. (Vers. 10) “E lancei-me ante seus pés, para adorá-lo”. Que isto signifique a percepção por ele do Divino, ao qual pertence a adoração, vê-se pela significação de ‘lançar-se ante os pés’ e ‘adorar’, que é reconhecer, confessar e adorar o Divino (de que se tratou nos n. 805, 821 e 1206); que seja somente a percepção do Divino por ele é evidente pelo que ele disse, que não deve ser adorado, porque é somente um anjo, que é semelhantemente um servo do Senhor, assim como são os homens. Todavia, a coisa em si é tal que, quando o Senhor envia os anjos aos homens, como fez aos profetas, Ele os enche do Seu Divino e assim os leva a falar. O anjo que é enviado então não fala por si, mas pelo Senhor. Contudo, logo após ter falado, volta a si e sabe que é somente um anjo. Assim a Palavra foi escrita pelo Senhor por meio dos anjos, e assim o Senhor falou com os antigos, por exemplo, com Abrahão, com sua escrava Hagar, com Gideão e, em geral, com os profetas. Por isso também os anjos foram chamados por eles de ‘Jehovah’ e, de certo modo, foram adorados enquanto estavam cheios do Divino. Essa presença do Senhor é a mesma que a presença do Espírito Santo. Por aí é evidente o que é significado por essas palavras. * * * * * * * [2] Continuação (8.) Como o Senhor tem o Divino Amor e a Divina Sabedoria, por isso Ele tem por um e outra a Divina onipresença e a Divina onisciência, mas a onipresença vem principalmente do Divino Amor, e a onisciência vem principalmente da Divina Sabedoria. O amor e a sabedoria no Senhor não são dois, mas um só, e essa unidade é o Divino Amor, que aparece diante dos anjos do céu como Sol. Mas o amor e a sabedoria procedente do Senhor como Sol aparecem como duas coisas distintas; o amor aparece como calor, e a sabedoria, como luz. Esta e aquele, por sua origem como Sol agem absolutamente como um só, mas são separados nos anjos do céu e nos homens da igreja. Em alguns, o amor, que é o calor, é recebido mais do que a sabedoria, que é a luz; esses são chamados anjos e homens celestes; e em outros a sabedoria, que é a luz, é recebida mais do que o amor, que é o calor; esses são chamados anjos e homens espirituais. Essas coisas podem ser ilustradas pelo sol do mundo. Nesse sol, o fogo e a origem da luz são absolutamente um só, e essa unidade é o fogo desse sol. Dele procedem o calor e, ao mesmo tempo, a luz, que aparecem como duas coisas distintas, mas agem, no entanto, como um só, por sua origem. Essa unidade na terra aparece na estação da primavera e na estação do verão, mas são duas coisas distintas segundo a conversão da terra em relação ao sol e, assim também, segundo a recepção direta ou oblíqua. Essa correspondência é para ilustração. [3] Dá-se o mesmo em relação à onipresença e à onisciência. Elas são uma só no Senhor, mas procedem do Senhor como dois atributos distintos, pois a onipresença se refere ao amor, e a onisciência, à sabedoria, ou, o que é o mesmo, a onipresença se refere ao bem, e a onisciência, ao vero, porque todo bem pertence ao amor e todo vero pertence à sabedoria. A razão pela qual a onipresença do Senhor se refere ao amor e ao bem é porque o Senhor está presente no homem no seu bem do amor; e a razão pela qual a onisciência se refere à sabedoria e ao vero é porque o Senhor, pelo bem do amor do homem, é onipresente em seu entendimento do vero, e essa onipresença é chamada onisciência. Como se dá no particular em um homem, assim também no geral em todos.