AR 399

Emanuel Swedenborg
Obra: Apocalipse Revelado
Em que são desvendados os arcanos preditos no Apocalipse, e que ficaram ocultos até o tempo presente

Texto

. E HOUVE SARAIVA E SANGUE MISTURADO COM FOGO. Significa a falsidade derivada do amor infernal destruindo o bem e a verdade e falsificando a Palavra. Pela "saraiva" é significada a falsidade destruindo o bem e a verdade; pelo "fogo" é significado o amor infernal; e pelo "sangue" é significada a falsificação da verdade. Que "a saraiva" significa a falsidade destruindo o bem e a verdade, ver-se-á adiante; que "o fogo" seja o amor, em um e outro sentido, o amor celeste e o amor infernal, vê-se no nº 468; que "o sangue" seja a Divina Verdade do Senhor, que também é a Palavra e, no sentido oposto, a Palavra falsificada, vê-se no nº 379. Por essas significações reunidas em um só sentido é evidente que por "e houve saraiva e sangue misturado com fogo" é significada a falsidade derivada do amor infernal destruindo o bem e a verdade e falsificando a Palavra. Esta é a significação porque, no mundo espiritual, tais coisas aparecem quando a esfera do Divino Amor e da Divina Sabedoria do Senhor desce nas sociedades inferiores, onde estão as falsidades derivadas do amor infernal e onde por elas a Palavra é falsificada. Coisas semelhantes são significadas pela "saraiva" e pelo "fogo" nas seguintes passagens: "Pelo esplendor diante d'Ele, as nuvens passaram com saraiva e brasas de fogo; pela voz do Altíssimo houve saraiva e brasas de fogo e lançou Seus muitos dardos e os dispersou" (Salmo 18; 12 a 14); "Disputarei pela peste e pelo sangue; farei chover sobre eles pedras de granizo, fogo e enxofre" (Ezequiel 38; 22); "Então Jehovah fará ouvir a Sua voz com uma chama de fogo devorador e com uma pedra de saraiva" (Isaías 30; 30); "Deu as chuvas deles com saraiva, fogo em chamas em sua terra e quebrou-lhes a árvore da fronteira" (Salmo 105; 32 e 33); "Destruiu lhes a vinha com granizo, os sicômoros com saraiva pesada, o gado com brasas de fogo; lançou contra eles o furor de Sua ira e uma invasão de anjos maus" (Salmo 78; 47 a 49).
Estas coisas são ditas do Egito, bem como as que se encontram em Moisés: "Estendeu Moisés a vara e Jehovah deu vozes e saraiva; e houve fogo e saraiva ao mesmo tempo andando no meio da saraiva pesada; e feriu a saraiva toda a erva do campo e feriu toda a árvore do campo" (Êxodo 9; 23 a 35).
Todos os milagres feitos no Egito significam os males e as falsidades derivados do amor, infernal, dos quais os egípcios eram portadores. Cada milagre significava algum mal e alguma falsidade, porque entre eles tinha havido a Igreja representativa que, como em muitos reinos da Ásia, se tornara idólatra e mágica. Pelo mar de Sufe, em que afinal pereceram, é significado o inferno. Coisa semelhante é significada pelas pedras de granizo "pelas quais pereceram mais inimigos do que pela espada" (Josué 10; 11). A mesma significação de "saraiva" se encontra nas seguintes passagens: "Ai da coroa da saberba, robusto Senhor, com a inundação da saraiva; a saraiva derrubará o refúgio da mentira" (Isaías 28; 1, 2 e 17); "Haverá saraiva até que se curve a floresta" (Isaías 32; 19); "Abriu-se o templo de Deus no céu e fizeram se relâmpagos, vozes e trovões e um terremoto e uma grande saraiva" (Apocalipse 11; 19); "E uma grande saraiva do peso de um talento desceu do céu sobre os homens" (Apocalipse 16; 21); "Viste os tesouros de saraiva que estão reservados para o dia do combate e da guerra?" (Job 38; 22 e 23); "Dize aos que a cobrem de inépcias que ela cairá, haverá uma chuva abundante pela qual vós, pedras de saraiva, caireis" (Ezequiel 13; 11).
"Cobrir de inépcias" é confirmar a falsidade para que ela apareça como verdade. Por isso, aqueles que procedem assim são chamados "pedras de saraiva".

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