. (VERSÍCULO 4) E SUA CAUDA ARRASTOU A TERÇA PARTE DAS ESTRELAS DO CÉU E LANÇOU-AS NA TERRA. Significa que, pelas falsificações das verdades da Palavra, eles afastaram da Igreja todos os conhecimentos espirituais do bem e da verdade e os destruíram completamente por aplicações a falsidades. Pela "cauda", quando se trata dos que confirmaram doutrinas heréticas pela Palavra, são significadas as verdades da Palavra falsificadas (nº 438). Pelas "estrelas" são significados os conhecimentos espirituais do bem e da verdade (nºs 51 e 420). Pela "terça parte" são significadas todas as coisas (n 400 e 505). Por "arrastar do céu e lançar na terra" é significado afastar da Igreja e destruir inteiramente (os conhecimentos), porque, quando eles são desviados do céu, também são desviados da Igreja, pois toda verdade da Palavra é insinuada pelo Senhor, por intermédio do céu, no homem da Igreja. Não é senão pela falsificação das verdades na Palavra que elas são desviadas, pois estão na Palavra e de lá vêm as verdades do céu e da Igreja. Ninguém pode crer, no mundo, que todas as verdades da Palavra tenham sido destruídas pelos que se entendem pelo "dragão", de que trata o n 537, e, entretanto, elas foram destruídas de tal modo que não subsiste uma só verdade doutrinal. Isso foi examinado no mundo espiritual com os sábios do clero e constatou-se ser exato. Conheço as causas, mas aqui darei apenas uma. Eles afirmam que tudo o que procede da vontade e do juízo do homem não é o bem; e que é por isso que os bens da caridade ou as boas obras, pelo fato de serem feitos pelo homem, em nada contribuem para a salvação, mas a fé somente; quando, entretanto, a coisa única, segundo a qual o homem é homem, e pela qual é conjunto ao Senhor, é que ele pode praticar o bem e crer na verdade como por si mesmo, isto é, como por sua vontade, segundo o seu juízo. Se essa coisa única fosse retirada, seriam ao mesmo tempo retiradas todas as coisas conjuntivas do homem com o Senhor e do Senhor com o homem, porque esse recíproco do amor é o que o Senhor dá a quem nasce homem e que Ele também conserva no homem, até o fim de sua vida e depois na eternidade. Se esse recíproco fosse retirado do homem, toda a verdade e todo o bem da Palavra lhe seriam retirados também, a ponto de a Palavra ser apenas letra morta e um livro vazio, pois a Palavra não ensina outra coisa a não ser a conjunção do homem com o Senhor por intermédio da caridade e da fé, uma e outra praticadas pelo homem como por si próprio. Os que se entendem pelo "dragão", de que já se tratou (nº 537), romperam esse único cio de conjunção, afirmando que os bens da caridade ou as boas obras, que procedem do homem, e, também, de sua vontade e de seu juízo, são meramente obras morais, civis e políticas, pelas quais o homem tem conjunção com o mundo e não tem, absolutamente, conjunção com Deus nem com o céu. Quando esse elo é assim quebrado, então nenhuma verdade doutrinal da Palavra subsiste. E, se as verdades da Palavra são aplicadas para confirmar a fé só, salvando sem as obras da Lei, todas essas verdades são, então, falsificadas, e, se a falsificação for até a afirmação de que o Senhor, na Palavra, não ordenou as boas obras para a conjunção do homem com Ele, mas unicamente para a conjunção com o mundo, então, as verdades da Palavra são profanadas. Por esse modo, a Palavra não é, mais o Livro Santo, torna-se um livro profano. A respeito disso, ver a experiência exposta no fim do capítulo. Semelhantes coisas são significadas pelas palavras referentes ao bode em Daniel: "O bode de cabras lançou por terra com seu chifre uma parte do exército do céu e das estrelas e pisou-as; e lançou a verdade por terra" (Daniel 8; 10 e 12).