingou o sangue dos seus servos da mão dela”. Que isto signifique o livramento daqueles que estão nos Divinos veros do Senhor, pela expulsão dos babilônicos, vê-se pela significação de ‘vingar de sua mão’, que é livrar daqueles que se entendem pela ‘Babilônia’ como meretriz; e pela significação de ‘sangue dos servos’, que é a violência feita àqueles que estão nos veros do Senhor; ‘sangue’ é a violência feita, e ‘servos’ são os que estão nos veros do Senhor. Que esses sejam chamados ‘servos’ vê-se acima (n. 6 e 409). * * * * * * * [2] Continuação A diferença entre os homens e as bestas é como entre a vigília e o sono, e como entre a luz e a sombra. O homem é espiritual e ao mesmo tempo natural, ao passo que a besta não é espiritual, mas natural. O homem tem vontade e entendimento, e a sua vontade é o receptáculo do calor do céu, que é o amor, e o entendimento é o receptáculo da luz do céu, que é a sabedoria, ao passo que a besta não tem vontade nem entendimento, mas, em lugar da vontade, tem afeição, e em lugar do entendimento, tem conhecimento. [3] A vontade e o entendimento no homem podem agir como um só e também podem agir não como um só, pois o homem pode pensar pelo entendimento o que não é de sua vontade, porque pode pensar o que não quer e também vice-versa. Na besta, porém, a afeição e o conhecimento fazem um só, e não podem ser separados, pois ela sabe o que é de sua afeição, e tem afeição do que é de seu conhecimento. Uma vez que essas duas faculdades, que se chamam conhecimento e afeição, não podem ser separadas na besta, por isso a besta não pôde destruir a ordem de sua vida, e daí é que ela nasce em todo conhecimento de sua afeição. É diferente com o homem. As suas duas faculdades da vida, que se chamam vontade e entendimento, podem ser separadas, como foi dito; por isso ele pôde destruir a ordem de sua vida, pensando contra a vontade e querendo contra o entendimento, e por esse modo a destruiu de fato. Daí é que o homem nasce em mera ignorância, para que dela seja introduzido na ordem pelos conhecimentos por meio do entendimento. [4] A ordem em que o homem foi criado é amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Mas o estado em que o homem chegou após ter destruído essa ordem é o de amar a si mesmo acima de todas as coisas e ao mundo como a si mesmo. Como o homem tem uma mente espiritual, e esta está acima de sua mente natural, e a sua mente espiritual pode visar coisas tais as que pertencem ao céu e à igreja – como também às que são da cidadania quanto aos costumes e quanto às leis, e essas se referem aos veros e bens, que são chamados espirituais, morais e civis, além das naturais das ciências, e às que são opostas a elas, que são os falsos e males – por isso o homem pode não somente pensar analiticamente e concluir sobre o assunto, mas, também, receber o influxo do Senhor por meio do céu e se tornar inteligente e sábio. Isto nenhuma besta pode. O que ela sabe não vem de algum entendimento, mas do conhecimento da afeição, a qual é a sua alma. O conhecimento da afeição existe em todo espiritual, porque o espiritual procedente do Senhor como Sol é a luz unida ao calor, ou a sabedoria unida ao amor, e o conhecimento pertence à sabedoria e a afeição pertence ao amor, no grau que se chama natural. [5] Uma vez que o homem tem uma mente espiritual e, ao mesmo tempo, uma mente natural, e a sua mente espiritual está acima de sua mente natural, e a mente espiritual é tal que pode visar e amar os veros e bens em todo grau, conjuntamente à mente natural e abstratamente dela, segue-se que os interiores do homem, que pertencem às suas duas mentes, podem ser elevados ao Senhor pelo Senhor e ser conjuntos a Ele. Daí pé que todo homem vive eternamente. Não é assim com a besta; ela não goza de mente espiritual alguma, mas só da natural. Por isso os seus interiores, que são somente do conhecimento e da afeição, não podem ser elevados pelo Senhor e conjuntos a Ele, pelo que ela não vive após a morte. [6] A besta é conduzida, de fato, por certo influxo espiritual que cai em sua alma. Como, porém, seu espiritual não pode ser elevado, este não pode deixar de ser determinado para baixo e visar as coisas que são de sua afeição, as quais se referem às coisas que pertencem à nutrição, à habitação e à propagação, e, pelo conhecimento de sua afeição, conhece-las por meio da visão, do olfato e do paladar. Uma vez que o homem, por sua mente espiritual, pode pensar racionalmente, por isso também pode falar, pois a fala pertence ao pensamento oriundo do entendimento, que pode ver os veros na luz espiritual. A besta, porém, que não tem pensamento algum oriundo do entendimento, mas somente o conhecimento da afeição, não pode senão somente emitir sons, e variar o som de sua afeição segundo o apetite.