. MAS (SÃO) UMA SINAGOGA DE SAUNAS. Significa porque eles estão nas falsidades quarto à doutrina. Diz-se " sinagoga", porque se faz monção dos judeus e, como ensinavam em sinagogas, por "sinagoga" é significada a doutrina; e porque por "satanás" se entendo o inferno, composto pelos que estão nas falsidades, por isso é dito "sinagoga do satanás". O inferno é denominado "diabo" e "satanás"; pelo inferno que é denominado "diabo" se entendem aqueles que lá estão nos males, principalmente aqueles que estão no amor de si, e pelo inferno que é chamado "satanás" se entendem aqueles que lá estão nas falsidades, principalmente os que estão no orgulho da própria inteligência. Esses infernos são denominados "diabo" o "satanás", porque todos os que lá estão se chamam diabos e satanases. Sendo assim, pode-se ver agora que por "elos são uma sinagoga de satanás" é significado que elos estão nas falsidades quanto à doutrina. Mas, como aqui se trata dos que estão no bom quanto à vida, mas estão nas falsidades quanto à doutrina, e como eles não sabem outra coisa senão que estão no bem o pensam que suas falsidades são verdades, dir-se-á alguma coisa a respeito deles. Todo o bem do culto é formado pelas verdades o toda a verdade é formada pelo bom; por isso o bem sem a verdade não é o bem, nem a verdade sem o bem é a verdade. Na forma externa parece que eles o sejam, contudo não o são. A conjunção do bem e da verdade é denominada casamento celeste; por este casamento há a Igreja no homem o céu nele. Se, em vez das verdades, há as falsidades no homem, então ele faz da falsidade o bem, o que obviamente não é o bem, porque é um bem farisaico, ou meritório, ou natural inato. Mas ilustremos isso com exemplos. Quem está na falsidade de crer fazer o bem por si próprio, porque tem a faculdade de fazer o bem, este bem não é bem, porque a pessoa é que está no bem que faz e não o Senhor. Quem está na falsidade de que pode fazer o bem por si próprio, porque tem a faculdade de fazer o bem, si, assim sem penitência, essa pessoa, quando faz o bem, não faz o bem, porque som a penitência ela está no mal. A pessoa que está na falsidade de que o bem a purifica dos males e que nada sabe dos males em que está, essa pessoa faz um bem bastardo, que, por dentro, foi manchado por seus males. A pessoa que está na falsidade de que há muitos deuses e que se confirma nossa crença, o bem que essa pessoa faz é dividido, e o bem dividido não é o bem. A pessoa que está na falsidade que o Divino não está no Humano do Senhor, como a alma está no corpo, não pode fazer o bem derivado do Senhor, e o bem que não vem do Senhor não é o bem, porque é contra estas palavras do Senhor: "Quem não habitar em Mim e Eu nele não pode produzir fruto algum, porque sem Mim nada podeis fazer. Se não habitardes em Mim sereis lançados fora como o sarmento seco é lançado no fogo e queimado" (João 51; 4 a 6). Igualmente em muitas outras passagens, pois o bem tira sua qualidade das verdades e as verdades tiram o seu ser do bem. Quem não sabe que sem doutrina a Igreja não é igreja? Ora, a doutrina ensina como o homem deve pensar a respeito de Deus e por Deus e como elo deve agir segundo Deus e com Deus; por isso, a doutrina deve ser composta por verdades, e agir de acordo com elas é o que se chama bem; conseqüentemente, agir segundo as falsidades não é o bem. Crê-se que no bem (real ou espúrio) que o homem faz nada há das verdades ou das falsidades, quando, entretanto, a qualidade do bem não vem de outra parte, porque tais bons são coerentes, como o amor e a sabedoria, ou como o amor e a loucura. É o amor do sábio que faz o bem e é o amor do insensato que faz uma coisa semelhante nos externos, mas inteiramente diferente nos internos. Por isso, o bem do sábio é como duro puro e o bem do insensato é como ouro que envolve esterco.