. A BESTA, SUBINDO DO ABISMO, FARÁ GUERRA CONTRA ELES E OS VENCERA E OS MATARA. Significa que os que estão nos internos da doutrina sobre a fé só se oporão e combaterão esses dois essenciais da Nova Igreja e os rejeitarão neles e, tanto quanto puderem, nos outros. Pela "besta subindo do abismo" se entendem os que subiram do abismo e foram vistos como gafanhotos (capítulo 9; 1 a 12), os quais eram os que estão nos internos da doutrina sobre a fé só, como se vê na explicação que se deu. Por "fazer a guerra" é significado opor-se e combater esses dois essenciais da Igreja, como se vai mostrar. Por "vencê-los e matá-los" é significado rejeitá-los e extirpá-los de si e, tanto quanto possível, dos outros. A razão pela qual aqueles que estão nos internos da doutrina pela fé só combatem e rejeitam esses dois essenciais é que eles confirmaram em si duas coisas completamente opostas a esses essenciais: a PRIMEIRA, que é preciso dirigir-se somente ao Pai e não ao Senhor, e a SEGUNDA, que a vida segundo os preceitos do Decálogo não é a vida espiritual, mas é somente uma vida moral e civil. E eles confirmam isso, a fim de que se creia que se está salvo não pelas obras, mas pela fé só. Todos aqueles que, nas escolas e nos ginásios, têm esses dogmas profundamente impressos em suas mentes, nunca mais se desviam deles depois. Há para isso três causas até agora desconhecidas. PRIMEIRA CAUSA: É que eles, quanto a seu espírito, se associaram com seus semelhantes no mundo espiritual, onde a maior parte é constituída por satanases que se aprazem nas falsidades; eles não podem, de modo algum, desvencilhar-se dessas falsidades, exceto se as rejeitarem, o que não é possível, a menos que eles se dirijam imediatamente ao Deus Salvador e comecem a vida cristã segundo os preceitos do Decálogo. SEGUNDA CAUSA: É que eles crêem que a remissão dos pecados, e por conseguinte a salvação, é dada em um momento no ato da fé e, por conseguinte, no estado ou na progressão por intermédio do mesmo ato continuado, conservado e retido pelo Espírito Santo, separadamente dos exercícios da caridade; e os que uma vez se imbuíram desses dogmas consideram depois como nada os pecados perante Deus e vivem assim em suas impurezas. E como sabem confirmar com sutileza esses dogmas nos ignorantes por falsificações da Palavra, e nos eruditos por sofismas, aqui se diz que "a besta que sobe do abismo vencerá e matará essas duas testemunhas"; mas isso só se efetua nos que se aprazem em viver à vontade e são arrastados pelos prazeres de suas concupiscências; estes, quando pensam na salvação, lhe são favoráveis de todo o coração e abraçam com duas mãos sua fé, porque assim eles podem ser salvos por algumas palavras pronunciadas em tem de confiança, e não têm necessidade, em coisa alguma, de prestar atenção à sua vida por causa de Deus, mas somente por causa do mundo. TERCEIRA CAUSA: É que aqueles que, em sua mocidade, receberam os internos dessa fé, que são chamados arcanos da justificação, quando chamados depois a um ministério honroso, não pensam consigo mesmo em Deus nem no céu, mas pensam apenas em si próprios e no mundo, retendo somente os arcanos da sua fé para sua reputação, a fim de serem honrados como homens sábios, de serem reputados dignos por sua sabedoria, e de serem recompensados com riquezas. Esse é o efeito de sua fé, na qual não há religião alguma. Que isso aconteça assim, vê-se no terceiro MEMORÁVEL do n 484. Que pelas "guerras", na Palavra, sejam significadas guerras espirituais, que são ataques contra a verdade e se fazem por intermédio de raciocínios derivados das falsidades, vê-se pelas seguintes passagens: "Espíritos de demônios saem para congregá-los para a guerra no grande dia do Deus Onipotente'' (Apocalipse 16; 14); "Irritou-se o dragão contra a mulher e partiu para fazer guerra aos restos de sua semente, que temiam os mandamentos de Deus e tinham o testemunho de Jesus Cristo" (Apocalipse 12; 17); "Foi permitido à besta do dragão fazer a guerra com os santos" (Apocalipse 13; 7); "Santificai a guerra contra a filha de Sião e subamos ao meio-dia" (Jeremias 6; 4).; "Não subiste às brechas, a fim de estar na guerra no dia de Jehovah" (Ezequiel 13; 5).; "Em Salém está o habitáculo de Deus e em Sião a habitação, onde quebrou os dardos ígneos do arco, e a guerra" (Salmo 76; 2 e 3); "Jehovah como um herói sairá, como um homem de guerras despertará o zelo" (Isaías 42; 13 - Salmo 24; 8); "Nesse dia estará Jehovah em espírito de juízo, para quem está sentado em juízo, para os que repelem a guerra na porta" (Isaías 28; 5 e 61); "Livra-me do homem mau e do varão de violências preserva-me; todo o dia eles se reúnem para a guerra; afiam sua língua como serpentes" (Salmo 140; 1 a 3); "Muitos virão em Meu nome dizendo: Eu sou o Cristo, e seduzirão muitos, e ouvireis falar de guerras e de rumores de guerras; acautelai-vos para não serdes perturbados" (Mateus 24; 5 e 6 - Marcos 13; 6 e 7 - Lucas 21; 8 e 9). As guerras dos reis do setentrião e do sul, e outras guerras (Daniel, capítulos 10, 11 e 12) significam somente guerras espirituais, assim também em outros lugares, como Isaías 2; 3 a 5 - Isaías 13; 4 - Isaías 21; 14 e 15 - Isaías 31; 4 Jeremias 49; 25 e 26 - Oséias 2; 18 Zacarias 10; 5 - Zacarias 14; 3 - Salmo 27; 3 e Salmo 46; 8 e 9. Porque, na Palavra, "as guerras" Significam guerras espirituais, o ministério dos Levitas era chamado "milícia", como se vê pelas seguintes passagens: "Mandou-se contar os levitas para que exercessem a milícia e fizessem obra na tenda da congregação" (Números 4; 23, 35, 39, 43 e 47). "Este é o ofício dos levitas: fazerem a milícia no ministério da tenda da congregação, mas o filho da idade de cinqüenta anos se retirará do serviço da milícia, não servirá mais" (Números 8; 24 e 25). Veja-se também o n 447, acima, onde é confirmado pela Palavra que "os exércitos" significam os bens e as verdades da Igreja e, no sentido oposto, seus males e falsidades.