Texto
. A essas coisas acrescentarei o MEMORÁVEL que se segue.
No mundo espiritual, conversei com alguns bispos ingleses sobre as seguintes obras publicadas em Londres, em 1758: 0 CÉU E 0 INFERNO, A NOVA JERUSALÉM E SUA DOUTRINA CELESTE, 0 JUÍZO FINAL, 0 CAVALO BRANCO e AS TERRAS DO UNIVERSO. Essas obras tinham sido enviadas como presentes a todos os bispos e a muitos grandes homens ou lordes.
Os bispos disseram que as tinham recebido e as tinham examinado, mas que não as consideravam dignas de nota, embora habilmente escritas; e também que, se persuadiram, de que não podiam lê-Ias.
Perguntei-lhes a razão de pensarem, assim, pois ali estão arcanos sobre o céu e o inferno,, sobre a vida depois da morte e muitas coisas de grande importância, reveladas, pelo Senhor em favor dos que serão de Sua Nova Igreja, que é a Nova Jerusalém.
Mas disseram: "Que interesse há nestas coisas para nós?" E se manifestaram com sarcasmo contra tais obras, como fizeram precedentemente no mundo. Eu os ouvi (em silêncio).
Então, diante deles, foram lidas estas passagens do Apocalipse: "E o sexto anjo derramou a sua taça sobre o grande rio Eufrates, cuja água secou, para que fosse preparado, o caminho dos reis ao nascer do sol. E vi da boca do dragão, e da boca da besta, e da boca dó falso profeta saírem três espíritos imundos semelhantes a rãs, pois são espíritos de demônios, que fazem sinais para irem para os reis da terra e de todo o globo, para juntá-los na guerra do grande dia do Deus Onipotente. E os reuniu no lugar chamado em hebraico Arrnageddon" (Apocalipse 16; 12 a 14 e 16).
Estas palavras foram explicadas diante deles e foi dito que eles e outros como eles é que são entendidos por tais palavras.
Estas coisas que foram ditas aos bispos, o rei, avó do rei hoje reinante, as ouviu do céu e, um tanto indignado, disse: "Que é isso?".
E então, um deles, que não tinha concordado com os outros no mundo, voltou-se para o rei e disse: "Aqueles que vedes agora com vossos olhos pensaram no mundo, e conseqüentemente também pensam agora, sobre o Divino Humano do Senhor como do humano de um homem qualquer; e eles atribuem toda salvação e toda redenção a Deus Pai e não ao Senhor, exceto como causa por amor da qual (elas são efetuadas), pois crêem em Deus Pai e não em Seu Filho, ainda que saibam pelo Senhor que "a vontade do Pai é que se creia no Filho e que os que crêem no Filho têm a vida eterna, mas os que não crêem no Filho não verão a vida". Além disso, eles rejeitam, como nada fazendo para a salvação, a caridade que o homem pratica pelo Senhor como por si mesmo."
Continuando a falar com o rei, ele expôs a hierarquia que muitos dentre eles procuram com ardor e também exercem, consolidando-a pela união e pela conexão, que se efetuam por meio de emissários, mensageiros, cartas e conversações, apoiadas pela autoridade eclesiástica e política em todos de sua Ordem, a ponto de resultar que todos são unidos como em um só feixe. E (ele disse) que era por meio dessa hierarquia que as obras para a Nova Jerusalém, acima citadas, embora tenham sido publicadas em Londres e enviadas aos bispos como presente, foram odiosamente rejeitadas, a ponto de não terem sido julgadas dignas de serem mencionadas em seu catálogo.
Ao ouvir tais coisas, o rei (*) ficou estupefato, principalmente porque eles haviam pensado assim a respeito do Senhor, Que, entretanto, é o Deus do céu e da terra; e também a respeito da caridade, que, entretanto, é a religião mesma.
Então, por uma luz enviada do céu, os interiores da mente deles e de sua fé foram abertos, e o rei viu e disse: "Ide-vos embora. Como é possível (pessoas) tornaram-se tão insensíveis ao ouvirem coisas sobre o céu e a vida eterna?".
Depois o rei perguntou de onde vinha uma obediência tão completa da parte do clero; e foi-lhe respondido que (provinha) da autoridade concedida a cada bispo, em sua diocese, de indicar à aprovação do rei somente um candidato para as Igrejas, e não três candidatos como nos outros reinos, e que, por essa autoridade, eles têm o direito de promover os seus protegidos a honras mais eminentes e a rendas mais elevadas, cada um segundo a obediência demonstrada. Foi também descoberto até onde essa hierarquia pode estender-se e que ela vai até o ponto em que o domínio é o essencial e a religião é o formal. 0 seu ardor de dominar foi também posto a nu e examinado pelos anjos, e se viu que ele excede o ardor de dominar daqueles que exercem o poder secular.
(*) George II 11 (N.T.)