. Essa Religiosidade é chamada "cidade forte", porque ela se tinha fortificado extremamente, pois se fortificara não somente pela multidão de nações e povos que a reconhecem, mas também por muitas outras coisas, como por um grande número de mosteiros e, neles, exércitos de monges (isso é dito porque eles chamam seu ministério serviço militar); por posses de riquezas sem medida e sem saciedade; depois pelo Tribunal da Inquisição; e, além disso, pelas ameaças e terrores, principalmente quanto ao Purgatório, para onde dizem que cada um irá; pela extinção da luz do Evangelho e, em conseqüência, pela cegueira nas coisas espirituais, que se efetua por proibições e inibições da leitura da Palavra; pelas missas ditas em uma língua desconhecida do vulgo; por várias santidades externas; pelo culto aos mortos e a suas estátuas, culto gravado no povo, que é mantido na ignorância a respeito de Deus e por diversas pompas nos externos. Assim, por todas estas coisas eles ficam numa fé corporal sobre a santidade de todas as coisas dessa Religiosidade. Daí vem que se ignora inteiramente o que nessa Religiosidade está oculto. Na verdade, essa Religiosidade é absolutamente tal qual é descrita acima por estas palavras: "A mulher estava vestida de púrpura e escarlata, e adornada de ouro, e de pedras preciosas e de pérolas, tendo um copo de ouro na mão, cheio de abominações e da imundície de sua escortação" (Apocalipse 17; 4). Mas, ainda que Babilônia assim se tivesse fortificado, o que se estendeu semelhantemente ao mundo espiritual (como se mostrará no n 772), entretanto, no dia do Juízo Final, ela foi inteiramente destruída. Sobre sua devastação, assim profetiza Jeremias: Se Babel subir aos céus e se fortificar o alto de sua força, Comigo virão os devastadores" (Jeremias 51; 53); "Os homens fortes de Babei se sentam nos baluartes: seu poder é dado ao esquecimento, queimaram suas habitações, foram quebradas suas barreiras. A cidade foi tomada por uma extremidade. Até a muralha de Babei caiu." (Jeremias 51; 30, 31 e 44); "Subitamente caiu Babel e foi quebrada; uivai Sobre ela, tomai bálsamo para sua dor. Porventura sarará?". (Jeremias 51; 8).