Texto
MEMORÁVEL
294. Ao que precede, acrescentarei o MEMORÁVEL que se segue.
No mundo natural, o homem tem uma dupla linguagem, porque ele tem um duplo pensamento: exterior e interior. Por essa razão, ele pode falar segundo o pensamento interior e, ao mesmo tempo, segundo o pensamento exterior, e pode falar somente segundo o pensamento exterior e não também segundo o interior e pode mesmo falar ao contrário deste último. Daí, as dissimulações, as lisonjas e as hipocrisias. No mundo espiritual, entretanto, o homem não tem dupla linguagem, mas uma linguagem simples. Ali, ele fala como pensa, pois, de outro modo, o som é estridente e ofende os ouvidos. Pode, contudo, guardar silêncio e, assim, não divulgar o que sua mente pensa. Por isso, quando um hipócrita chega junto aos sábios, ou se retira, ou se coloca em um ângulo do aposento, não se fazendo notar e se assentando sem dizer palavra.
Em certa ocasião, quando, no mundo dos espíritos, estavam reunidos muitos espíritos, eles falavam entre si sobre este assunto, dizendo que "não poder falar senão como se pensa" é duro para aqueles que, quando na companhia dos bons, não pensam justamente sobre Deus e sobre o Senhor. No meio dos espíritos reunidos, achavam-se os Reformados e muitos pertencentes ao clero, e perto deles pontífices e monges. Que não era duro uns e outros disseram, a princípio, falando assim: "Que necessidade há de falar diferentemente do que se pensa? E, se, porventura, não se pensa justamente, não se pode cerrar os lábios e conservar-se calado?".
E um clérigo disse: "Quem é que não pensa justamente a respeito de Deus e do Senhor?" Mas alguns dos que formavam a assembléia disseram: "Façamos uma experiência sobre isso". E aos que se tinham confirmado, a respeito de Deus, na Trindade de Pessoas, por causa da doutrina de Atanásio enunciada com as palavras "Uma é a pessoa do Pai, outra a do Filho e outra a do Espírito Santo, e assim como o Pai é Deus, o Filho é Deus e o Espírito Santo é Deus", foi dito que pronunciassem . Um só Deus", mas eles não puderam fazê-lo. Eles torceram e dobraram os lábios de vários modos e não puderam articular qualquer som em outras palavras que não concordassem corri as idéias de seu pensamento, as quais eram de três Pessoas e de três Deus.
Depois, foi dito aos que confirmaram a fé separada da caridade que pronunciassem "Jesus", mas eles não puderam fazê-lo; entretanto, todos puderam dizer "Cristo" e também "Deus Pai". Ficaram admirados do fato, procuraram sua causa e concluíram que era porque oravam ao Pai por amor ao Filho e não ao Salvador Mesmo, pois "Jesus" significa o Salvador.
Além disso, foi-lhes dito que, segundo o pensamento que tinham do Divino Humano do Senhor, eles pronunciassem Divino Humano, mas nenhum dos clérigos presentes pode fazê-lo; entretanto, alguns dos leigos puderam pronunciar. Por isso, o assunto foi submetido a unia séria discussão, e então ocorreu o que se segue.
I. Foram lidas diante deles as seguintes passagens dos Evangelistas: "O Pai deu todas as coisas na mão do Filho" (João 3; 35); "O Pai deu ao Filho poder sobre toda a carne" (João 17; 2); "Todas as coisas Me foram transmitidas pelo Pai" (Mateus 11; 27); "Foi-Me dado todo o poder no céu e na terra" (Mateus 28; 18). E foi-lhes dito "Conservai em vosso pensamento que o Cristo, não somente quanto ao Seu Divino, mas também quanto ao Seu Humano, é o Deus do céu e da terra, e assim pronunciai Divino Humano.".
Mas continuaram não podendo fazê-lo e disseram que, na verdade, eles tinham alguma coisa do pensamento segundo o entendimento a esse respeito, mas que não tinham coisa alguma do reconhecimento e que, por conseguinte, não podiam pronunciar.
II. Depois, foi lida perante eles a passagem de Lucas 1; 32, 34 e 35, segundo a qual o Senhor, quanto ao Humano, era Filho de Jehovah Deus e (foi-lhes dito) que, por toda parte na Palavra, o Senhor, quanto ao Humano, é dito "Filho de Deus" e também "Unigênito", e se lhes pediu que conservassem isso no pensamento e também que o Unigênito Filho de Deus, nascido no mundo, não pode deixar de ser Deus e que pronunciassem Divino Humano.
