. (VERSÍCULO 9) E FORAM AFLIGIDOS OS HOMENS COM UM GRANDE CALOR E BLASFEMARAM 0 NOME DE DEUS QUE TEM PODER SOBRE ESTAS PRAGAS. Significa que por causa do prazer do amor de si, oriundo das graves concupiscências dos males, eles não reconheceram a Divindade do Humano do Senhor, da qual, entretanto, fluem todo o bem do amor e toda a verdade da fé. Pelo "calor" são significadas as cobiças dos males que estão no amor de si e em seu prazer (nºs 382 e 691); daí, por "ser afligido com um grande calor" é significado estar em graves concupiscências e, assim, no prazer do amor. Por "blasfemar o nome de Deus" é significado negar ou não reconhecer a Divindade do Humano do Senhor e a santidade da Palavra (nºs 571 e 582); "blasfemar" é negar ou não reconhecer e "o Nome de Deus" é o Divino Humano do Senhor e ao mesmo tempo a Palavra (nº 584). Por "ter poder sobre as pragas" é significado que d'Ele fluem todo o bem do amor e toda a verdade da fé, pelos quais são afastados os males e as falsidades (nºs 673, 680, 690); e como os sete anjos que tinham as sete pragas saíram do templo do tabernáculo do testemunho (Apocalipse 15; 5 e 6) e pelo "Templo do Tabernáculo do Testemunho" é significado o íntimo do céu onde o Senhor está em Sua Santidade na Palavra e na Lei que é o Decálogo (nº 669), e onde é produzido o influxo que é significado por "derramar as pragas" (nº 676), (por isso) se vê que por "Deus que tem poder sobre estas pragas" se entende o Senhor, de Quem (o influxo) procede. Dir-se-á em poucas palavras o que é o amor de si. 0 seu prazer ultrapassa todo prazer no mundo, pois ele é composto de meras cobiças dos males e cada cobiça exala o seu prazer. Todo homem nasce nesse prazer, e como tal prazer impele a mente do homem a pensar continuamente em si, ele a desvia de pensar em Deus e no próximo, só pensa em si e por causa de si. Por isso, quando Deus não é favorável às suas cobiças, o homem se irrita contra Deus, como se irrita contra o próximo que não lhe é favorável. Quando cresce, esse prazer faz com que o homem não possa pensar acima de si mesmo, mas apenas abaixo de si, pois imerge a mente no próprio de seu corpo. Em conseqüência o homem se torna sucessivamente sensual, e o homem sensual fala em um tom alto e arrebatado sobre as coisas mundanas e civis, mas não pode falar de Deus e das coisas Divinas senão pela memória somente. Se o homem é uma personalidade civil, reconhece a natureza como criadora, a própria prudência como diretriz, e nega Deus. Se ele é um sacerdote, fala de Deus e das coisas Divinas segundo a memória, também em tom alto e arrebatado, mas de coração ele crê pouco nessas coisas.