Texto
. TINHAM COURAÇAS COR DE FOGO, DE JACINTO E DE ENXOFRE. Significa as suas argumentações imaginárias e visionárias, provenientes do amor infernal e a própria inteligência e das cobiças resultantes. Por "couraças" são significadas as argumentações pelas quais eles combatem pela fé só (nº 436). Por "fogo" é significado o amor celeste e, no sentido oposto, o amor infernal (nºs 452, 468 e 494). Por "jacinto" é significada a inteligência proveniente do amor espiritual e, no sentido oposto, a inteligência proveniente do amor infernal, a qual é a própria inteligência (deles) e da qual se falará depois. Por "enxofre" é significada a cobiça desse amor pela própria inteligência (n 452). Daí, tais coisas são significadas por "couraças cor de fogo, de jacinto e de enxofre." Suas argumentações pela fé só são assim descritas, porque todos os que se crêem justificados, isto é, absolvidos dos pecados pela fé só, nunca pensam na penitência, (nunca pensam) que o homem impenitente se acha inteiramente (mergulhado) nos pecados e que todos os pecados se derivam e, por conseguinte, participam do amor infernal pela própria inteligência e das concupiscências provenientes. Além disso, aqueles que estão em tais concupiscências não somente agem por elas mas ainda falam e até pensam e querem, por conseguinte raciocinam e argumentam por elas. Estas coisas são o seu "homem", porque são a sua vida, mas é um "homem-diabo" e sua vida infernal. Entretanto, aqueles que vivem uma vida moral somente por causa de si mesmos e do mundo não sabem disso. Isto porque seus interiores são assim, mas seus exteriores são semelhantes aos exteriores daqueles que vivem uma vida cristã. Saibam, entretanto, que todo homem quando morre vem em seus interiores, porque ele se torna espírito e o espírito é o homem interno; e então os interiores acomodam a si os exteriores e eles se tornam semelhantes. Por isto, as coisas morais de sua vida no mundo ficam sendo então como escamas de peixes, que são arrebatados. Não sucede o mesmo cem aqueles que fazem divinos os preceitos da vida moral e então também os preceitos da vida civil, porque eles pertencem ao amor para com o próximo. O "jacinto" significa a inteligência derivada da afeição do amor espiritual porque essa cor participa do vermelho do fogo e do branco da luz e porque pelo "fogo" é significado o amor e pela "luz" e significada a inteligência.
Esta inteligência é significada: "Pela (cor) do jacinto nas coberturas e nos véus do Tabernáculo" (Êxodo 26; 31 e 36 - Êxodo 27; 16); "No éfode de Aharão" (Êxodo 28; 6 e 15); "Pelo pano (cor de) jacinto posto sobre a arca, a mesa, o castiçal e o altar, quando se marchava" (Números 4; 6, 7, 9, 11 e 12); "Pelo fio de jacinto sobre as abas das vestimentas" (Números 15; 38 e 39); "Pelo jacinto" (Ezequiel 27; 7 e 24).
Mas a inteligência derivada da afeição do amor infernal é significada pelo "jacinto" em Ezequiel 23; 4 a 6: "Ohola, ou Samaria, escortou e amou seus amantes e vizinhos assírios, vestidos de jacinto, cavaleiros montando cavalos".
Assim é descrita a Igreja que, pelos raciocínios tirados da própria inteligência, tinha falsificado as verdades da Palavra. Em Jeremias 10; 8 e 9: "Eles estão enfatuados e ficam estultos, a disciplina da vaidade é madeira; a prata estendida é trazida de Tarshish, obra de ourives e de mão de fundidores, jacinto e púrpura é sua roupa, tudo obra de sábios.".
"Obra de ourives e de mão de fundidores" e "tudo obra de sábios" significam, nesta passagem, que essas coisas vêm da própria inteligência.