Mas eles disseram: "Não podemos, porque o nosso pensamento espiritual, que é interior, não admite no pensamento mais próximo da linguagem idéias que não sejam concordantes". Disseram ainda que, por essa razão, eles percebiam que agora não lhes era permitido dividir seus pensamentos como no mundo natural.
III. Em seguida, foram lidas diante deles as palavras do Senhor a Filipe: "Disse Filipe: Senhor, mostra-nos o Pai; e disse o Senhor: Quem Me vê, vê o Pai; não crês que Eu estou no Pai e o Pai está em Mim?" (João 14; 8 a 11). E também outras passagens em que é dito que "o Pai e Ele são um" (João 10; 30 e outras) e se lhes disse que conservassem isso no pensamento e, assim, pronunciassem Divino Humano.
Mas, como o pensamento deles não estava enraizado no conhecimento de que o Senhor era Deus também quanto ao Humano, não lhes foi possível pronunciar. Moveram os lábios em dobras até se indignarem; quiseram constranger suas bocas a pronunciar e tentaram arrancar delas as palavras, mas não conseguiram. A razão era que as idéias do pensamento que flui do reconhecimento fazem um com as palavras da língua naqueles que estão no mundo espiritual, e que lá, onde essas idéias não existem, não há palavras, porque as idéias se convertem em palavras na linguagem.
IV. Além disso, foram lidas diante deles as seguintes palavras, tiradas da Doutrina da Igreja Cristã, recebida em todo o orbe terrestre: "O Divino e o Humano no Senhor não são dois mas um, uma só pessoa, absolutamente unida como a alma e o corpo no homem" (expressão contida na Fé Simbólica de Atanásio). Em seguida, foi-lhes dito: "Por esse modo podeis inteiramente ter, pelo reconhecimento, a idéia de que o Humano do Senhor é Divino, porque Sua Alma é Divina, porquanto isso é tirado da doutrina de vossa Igreja, doutrina que reconhecestes no mundo. Acresce que a alma é a essência mesma e o corpo é a forma, e a essência e a forma fazem um como o ser e o existir e como a causa eficiente do efeito e o próprio efeito".
Eles retiveram essa idéia e quiseram, segundo ela, pronunciar Divino Humano, mas não puderam, porque a idéia interior sobre o Humano do Senhor expulsou e apagou "essa nova idéia emprestada", como eles a denominavam.
V. Leram-se ainda, diante deles, as seguintes palavras de João 1; 1 e 14: "A Palavra estava com Deus e Deus era a Palavra; e a Palavra foi feita carne".
E a seguinte passagem de Paulo (Colossenses 2; 9): "Em Jesus Cristo habita corporalmente toda a plenitude da Divindade".
E foi-lhes dito que pensassem firmemente que Deus, que era a Palavra, Se fez carne e que todo o Divino habita corporalmente no Senhor e acrescentou-se: "Talvez assim possais pronunciar Divino Humano".
Mas, ainda assim, não lhes foi possível pronunciar, dizendo francamente que não podiam ter a idéia do Divino Humano, porque Deus é Deus e o homem é homem, e acrescentaram: "Deus é espírito e não podemos pensar de um espírito senão como de um vento ou éter".
VI. Finalmente, foi-lhes dito: "Vós sabeis que o Senhor disse: "Habitai em Mim e Eu em vós; quem habita em Mim e Eu nele, (esse) produz muito fruto, porque sem Mim não podeis fazer coisa alguma" (João 15; 4 e 5). E para uns clérigos ingleses que ali se encontravam foi lido, diante deles, o seguinte extrato de uma de suas orações para a Santa Ceia: "For, when we spiritually eat the flesh of Christ, and drink the blood, then we dwell in Christ, and Christ in us". (Porque, quando espiritualmente comemos a carne de Cristo e bebemos o Seu sangue, nós habitamos em Cristo e Cristo em nós). "Se agora pensais que isso não é possível, a menos que o Humano do Senhor seja Divino, pronunciai, pois, Divino Humano pelo reconhecimento no pensamento". Mas, ainda então, não puderam fazê-lo, porque estava tão profundamente arraigada neles a idéia de que um era o Divino do Senhor e outro o Seu Humano, que, assim, o Seu Divino era semelhante ao Divino do Pai e o Seu Humano era semelhante ao humano de um outro homem. Mas, então foi-lhes dito: "Como podeis pensar assim? Como pode a mente racional jamais pensar que Deus é triplo e que o Senhor é duplo?"
