. “Porque o linho fino são as justiças dos santos”. Que isto signifique que pelos veros da Palavra os que creem no Senhor têm os bens da vida vê-se pela significação de ‘linho fino’, que são os veros da Palavra (de que se tratou logo acima, n. 1222); pela significação de ‘justiças’, que são os bens do amor e, daí, os bens da vida (de se tratou nos n. 204 e 1199); e pela significação de ‘santos’, que estão os estão nos veros do bem oriundo do Senhor (de que se tratou nos n. 204, 325 e 973), assim, também os que creem no Senhor. * * * * * * * [2] Continuação (4.) Consequentemente, como a vida está em cada uma das coisas e nas mais singulares do homem, e conhece todos os estados delas, assim o Senhor está em cada uma das coisas e nas mais singulares dos anjos do céu e dos homens da igreja. Que a vida esteja em cada uma das coisas e nas mais singulares do homem é porque as coisas tão variadas e diversas no homem, as quais se chamam membros, órgãos e vísceras, fazem de tal maneira um que o homem não sabe outra coisa senão que ele é simples e não composto. Que a vida esteja nas coisas mais singulares do homem é evidente pelo fato de que o homem, por sua vida, vê, ouve, tem olfato e paladar, o que não aconteceria se os órgãos desses sentidos não vivessem também pela vida da alma do homem. Depois, também, pelo fato de ele gozar do sentido do tanto em toda superfície do corpo; a vida é que faz esse sentido e não a pele sem a vida. É evidente, também, pelo fato de todos os músculos sob a pele estarem sob o arbítrio da vida da vontade e do entendimento do homem, e se movem conforme à vontade deles; por conseguinte, não somente as mãos, os pés e todo o corpo, mas, também, a língua, os lábios, a face com toda a cabeça. Estas e aqueles não podem se mover pelo corpo somente, mas pela vida da vontade e do entendimento, juntamente com a vida nesses membros. É o mesmo em relação a todas as vísceras no corpo; cada uma delas desempenha seu ofício e age submissamente segundo as leis da ordem nelas inscritas. Mas isto a vida faz sem que o homem esteja ciente, pelo movimento do coração e do pulmão em cada uma das coisas e pelo sentido do cerebelo em cada uma delas. [3] Que a vida esteja em cada uma das coisas e nas mais singulares do homem é porque a forma animal, de que se tratou acima, é a forma mesma da vida, pois a vida, de sua primeira fonte, que é o sol do céu ou o Senhor, é perpétua no esforço de formar sua semelhança e imagem, isto é, o homem e, do homem, o anjo. Por isso, dos últimos que criou ela ajunta a si coisas conformes pelas quais o homem exista e no qual ela vida. Daí é evidente que a vida está em cada uma das coisas e nas mais singulares do homem, e que uma parte, mesmo uma partícula, em que não estiver a vida, morre e é dissociada. Ora, uma vez que os homens e os anjos não são a vida, mas apenas recipientes da vida oriunda do Senhor, e todo o céu com a igreja perante o Senhor é como um só homem, é evidente que o Senhor é vida desse homem, isto é, do céu e da igreja, e que assim é onipresente e onisciente em cada uma das coisas e nas mais singulares dos anjos do céu e dos homens da igreja. Como todo o céu com a igreja é como um só homem perante o Senhor, por arbítrio, grande ou pequeno, como um gigante ou como uma criança, é evidente que a vida ou o espiritual que procede do Senhor não está no espaço ou na extensão nos anjos do céu e nos homens da igreja. Consequentemente, das ideias devem ser removidos os espaços e tempos para que se compreenda a onipresença e a onisciência do Senhor em todos e cada um.