Texto
. Alguma coisa será dita aqui relativamente à verdade que o Senhor disse a Pedro sobre "as chaves do reino dos céus" e sobre o autoridade de atar e desatar (Mateus 16; 15 a 20). Dizem (os daquela Religiosidade) que essa autoridade foi dada a Pedro e que foi transferida a eles como seus sucessores e que assim o Senhor entregou a Pedro e depois a eles todo o Seu poder, agindo Pedro como vigário do Senhor na terra. Mas é manifestamente claro, segundo as próprias palavras do Senhor, que Ele não deu essa autoridade absolutamente, pois o Senhor diz: "Sobre esta pedra edificarei Minha Igreja". Pela "pedra" é significado o Senhor quanto à Sua Divina Verdade, e a Divina Verdade, que é a pedra, é o que Pedro confessou ali, antes de o Senhor ter dito aquelas palavras, a saber: "Disse Jesus aos discípulos: Vós, porém, quem dizeis que Eu sou? Respondendo Simão Pedro, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo" (Mateus 16; 15 e 16).
Essa é a verdade sobre a qual o Senhor edificou a Sua Igreja e Pedro, então, representava essa verdade. Daí é evidente que essa confissão e as palavras "Todo a autoridade Me foi dada no céu e na terra" (Mateus 28; 18), são a verdade sobre a qual Ele edificou Sua Igreja, assim sobre Si mesmo e não sobre Pedro. Que o Senhor é entendido pela "pedra" é notório na Igreja.
Um dia, conversei com babilônios (católicos) no mundo espiritual sobre as chaves dadas a Pedro, perguntando-lhes se acreditavam que esse poder do Senhor sobre o céu e o inferno tivesse sido transferido. Como esse era o ponto capital de sua religião, insistiam veementemente, dizendo que a esse respeito não havia dúvida alguma porque isso era claramente dito.
Mas à pergunta sobre se sabiam que em cada coisa da Palavra há um sentido espiritual, que é o sentido da Palavra no céu, responderam a princípio que nada sabiam, mas depois disseram que iam pedir informações.
E quando pediram informações, foram instruídos de que em cada coisa da Palavra há um sentido espiritual, que difere do sentido da letra, como o espiritual difere do natural; e, ainda mais, foram instruídos de que nenhuma pessoa indicada na Palavra é mencionada no céu, mas que, em vez dela, alguma coisa espiritual é lá entendida.
Finalmente, eles foram informados de que em vez de Pedro, na Palavra, é entendida a verdade da Igreja derivada do bem, e do mesmo modo (isso é entendido) pela pedra, que então é nomeada juntamente com Pedro. E dessa maneira se pode saber que não foi dado poder algum a Pedro, mas (foi dado) à verdade derivada do bem, pois todo o poder no céu pertence à verade derivada do bem, ou pertence ao bem por meio da verdade. E, como todo o bem e toda a verdade procedem do Senhor e nada procede do homem, todo o poder pertence ao Senhor.
Tendo ouvido essas coisas, disseram indignados, que iriam saber se esse sentido espiritual estava em tais palavras.
Por isso, a Palavra que está no céu lhes foi dada, Palavra onde não há o sentido natural, mas o sentido espiritual, porque ela é para os anjos, que são espirituais. E, enquanto a liam, eles perceberam claramente que Pedro não é mencionado ali, mas, em seu lugar, (leram) "a verdade derivada do bem que procede do Senhor".
Vendo isto, rejeitaram a Palavra com ira e a teriam dilacerado com os dentes, se, no mesmo instante, ela não lhes tivesse sido arrebatada.
A partir de então, ficaram convencidos, ainda que não o quisessem, de que o Senhor Só tem esse poder e não na menor parte qualquer homem, porque é um poder Divino.