VII. Depois disso, (os que faziam perguntas) voltaram-se para os luteranos, dizendo que a "Confissão de Augsburgo" e Lutero ensinaram que o Filho de Deus e o Filho do Homem no Cristo são uma só Pessoa; que Ele Mesmo também, quanto à Natureza humana, é o Deus Verdadeiro, Onipotente e Eterno; que, quanto a essa Natureza também, Ele está presente à direita de Deus Pai e governa todas as coisas nos céus e na terra, enche tudo, está conosco e habita e opera em nós; que não há diferença de adoração, porque, pela Natureza que é vista, a Divindade que não é vista é adorada; que assim, no Cristo, Deus é o Homem e o Homem é Deus.
Tendo ouvido isso, eles (os luteranos) responderam: "É isto assim?" E olharam ao redor deles e depois disseram: "Nunca tivemos conhecimento disso, por essa razão não podemos (pronunciar)". Contudo, um e outro disseram: "Temos lido e temos escrito isso, mas, quando pensamos por nós próprios sobre o assunto, isso não passa de palavras de que não tínhamos idéia interior".
VIII. Finalmente, (os que faziam perguntas) voltaram-se para os pontífices e disseram: "Vós, talvez, podeis pronunciar Divino Humano, porque credes que em vossa eucaristia o Cristo está todo inteiro no pão e no vinho e em cada parte deles, e porque também 0 adorais como Deus quando levais em procissão e mostrais as hóstias; além disso, como chamais Maria de mãe de Deus, reconheceis, por conseguinte, que ela gerou Deus, isto é, o Divino Humano.
Então (os pontífices) quiseram pronunciar Divino Humano segundo essas idéias dos pensamentos sobre o Senhor, mas não o puderam, por causa da idéia material a respeito do corpo e do sangue do Senhor, e por causa da afirmação de que o poder humano, e não o poder Divino, foi transferido d'Ele para o Papa.
E um monge levantou-se e disse que ele podia pensar no Divino Humano em relação à santíssima virgem Maria, mãe de Deus, e também em relação ao santo de seu mosteiro. Outro monge aproximou-se, dizendo: "Eu, segundo a idéia de meu pensamento, posso pronunciar Divino Humano em relação ao Santíssimo Papa e não em relação a Cristo". Mas, então, outros monges o puseram para trás e disseram: "Não tens vergonha?".
Depois disto, viu-se o céu aberto e foram vistas línguas como pequenas chamas que desciam e influíam em alguns dos assistentes e estes então celebravam o Divino Humano do Senhor, dizendo: "Rejeitai a idéia de três Deuses e crede que no Senhor habita corporalmente toda a plenitude da Divindade, que o Pai e Ele são um como a alma e o corpo são um, e que Deus não é um vento ou éter, mas que Ele é Homem, e então sereis conjuntos ao céu e desse modo e pelo Senhor podeis pronunciar Jesus e dizer Divino Humano".
APOCALIPSE - CAPÍTULO 6
1. E Vi QUANDO O CORDEIRO ABRIU O PRIMEIRO DOS SELOS E OUVI UM DOS QUATRO ANIMAIS DIZENDO COMO COM VOZ DE TROVÃO: VEM E VÊ.
2. E VI, E EIS UM CAVALO BRANCO, E AQUELE QUE ESTAVA SENTADO SOBRE ELE TINHA UM ARCO E FOI-LHE DADA UMA COROA, E SAIU VENCENDO E PARA VENCER.
3. E, QUANDO (O CORDEIRO) ABRIU 0 SEGUNDO SELO, OUVI O SEGUNDO ANIMAL DIZENDO: VEM E VÊ.
4. E SAIU UM OUTRO CAVALO, RUIVO, E AO QUE ESTAVA SENTADO SOBRE ELE FOI DADO TIRAR A PAZ DA TERRA, PARA QUE UNS AOS OUTROS SE MATASSEM, E LHE FOI DADA UMA ESPADA GRANDE.
5. E, QUANDO ABRIU O TERCEIRO SELO, OUVI O TERCEIRO ANIMAL DIZENDO: VEM E VÊ; E VI, E EIS UM CAVALO PRETO E QUEM ESTAVA SENTADO SOBRE ELE TINHA UMA BALANÇA NA SUA MÃO.
