AE 1206

Apocalipse Explicado
Emanuel Swedenborg
Explicatione super Apocalypsin — Interpretacao Espiritual do Livro da Revelacao

. (Vers. 4) “E os vinte e quatro anciãos e os quatro animais se prostraram”. Que isto signifique a humilhação de coração dos anjos dos céus superiores vê-se pela significação de ‘prostrar-se’, que é a humilhação de coração (de que se tratará a seguir); e pela significação de ‘vinte e quatro anciãos’ e ‘quatro animais’, que são os céus superiores e os anjos ali (de que se tratou nos n. 313, 322, 362 e 462). Que ‘prostrar-se’ seja a humilhação de coração é porque a prostração sobre os joelhos e sobre a face é um gesto que corresponde à humilhação íntima, que se chama humilhação de coração. Com efeito, de criação há gestos que correspondem a cada afeição; neles o homem se põe espontaneamente quando está na afeição, mas isto no caso do homem que não aprendeu a fingir outras afeições; o que aprendeu, porém, tira de si gestos pelos quais exibe as afeições do coração, ainda que não sejam absolutamente do coração. Esse também pode se prostrar diante de Deus, e então não pode deixar de fingir. Essas coisas foram ditas para que se saiba que prostrar-se diante de Deus vem da afeição íntima que se chama humilhação de coração; ela precede a adoração que se faz com a boca.
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[2] Continuação
(1.) Que nada na natureza exista e subsista senão do espiritual e pelo espiritual é porque nada pode existir senão por algum outro, assim, finalmente por Aquele que em Si é e existe. Esse é Deus; por isso também Deus é chamado Ser e Existir; ‘Jah’, por causa do Ser, e ‘Jehovah’ por causa do Ser e Existir em Si. Que nada na natureza exista senão do espiritual é porque nada pode existir se não tiver uma alma. Tudo aquilo que se chama alma é a essência; o que, portanto, não tem essência em si, não existe, pois é um não ser, porque não há ser de que proceda. Assim é com a natureza: sua essência, pela qual existe, é espiritual, porque tem em si o Divino Ser e, também a força Divina de agir, criar e formar, como se verá pela sequência. Essa essência pode ser chamada ‘alma’. Como todo espiritual vive, e o vivo, quando age no não vivo, como no natural, faz com que viva, ou como se viesse, ou tira algo da aparência do que é vivo, isto nos vegetais e aquilo nos animais.
[3] Que nada na natureza existe senão do espiritual é porque não existe efeito sem causa. Tudo o que existe no efeito vem de uma causa. O que não vem de uma causa é separado. Assim é com a natureza; cada uma de suas coisas, até as mais singulares, são efeitos da causa, que é anterior, interior e superior ao efeito, e, também, vem imediatamente de Deus. Porque há um mundo espiritual, e esse mundo é anterior, interior e superior ao mundo natural; por isso tudo do mundo espiritual é causa, e todo do mundo natural é efeito. De fato, um existe a partir do outro, progressivamente, mesmo no mundo natural, mas isto pelas causas do mundo espiritual, pois onde houver a causa do efeito, aí haverá também a causa do efeito eficiente, uma vez que todo efeito se torna uma causa eficiente em ordem, até à última, onde a força efetiva subsiste. Mas isto se faz continuamente pelo espiritual, no qual somente está essa força. É por isso, então, que nada na natureza existe senão do espiritual e por este.
[4] Há duas causas médias na natureza pelas quais se faz todo efeito, ou a produção e a formação aí. As causas medidas são a luz e o calor. A luz modifica as substâncias, o calor as opera. Ambos vêm da presença do sol neles. A presença do sol que aparece como luz faz a atividade das forças ou das substâncias de cada indivíduo segundo a forma, na qual está pela criação. Isto é a modificação. Mas a presença do sol que é percebida como calor expande os indivíduos e a produz a força de agir e de efetuar, segundo a forma deles, atuando no esforço em que estão pela criação. O esforço, que pelo calor se torna a força agente até nos mínimos da natureza, vem do agente espiritual nuns e noutros.

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