Texto
. CUJO REINO SE TORNOU TENEBROSO. Significa que somente apareciam falsidades. Por "trevas" são significadas as falsidades, porque pela "luz" são significadas as verdades. Que as "trevas" significam as falsidades, pelas quais os males (existem) e que "a escuridão" significa as falsidades procedentes dos males, vê-se anteriormente (nº 413). Conseqüentemente, por "cujo reino tornou-se tenebroso" é significado que somente apareciam falsidades. Que aqueles que confirmaram a fé separada da caridade falsificam toda a Palavra, vê-se nos nºs 136 e 610; que eles não têm verdade alguma (vê-se) nos nºs 489, 501 e 653, mas que somente têm meras falsidades (nºs 563, 597 e 602). Contudo, as falsidades da sua fé não aparecem diante deles, é verdade, como tenebrosas, isto é, como falsidades, mas aparecem como luminosas, isto é, como verdades, depois que eles as confirmaram. Quando, entretanto, (as falsidades) são vistas à luz do céu, que descobre todas as coisas, elas aparecem como tenebrosas. Por isso, quando a luz do céu flui nos cubículos deles, no inferno, produzem-se tais trevas que um não vê o outro, e o inferno inteiro é fechado, de modo a não haver uma fenda, e então eles estão em sua luz. Que lhes parece não estarem nas trevas, mas na luz, embora estejam nas falsidades, é porque as suas falsidades, depois que eles as confirmam, lhes aparecem como verdades; daí a luz dessas falsidades, que é uma luz quimérica, como é a luz da confirmação da falsidade. Essa luz corresponde à luz vista pelas corujas e morcegos, para os quais as trevas são luz e a luz são trevas e para os quais até o sol é pura escuridão. Olhos semelhantes são obtidos, depois da morte, por aqueles que, no mundo, se confirmaram nas falsidades, ao ponto de verem a falsidade como verdade e a verdade como falsidade.