6. E OUVI UMA VOZ NO MEIO DOS QUATRO ANIMAIS QUE DIZIA: UMA MEDIDA DE TRIGO POR UM DINHEIRO, E TRÊS MEDIDAS DE CEVADA POR UM DINHEIRO, E NÃO DANIFIQUES O AZEITE E O VINHO.
7. E, QUANDO ABRIU 0 QUARTO SELO, OUVI A VOZ DO QUARTO ANIMAL QUE DIZIA: VEM E VÊ.
8. E VI, E EIS UM CAVALO PÁLIDO, E QUEM ESTAVA SENTADO SOBRE ELE TINHA POR NOME MORTE E 0 INFERNO SEGUIA COM ELE E FOI-LHES DADO PODER PARA MATAR SOBRE A QUARTA PARTE DA TERRA PELA ESPADA, PELA FOME, PELA MORTE E PELAS BESTAS DA TERRA.
9. E, QUANDO ABRIU O QUINTO SELO, VI DEBAIXO DO ALTAR AS ALMAS DOS QUE FORAM MORTOS POR CAUSA DA PALAVRA DE DEUS E POR CAUSA DO TESTEMUNHO QUE TIVERAM.
10. E CLAMAVAM COM GRANDE VOZ, DIZENDO: ATÉ QUANDO SENHOR, QUE ÉS SANTO E VERDADEIRO, NÃO JULGAS E NÃO VINGAS O NOSSO SANGUE DOS QUE HABITAM SOBRE A TERRA?
11. E FORAM DADAS A CADA UM VESTIMENTAS BRANCAS E FOI-LHES DITO QUE DESCANSASSEM AINDA UM POUCO DE TEMPO, ATÉ QUE SE COMPLETASSEM, E SEUS CONSERVOS E SEUS IRMÃOS, QUE DEVIAM SER MORTOS COMO ELES.
12. E, QUANDO ABRIU O SEXTO SELO, VI, E EIS QUE SE FEZ UM GRANDE TERREMOTO, E O SOL SE FEZ NEGRO COMO UM SACO DE PÊLO E A LUA SE FEZ COMO SANGUE.
13. E AS ESTRELAS DO CÉU CAÍRAM NA TERRA, COMO UMA FIGUEIRA LANÇA OS SEUS FIGOS VERDES AGITADA POR UM VENTO FORTE.
14. E O CÉU RETIROU-SE COMO UM LIVRO QUE SE ENROLA E TODA A MONTANHA E TODA A ILHA FORAM MOVIDAS DE SEUS LUGARES.
15. E OS REIS DA TERRA, E OS MAGNATAS, E OS RICOS, E OS COMANDANTES, E OS PODEROSOS, E TODO O ESCRAVO, E TODO O LIVRE OCULTARAM-SE NAS CAVERNAS E NAS ROCHAS DAS MONTANHAS.
16. E DIZIAM AS MONTANHAS E ÀS ROCHAS: CAI SOBRE NOS E ESCONDEI-NOS DA FACE D'AQUELE QUE ESTA SENTADO NO TRONO E DA IRA DO CORDEIRO.
17. PORQUE VEM O GRANDE DIA DE SUA IRA, E QUEM PODE SUBSISTIR?
SENTIDO ESPIRITUAL - CONTEÚDO DE TODO O CAPÍTULO
Este capítulo trata do exame daqueles sobre os quais deve ser feito o Juízo Final e é examinado neles qual tinha sido seu entendimento da Palavra e, por conseguinte, qual tinha sido o estado de sua vida. (Este exame compreende) aqueles que estavam na verdade segundo o bem (versículos 1 e 2), aqueles que estavam sem o bem (versículos 3 e 4), aqueles que desprezavam a verdade (versículos 5 e 6) e aqueles que estavam inteiramente devastados quanto ao bem e à verdade (versículos 7 e 8). Trata, também do estado daqueles que estavam guardados pelo Senhor na terra inferior por causa dos maus; eles deviam ser libertados no tempo do Juízo Final (versículos 9, 10 e 11). Trata, ainda, do estado daqueles que estavam nos males e, por conseguinte, nas falsidades; e do que devia ocorrer com eles no dia do Juízo Final (versículos 12 a 17).
