. (Vers. 6) “E ouvi como uma voz de grande multidão”. Que isto signifique a glorificação do Senhor por todos os estão nos céus, por causa da rejeição dos maus e, daí, do livramento dos bons, vê-se pela significação de ‘voz’, que é a glorificação do Senhor, pois a voz foi ‘Aleluia, porque o Senhor Deus Todo-poderoso reina’, como é evidente pelo final desse versículo. Que seja por causa da rejeição dos maus e, daí, do livramento dos bons, segue-se das coisa precedentes e seguintes neste capítulo e nos restantes, porque se entende a glorificação do Senhor por causa do juízo final, pelo qual os bons foram libertos dos maus, pois então os maus foram rejeitados ao inferno e, por esse modo, os bons foram libertos deles; e pela significação de ‘grande multidão’, que é todos os que estão nos céus, que se chamam ‘multidão’ por causa do som de todos ao mesmo tempo. A linguagem simultânea de muitos é ouvida como ‘voz de grande multidão’ * * * * * * * [2] Continuação (7.) Que essa origem esteja no uso é porque as afeições se referem ao uso. O uso é o sujeito de toda afeição, pois o homem não pode ter afeição que não seja por alguma coisa, e essa coisa é o uso. Ora, visto que toda afeição supõe um uso, e a alma vegetativa, por sua origem espiritual, é a afeição, como foi dito, por isso, ela também é um uso. Por essa causa é que em todo vegetal tem si um uso, uso espiritual no mundo espiritual e uso espiritual e também natural no mundo natural; o uso espiritual é para os vários estados da mente, e o natural para os vários estados do corpo. É sabido que as mentes se confortam, se recreiam e se animam, ou, ao contrário, são levadas a sonolência, tristezas e desmaios por odores e sabores de diversos vegetais. E também se sabe que os corpos são curados pelos vegetais e as várias soluções, solventes e remédios feitos com eles e, ao contrário, são lesados pelos venenos feitos a partir deles. [3] Nos céus, o uso espiritual externo decorrente deles é a recreação das mentes, e o interno é a representação dos Divinos neles e, assim, também a elevação da mente, pois os anjos mais sábios veem nelas a qualidade das afeições em série. As variedades das flores em sua ordem e, ao mesmo tempo, as nuances das cores e dos odores manifestam as afeições e o está encerrado interiormente nelas, porque toda afeição última, que é chamada natural, embora seja espiritual, deriva sua qualidade de uma afeição interior, que pertence à inteligência e à sabedoria, e estas derivam sua qualidade do uso e de seu amor. Em suma, nada floresce do humo nos céus senão o uso, porque o uso é a alma vegetativa. [4] Como o uso é a alma vegetativa, por isso nos lugares que ali são chamados desertos, onde estão aqueles que no mundo tinham rejeitado as obras de caridade, que são os usos mesmos, não aparece relva ou erva alguma, mas somente cascalho e areia. Pelos usos, que somente florescem nos céus, se entende todo bem no ato, que vem do Senhor por amor a Ele e pelo amor para com o próximo. Todo vegetal ali representa uma forma de uso, e tudo o que aparece nele, do seu primeiro até seu último e do seu último até seu primeiro, ou, da semente até a flor e da flor até a semente, apresenta a progressão e a extensão da afeição e, ao mesmo tempo, de seu uso, de fim a fim. Os peritos nas artes botânica, química, médica e farmacêutica entram na ciência dos usos espirituais pelos vegetais ali, após a mente, e também a exercem e se deleitam imensamente bela. Falei com eles e deles ouvi coisas maravilhosas.