. (Vers. 8) “E foi lhe dado vestir-se de linho fino, limpo e resplandecente”. Que isto signifique que essa igreja seria instruída nos veros da Palavra pelo Senhor vê-se pela significação de ‘vestir-se’, que é ser instruído nos veros, porque pelas ‘vestes’ na Palavra são significados os veros que revestem os bens; assim, por ‘vestir-se’ é significado ser instruído neles; (que as ‘vestes’ e ‘vestir-se’ signifique os veros vide nos n. 64, 65, 195, 271, 395, 951); e pela significação de ‘linho’ ou ‘linho fino’, que é o vero de origem celeste (de se tratou no n. 1143). Mas, como o vero dessa origem é o Vero Divino, e todo Vero Divino vem do Senhor, e Ele é a Palavra, por isso pelo ‘linho’ e pelo ‘linho fino’ é significado o vero da Palavra. Esse vero é chamado ‘limpo’ por causa do bem celeste, e ‘resplandecente’ por causa do bem espiritual. Todo vero vem do bem, e há dois bens universais de que vêm todos os veros, a saber, o bem celeste, que é o bem do amor ao Senhor, e o bem espiritual, que é o bem do amor para com o próximo; o vero deste bem citado por último se entende pelo ‘linho fino resplandecente, enquanto o vero do bem citado anteriormente se entende pelo ‘linho fino limpo’, ambos oriundos da Palavra, porque a Palavra, em cada de umas coisas, é tal que o vero do bem celeste é conjunto ao vero do bem espiritual e, interiormente nos veros, o bem celeste é conjunção ao bem espiritual. * * * * * * * [2] (3.) Que todos os anjos do céu, e todos os homens da terra que constituem a igreja, sejam como um só Homem, e que o Senhor seja a vida desse Homem. Verás isto confirmado na obra O Céu e o Inferno, em um artigo, que o todo o céu em conjunto se refere a um Homem (n. 59-67); num segundo, que cada sociedade nos céus se refere a um Homem (n. 68-72); num terceiro, que cada, daí, cada anjo está numa perfeita forma humana (n. 73-77); e num quarto: que o céu, no todo e na parte, se refira a um Homem, que procede do Divino Humano do Senhor (n. 78-86); e, também, que há correspondência de tudo do céu com tudo do homem (n. 87-201); e que o mesmo se pode dizer da igreja do Senhor nas terras (n. 57). [3] Que também a igreja nas terras seja como um só homem diante do Senhor, eu não vi, mas ouvi; e, além disso, que ela também foi distinta em sociedades e cada uma das sociedades é um homem; e ainda, que todos os que estão nesse homem estão no céu, mas os que estão fora dele estão no inferno. A razão disso também foi dita, ou seja, que todo homem da igreja é também um anjo do céu, pois se torna anjo após a morte. Além disso, a igreja nas terras, juntamente com os anjos, não somente faz os interiores desse homem, mas, também, os exteriores, que se chamam cartilagens e ossos. A igreja faz isto porque os homens da terra foram dotados do corpo, no qual o espiritual último se reveste do natural. Isto faz a conjunção do céu com a igreja e da igreja com o céu. [4] Pela razão. A única razão pela qual o céu e a igreja são um homem num conjunto [concreto] ou complexo máximo, maior e menor é porque Deus é Homem, e, daí, o Divino procedente, que é o Divino oriundo d’Ele, é semelhante em todo mínimo e máximo, que é o homem. Porque, como foi dito acima, o Divino não está no espaço e na extensão, mas faz com os espaços e as extensões existam nos últimos de Sua criação, aparentemente nos céus e realmente no mundo. No entanto, os espaços e as extensões não são, diante de Deus, espaços e extensões, pois em Seu Divino Ele está em toda parte. Isto se vê claramente pelo fato de que todo o céu angélico com a igreja sejam, diante do Senhor, como um único Homem, do mesmo modo que uma sociedade que consiste de milhares de anjos, ainda que as habitações deles apareçam extensas por muitos espaços. E é evidente, também, pelo fato de que todo o céu, bem como uma sociedade inteira no céu, pode, por beneplácito do Senhor, aparecer como um homem grande ou pequeno, como um gigante ou como uma criança, e, no entanto, não os anjos que aparecem assim, mas o Divino neles, porque os anjos são apenas recipientes do Divino oriundo do Senhor, e o Divino neles faz o angélico e, daí, o céu. Como os anjos são apenas recipientes, e o Divino neles faz o angélico e o céu, vê-se que o Senhor é a Vida desse homem, isto é, do céu e da igreja.