CONTEÚDO DE CADA VERSÍCULO
1. E Vi QUANDO O CORDEIRO ABRIU O PRIMEIRO DOS SELOS. Significa: o exame pelo Senhor de todos aqueles sobre os quais deve ser feito o Juízo Final, quanto ao entendimento da Palavra e, por conseguinte, quanto aos estados de sua vida (nº 295). E OUVI UM DOS QUATRO ANIMAIS DIZENDO COMO COM VOZ DE TROVÃO significa segundo a Divina Verdade da Palavra (nº 296). VEM E VÊ significa a manifestação em relação aos primeiros em ordem (nº 297).
2. E VI, E EIS UM CAVALO BRANCO. Significa o entendimento neles da verdade e do bem procedentes da Palavra (nº 298). E AQUELE QUE ESTAVA SENTADO SOBRE ELE TINHA UM ARCO significa que, pela Palavra, eles tinham a doutrina da verdade e do bem, pela qual eles tinham combatido contra os males e as falsidades que vêm do inferno (nº 299). E FOI-LHE DADA UMA COROA. Significa a insígnia de seu combate (nº 300). E SAIU VENCENDO E PARA VENCER significa: a vitória sobre os meles e as falsidades para a eternidade (nº 301).
3. E, QUANDO 0 CORDEIRO ABRIU O SEGUNDO SELO, OUVI O SEGUNDO ANIMAL DIZENDO: VEM E VÊ. Significa o mesmo que acima (nºs 302, 303 e 304).
4. E SAIU UM OUTRO CAVALO, RUIVO. Significa o entendimento da Palavra inteiramente perdido quanto ao bem e, por conseguinte, quanto à vida neles (nº 305). E AO QUE ESTAVA SENTADO SOBRE ELE FOI DADO TIRAR A PAZ DA TERRA significa a destruição da caridade, da segurança espiritual e do repouso interno (nº 306). PARA QUE UNS AOS OUTROS SE MATASSEM significa os ódios viscerais, as infestações pelos infernos e as perturbações internas (nº 307). E LHE FOI DADA UMA ESPADA GRANDE significa a destruição da verdade pelas falsidades do mal (nº 308).
5. E, QUANDO ABRIU O TERCEIRO SELO, OUVI O TERCEIRO ANIMAL DIZENDO: VEM e VÊ. Significa o mesmo que acima (nºs 309, 310 e 311). E VI, E EIS UM CAVALO PRETO significa o entendimento da Palavra inteiramente perdido quanto à verdade e, assim, quanto à doutrina neles (nº 312). E QUEM ESTAVA SENTADO SOBRE ELE TINHA UMA BALANÇA NA SUA MÃO significa a avaliação do bem e da verdade, tal qual ela era entre eles (nº 313).
6. E OUVI UMA VOZ NO MEIO DOS QUATRO ANIMAIS QUE DIZIA. Significa a Divina guarda da Palavra pelo Senhor (nº 314). UMA MEDIDA DE TRIGO POR UM DINHEIRO E TRÊS MEDIDAS DE CEVADA POR UM DINHEIRO significa porque a avaliação do bem e da verdade é tão pequena que ela é quase nula (n 315). E NÃO DANIFIQUES O AZEITE E O VINHO significa que o Senhor providencia que os santos bens e as santas verdades, que estão ocultos interiormente na Palavra, não sejam violados e profanados (nº 316).
7. E, QUANDO ABRIU O QUARTO SELO, OUVI A VOZ DO QUARTO ANIMAL QUE DIZIA: VEM E VÊ. Significa o mesmo que acima (nºs 317, 318 e 319).
8. E VI, E EIS UM CAVALO PÁLIDO. Significa o entendimento da Palavra destruído quanto ao bem e quanto à verdade (nº 320). E QUEM ESTAVA SENTADO SOBRE ELE TINHA COMO NOME MORTE E O INFERNO SEGUIA COM ELE significa a extinção da vida espiritual e, por conseguinte, a danação (nº 321). E FOI-LHES DADO PODER PARA MATAR SOBRE A QUARTA PARTE DA TERRA significa a destruição de todo o bem da Igreja (nº 322). PELA ESPADA, PELA FOME, PELA MORTE E PELAS BESTAS DA TERRA significa: pelas falsidades da doutrina, pelos males da vida, pelo amor do proprium e pelas concupiscências (nº 323).
