. (Vers. 7) “Regozijemo-nos e exultemos, e demos-Lhe glória”. Que isto signifique a manifestação de regozijo pela afeição do vero e pela afeição do bem vê-se pela significação de ‘regozijar’, que aqui é o regozijo pela afeição do vero; pela significação de ‘exultar’, que aqui é o regozijo pela afeição do bem, pois exultar pertence ao coração, assim, ao bem do amor; e pela significação de ‘dar glória’, que é reconhecer, confessar e adorar o Senhor (de que se tratou no n. 678). Estas coisas também se entendem por ‘glorificar’. Que seja o regozijo pela afeição do vero e pela afeição do bem que é significada por ‘regozijar’ e ‘exultar’ é porque todo regozijo é da afeição. O homem tem regozijo somente pelas coisas pelas quais tem afeição, ou que ama. Há duas origens universais de todos os regozijos espirituais: uma vem da afeição ou amor do vero, e a outra vem da afeição ou amor do bem. O regozijo da afeição do bem é propriamente da vontade e dos feitos daí, e o regozijo da afeição do vero é propriamente do entendimento e da linguagem daí. Uma vez que no versículo precedente se tratou daqueles que estão nos veros e daqueles que estão nos bens, e, também, da glorificação do Senhor por eles, por isso o regozijo de todos eles e a glorificação por eles se manifestam por estas palavras: ‘Regozijemo-nos e exultemos, e demos-Lhe glória”. * * * * * * * [2] Continuação (1.) Que no mundo natural haja espaços e tempos, e que no mundo espiritual estes sejam aparências é porque todas as coisas que aparecem no mundo espiritual vêm imediatamente do Sol do céu, que é o Divino Amor do Senhor, enquanto todas as coisas que aparecem no mundo natural vêm da mesma origem, mas por intermédio do sol do mundo que é puro fogo. O puro amor, do qual existem imediatamente todas as coisas que que há no mundo espiritual, é imaterial; daí é que todas as coisas que existem no mundo espiritual são espirituais por sua origem, e todas as coisas que existem no mundo natural são materiais por sua origem secundária. E as coisas materiais são em si fixas, regulares [stata] e mensuráveis; fixas, porque permanecem, por mais que os estados dos homens se mudem, como as terras, as montanhas e os mares; regulares, porque recorrem constantemente por sucessões, como os tempos, as gerações e as germinações; e mensuráveis porque todas as coisas podem ser definidas, como os espaços por milhas e estádios, e estes por passos e braças; e os tempos, por dias, semanas, meses e anos. No mundo espiritual, porém, todas as coisas são como se fossem fixas, como se fossem regulares e como se fossem mensuráveis, mas não o são em si, porque elas existem segundo o estado dos anjos, e permanecem segundo estes, de modo que elas e os estados deles fazem um só. Mas isto ocorre principalmente no mundo dos espíritos, ao qual todo homem vem após a morte, e não tanto no céu e no inferno. Que isto ocorra no mundo dos espíritos é porque todo homem ali passa por mudanças de estados e é preparado ou para o céu ou para o inferno. [3] Contudo, os espíritos não refletem sobre essas mudanças e variações, porque são espirituais e, assim, estão na ideia do espiritual, com a qual todas e cada uma das coisas que eles percebem pelo sentido fazem um só. E é, também, porque foram separados da natureza e, não obstante, ali eles veem coisas inteiramente semelhantes às que tinham visto no mundo, como as terras, os montes, os vales, as águas, os jardins, as florestas, os vegetais, os palácios, as casas, as vestes com se vestem, as comidas de que se nutrem, além de animais, e veem a si mesmos como homens. Eles veem todas essas coisas numa luz mais clara do que aquele em que tinham visto as semelhantes no mundo, e também as sentes por um tanto mais aguçado do que no mundo. Assim, após a morte o homem ignora completamente que se despiu de seu material e emigrou do mundo de seu corpo ao mundo de seu espírito. Ouvi muitos dizerem que não tinham morrido, e não podiam entender de que maneira algo de seu corpo poderia ter sido rejeitado no sepulcro, e isto porque ali todas as coisas são semelhantes. Ele ignoram que as coisas que veem e sentem ali não são materiais, mas substanciais de origem espiritual e, no entanto, são reais, porque vêm da mesma origem que todas as coisas do mundo, com a única diferença que, por meio do sol do mundo, um acessório, como um revestimento externo, é dado às coisas que há no mundo natural, pelo qual elas se tornam materiais, fixas, regulares e mensuráveis. Mas posso asseverar que as coisas que existem no mundo espiritual são mais reais do que as que existem no mundo natural, pois o elemento morto, que o espiritual acrescenta à natureza, não faz o real, mas o diminui. Que diminua, vê-se claramente pelo estado dos anjos do céu comparado ao estado dos homens da terra, e por todas as coisas que há no céu comparadas a todas que há no mundo.