. “E vós que O temeis”. Que isto signifique o culto ao Senhor por aqueles que estão no bem do amor vê-se pela significação de ‘temor de Deus’, que é o culto pelo bem do amor (de que se tratou nos n. 696, 942 e 1150). * * * * * * * [2] Continuação Dir-se-á agora alguma coisa a respeito dos vegetais no céu; acima foi dito a respeito dos animais ali. Nos céus, assim como nas terras, há vegetais de todo gênero e de toda espécie. De fato, nos céus há vegetais que não há nas terras, pois são compósitos de gêneros e espécies, também com variedade infinita. Derivam isto de sua origem, de que se tratará abaixo. Mas os gêneros e as espécies de vegetais são diferentes nos céus, assim como os gêneros e as espécies dos animais ali, de que se tratou acima. [3] Ali, segundo os graus de luz e de calor, aparecem jardins paradisíacos, bosques, campos e campinas, e, neles, pomares, jardins de flores e relvados. No céu íntimo ou terceiro há principalmente pomares cujos frutos destilam óleos; há jardins de flores dos quais se espalham odores perfumados e cujas sementes são de sabores doces pela fragrância e pelo óleo; há relvados que exalam perfumes pelas mesmas coisas. No céu médio ou segundo há pomares cujos frutos destilam vinhos; há jardins de flores de que exalam odores amenos e cujas sementes são de sabores delicados; os relvados, semelhantemente. No céu mais baixo ou primeiro existem coisas semelhantes ás do céu íntimo e médio, com diferença de prazeres e de amenidades, segundo os graus. [4] Também há no céu íntimo frutos e sementes de ouro puro, no céu médio, de prata, e no céu mais baixo, de cobre; e também há flores de pedras preciosas e de cristais. Todas essas coisas são germinações das terras ali. Ali há terras como as que existem entre nós, mas nada nasce ali de semente semeada, mas de semente criada, e a criação é instantânea, sendo a duração às vezes por muito tempo, às vezes momentânea, porque existem pelas forças da luz e do calor do Sol do céu, que é o Senhor, sem as forças secundárias e auxiliares pela luz e pelo calor do sol do mundo. Daí é que as matérias nas terras de nosso planeta são fixas e as germinações, constantes, mas as matérias ou substâncias nas terras que há nos céus não são fixas e, daí, tampouco as germinações delas são constantes. Ali, todas as coisas espirituais são, em aparência, naturais, diferentemente nas terras sujeitas ao sol do mundo. Essas coisas foram citadas para que se confirme que todo espiritual, seja no céu, seja no mundo, tem em si essas três forças, que são a força de agir, a força de criar e a força de formar, e essas forças avançam continuamente para seu último, onde terminam e subsistem, e isto não somente em seus primeiros, mas também em seus últimos. Daí é que nos céus existem igualmente terras, pois as terras ali são essas forças nos últimos. A diferença é que as terras ali são espirituais por origem, e as terras aqui são naturais; e as produções de nossas terras se fazem do espiritual, por meio da natureza, mas, naquelas terras, sem a natureza.