. E VI, E EIS UM CAVALO PRETO. Significa o entendimento da Palavra inteiramente perdido quanto à verdade, e assim quanto à doutrina neles. Que "o cavalo" significa o entendimento da Palavra foi mostrado acima; o "preto" significa a não verdade e, portanto, a falsidade, porque o preto é oposto ao branco e o branco se diz da verdade (nºs 167, 231 e 232); o branco também tem a sua origem na luz e o preto tem a sua origem nas trevas, assim na ausência da luz, e a luz é a verdade. Mas no mundo espiritual a negridão provém de duas origens: uma provém da ausência da luz chamejante, que está naqueles que se encontram no reino celestial do Senhor, e a outra provém da ausência da luz branca, que está naqueles que se encontram no reino espiritual do Senhor. A primeira negridão tem a mesma significação que "trevas mais profundas" e a segunda negridão têm a mesma significação que "trevas menos profundas". Essas negridões diferem entre si: a primeira e abominável e a segunda não é tão abominável quanto à primeira. Ocorre a mesma coisa com as falsidades que elas significam. Na negridão abominável aparecem aqueles que são denominados diabos; estes abominam a verdade como as corujas abominam a luz do sol. Na negridão menos abominável aparecem aqueles que são denominados satanases; estes não abominam a verdade, mas têm aversão por ela; por isso, eles podem ser comparados a mochos, quando os outros são comparados a corujas. Que o "preto" na Palavra se díz da falsidade, é o que pode ser visto pelas seguintes passagens: "Os nazireus eram mais brancos do que a neve: a forma deles tornou-se mais escura do que a negridão" (Lamentações 4;7 e 8); "Sobre os profetas enegrecerá o dia" (Miquéias 3; 6);"No dia em que desceres ao inferno, enegrecerei o Líbano sobre ti" (Ezequiel 31;15); "0 sol se fez negro como um saco de pêlo" (Apocalipse 6; 12) "0 sol, a lua, as estrelas ficaram negros" (Jeremias 4;27 e 28 - Ezequiel 32;7 - Joel 2;10 - Joel 3;15 e em outros lugares). O "terceiro animal" mostrou um "cavalo preto", porque ele tinha a face como um homem, pelo que era significada a Divina Verdade da Palavra quanto à sabedoria (n 243); aquele animal mostrava, pois, que não havia mais verdade alguma da sabedoria naqueles que estavam na terceira ordem.