9. E QUANDO ABRIU O QUINTO SELO. Significa o exame, pelo Senhor, do estado da vida daqueles que, no dia do Juízo Final, seriam salvos e que, nesse ínterim, estavam preservados (nº 324). VI DEBAIXO DO ALTAR AS ALMAS DOS QUE FORAM MORTOS POR CAUSA DA PALAVRA DE DEUS E POR CAUSA DO TESTEMUNHO QUE TIVERAM significa que aqueles que tinham sido rejeitados pelos maus por causa da vida segundo as verdades da Palavra e por causa do reconhecimento do Divino Humano do Senhor eram guardados pelo Senhor, a fim de que não fossem seduzidos (nº 325).
10. E CLAMAVAM COM GRANDE VOZ. Significa a dor do coração (nº 326). DIZENDO: ATÉ QUANDO SENHOR, QUE ÉS SANTO E VERDADEIRO, NÃO JULGAS, E NÃO VINGAS O NOSSO SANGUE DOS QUE HABITAM SOBRE A TERRA? Significa sobre o fato de ser retardado o Juízo Final e de não serem afastados os que fazem violência à Palavra e ao Divino do Senhor (nº 327).
11. E FORAM DADAS A CADA UM VESTIMENTAS BRANCAS. Significa a sua comunicação e a sua conjunção com os anjos que estavam nas Divinas Verdades (nº 328). E FOI-LHES DITO QUE DESCANSASSEM AINDA UM POUCO DE TEMPO ATÉ QUE SE COMPLETASSEM, E SEUS CONSERVOS E SEUS IRMÃOS, QUE DEVIAM SER MORTOS COMO ELES significa que o Juízo Final devia ainda ser, retardado um pouco, até que tossem reunidos aqueles que tinham sido igualmente rejeitados pelo maus (nº 329).
12. E, QUANDO ABRIU O SEXTO SELO, VI. Significa o exame, pelo Senhor, do estado da vida daqueles que eram interiormente maus, sobre os quais o juízo devia ser feito (nº 330). E EIS QUE SE FEZ UM GRANDE TERREMOTO significa o estado da Igreja inteiramente mudado neles, e o terror (nº 331). E O SOL SE FEZ NEGRO COMO UM SACO DE PÊLO E A LUA SE FEZ COMO SANGUE significa: neles todo o bem do amor foi adulterado e toda a verdade da fé falsificada (nº 332).
13. E AS ESTRELAS DO CÉU CAÍRAM NA TERRA significa: todos os conhecimentos do bem e da verdade foram dispersados (nº 333). COMO UMA FIGUEIRA LANÇA OS SEUS FIGOS VERDES, AGITADA POR UM VENTO FORTE significa pelos raciocínios do homem natural separado do homem espiritual (nº 334).
14. E O CÉU RETIROU-SE COMO UM LIVRO QUE SE ENROLA significa a separação do céu e a conjunção com o inferno (nº 335). E TODA A MONTANHA E TODA A ILHA FORAM MOVIDAS DE SEUS LUGARES significa que todo o bem do amor e toda a verdade da fé se retiraram (nº 336).
15. E OS REIS DA TERRA, E OS MAGNATAS, E OS RICOS, E OS COMANDANTES, E OS PODEROSOS, E TODO O ESCRAVO, E TODO O LIVRE significa aqueles que, antes da separação, tinham estado no entendimento da verdade e do bem, na ciência dos conhecimentos da verdade e do bem, na erudição pelos outros ou por si próprios e, entretanto, não estavam na vida segundo essas coisas (nº 337). OCULTARAM-SE NAS CAVERNAS E NAS ROCHAS DAS MONTANHAS significa: eles, agora, estão nos males e nas falsidades do mal (nº 338).
16. E DIZIAM AS MONTANHAS E AS ROCHAS: CAI SOBRE NÓS E ESCONDEI-NOS DA FACE D'AQUELE QUE ESTA SENTADO NO TRONO E DA IRA DO CORDEIRO. Significa: as confirmações do mal pelas falsidades derivadas do mal, ao ponto de não reconhecerem qualquer Divino do Senhor (n 339).
17. PORQUE VEM O GRANDE DIA DE SUA IRA E QUEM PODE SUBSISTIR? Significa que eles se tornaram tais por si mesmos, pela separação de junto dos bons e dos fiéis, por causa do Juízo Final, que eles não suportariam de outro modo (nº 340).