Texto
. E SOBRE SUAS CABEÇAS UM NOME DE BLASFÊMIA. Significa a negação do Divino Humano do Senhor, e a doutrina da Igreja tirada não da Palavra mas da própria inteligência. Por "sete cabeças" é significada a loucura resultante de meras falsidades, como acima (nº 568), e essa loucura profere a blasfêmia quando nega o Divino do Senhor em Seu Humano e também quando não tira da Palavra a doutrina da Igreja, mas a tira da própria inteligência. Quanto ao que se refere ao primeiro ponto, isto é, à blasfêmia de negar o Divino do Senhor em Seu Humano, aquele que nega é contra a fé recebida em todo o universo cristão, chamada Atanasiana, na qual é dito manifestamente que, em Jesus Cristo, Deus e o Homem, isto é, o Divino e o Humano, não são dois, mas um, e que Eles são uma só Pessoa, unidos como a alma e o corpo; por isso os que negam o Divino em Seu Humano não estão longe dos socinianos e dos arianos, pois quando pensam do Humano Só do Senhor como do humano de outro homem, eles absolutamente não pensam em Seu Divino de eternidade. Quanto ao que se refere ao segundo ponto, isto é, à blasfêmia de não tirar da Palavra a doutrina da Igreja mas tirá-la da própria inteligência, isso é blasfêmia porque a Igreja é derivada da Palavra e é qualificada pelo entendimento da Palavra, como se vê no opúsculo DOUTRINA DA NOVA JERUSALÉM SOBRE A ESCRITURA SANTA (n 76 a 79). A doutrina de que a fé só, isto é, a fé sem as obras da lei, justifica e salva não é tomada da Palavra, mas de uma única passagem de Paulo (Romanos 3; 28) mal compreendida (vide n 417); e toda falsidade da doutrina não tem origem em outra parte senão na própria inteligência. Que é que mais universalmente se ensina na Palavra senão fugir do mal e praticar o bem? Que há de mais evidente, ali, que a obrigação de amar a Deus e ao próximo? Quem não vê que não é possível amar o próximo se não se vive segundo as obras da lei? E que quem não ama o próximo não ama a Deus? Pois no amor ao próximo, o Senhor Se conjunge com o homem e o homem com o Senhor, isto é, o Senhor e o homem estão juntos nesse amor. Não fazer mal ao próximo, de acordo com os preceitos do Decálogo, não é amar o próximo? (Romanos 13; 8 a 11). Assim, tanto quanto o homem não quer fazer mal ao próximo, na mesma proporção quer lhe fazer o bem. Em conseqüência, é, evidente que há blasfêmia em excluir da salvação as obras da Lei, como fazem os que declaram que a fé só, que é a fé separada das boas obras, é a única fé salvifica. Por "blasfêmia" (Mateus 12, 31 e 32 - Apocalipse 17; 3 e Isaías 37; 6, 7, 23 e 24) é entendido negar o Divino do Senhor, como fazem os socinianos, e negar a Palavra, pois quem assim nega o Divino do Senhor não pode entrar no céu pois o Divino do Senhor é tudo em todas as coisas do céu; e quem nega a Palavra nega todas as coisas da religião.