. “Dizendo: Aleluia! Porque o Senhor Deus Todo-poderoso reina.” Que isto signifique o regozijo e a alegria porque agora o Senhor tem o reino nas terras como nos céus vê-se pela significação de ‘aleluia’, que é um vocábulo de glorificação do Senhor pelo regozijo de coração (de que se tratou nos n. 1197 e 1203); diz-se ‘regozijo e alegria’ porque na Palavra ‘regozijo’ se diz do bem, e ‘alegria’, do vero, e aqui os anjos, tanto os que estavam nos veros quando os que estavam nos bens, disseram ‘aleluia’); e pela significação de ‘porque o Senhor Deus Todo-poderoso reina’, ou seja, que Ele tem o reino nas terras como nos céus, pelo que se entende que, depois que os bons foram separados dos maus e o maus foram lançados no inferno, então todos os bons entraram num estado melhor de receber o vero e o bem do Senhor, estado em que não estiveram anteriormente; porque, enquanto estavam em conexão com os maus, se recebessem os bens e veros, eles os teriam contaminado e pervertido. Esta é, também, a razão por que os veros interiores não foram revelados nas terras antes de essa separação ter sido feito pelo juízo final. [2] Isto também se entende por: “Venha o Teu reino... nas terras como nos céus” (Mt. 6:10), na oração dominical. O reino do Senhor também existiu antes do juízo final, pois o sempre governa o céu e a terra, mas o estado do reino do Senhor depois do juízo final tornou-se diferente do que fora antes do juízo, porque, depois deste, a recepção do Divino Vero e Bem é mais universal, mais interior, mais fácil e mais distinta. Diz-se ‘Senhor Deus Todo-poderoso’, e o Senhor é chamado ‘Senhor’ por causa do bem, ‘Deus’ por causa do vero, e ‘Todo-poderoso’ por causa da separação dos bons de entre os maus pelo juízo final, e também pela autoridade de salvar aqueles que O recebem. * * * * * * * [3] Continuação Mas, de que maneira o Senhor pode estar presente em todos os que estão no céu e em toda as terras do mundo, e também saber todas as coisas, e até as mais singulares neles, no presente e no futuro, é o que não se pode compreender senão pelo que se segue: (1.) No mundo natural há espaços e tempos, mas no mundo espiritual estes são aparências. (2.) Os espaços e tempos devem ser removidos das ideias para se compreender a onipresença do Senhor em todos e cada um, e a onisciência das coisas presentes e futuras neles. (3.) Todos os anjos do céu, e todos os homens da terra que constituem a igreja, são como um só Homem, e o Senhor é a vida desse Homem. (4.) Consequentemente, como a vida está em cada uma das coisas e nas mais singulares do homem, e conhece todos os estados delas, assim o Senhor está em cada uma das coisas e nas mais singulares dos anjos do céu e dos homens da igreja. (5.) O Senhor também está presente naqueles que estão fora do céu e fora da igreja, a saber, os que estão no inferno ou irão para o inferno, e conhece todos os estados deles, pela faculdade intelectual que cada homem tem e pelo oposto. (6.) Pela onipresença e onisciência do Senhor assim percebidas, entra no entendimento de que maneira o Senhor está em tudo e em todos do céu e da igreja, e nós estamos no Senhor e ele em nós. (7.) A onipresença e a onisciência do Senhor também podem ser compreendidas pela criação do universo, pois este foi criado por Ele de tal modo que Ele está nos primeiros e nos últimos, e no centro ao mesmo tempo que nas periferias, e é nos usos que Ele está. (8.) Como o Senhor tem o Divino Amor e a Divina Sabedoria, por isso Ele tem por um e outra a Divina onipresença e a Divina onisciência, mas a onipresença vem principalmente do Divino Amor, e a onisciência vem principalmente da Divina Sabedoria.