Texto
. Com referência às dispensações pelas quais eles enriquecem, elas são várias. Há dispensações referentes a casamentos a contrair entre graus (de parentesco) proibidos em lei; referentes a divórcios; referentes a males, mesmo enormes, com liberação das penalidades temporais. Depois também pelas indulgências: autorização (dispensação) referente a serviços oficiais, sem nenhum poder (sobre eles), do poder secular (autoridades seculares), entre as quais estão as confirmações de ducados e principados. Além disso, pelas promessas das alegrias celestes feitas aos que enriquecem os mosteiros e aumentam seus tesouros, chamando seus donativos de boas obras, santas em si mesmas e meritórias. Levam-nos a fazer esses donativos, inculcando-lhes a fé no poder e no socorro de seus santos e nos milagres feitos por eles.
Visam especialmente aos ricos quando estão doentes e então ihes infundem terror pelo inferno e lhes extorquem (seus bens), prometendo o sacrifício da missa para as suas almas segundo o valor do legado, e por essas missas uma libertação gradual do lugar de tormento que eles chamam de Purgatório e assim (prometendo) sua introdução no céu. Quanto ao que se refere ao Purgatório, posso asseverar que é mera ficção babilônica, para auferir ganho, e que não existe nem pode existir. Todo homem depois da morte primeiro vem para o mundo dos espíritos, que fica entre o céu e o inferno, e aí é preparado para o céu ou para o inferno, cada um de acordo com sua vida no mundo. No mundo dos espíritos não há tormento para ninguém, mas o mau entra pela primeira vez em tormento quando, depois da preparação, ele vai para o inferno. Naquele mundo, há inúmeras sociedades, sendo as alegrias ali semelhantes às da terra, isto porque aqueles que estão lá (no mundo dos espíritos) são conjuntos aos homens na terra, que também se encontram no meio, entre o céu e o inferno. Lã, os seus externos são gradualmente abandonados e assim seus internos são abertos, e isto até que o amor dominante seja descoberto, porque ele é o amor da vida e é íntimo e domina sobre os externos. Quando elo é posto a descoberto, vê-se claramente qual é o homem, e, segundo a qualidade desse amor, ele é enviado do mundo dos espíritos para seu lugar, se é bom para o céu e se é mau para o inferno. Que seja assim, foi-me permitido saber com certeza, porque o Senhor me concedeu estar com aqueles que estão naquele mundo (dos espíritos), ver todas c.s coisas e assim relatá-las por experiência própria, e isto durante vinte anos até agora. Por isso, posso asseverar que o Purgatório é uma ficção, que pode ser chamada diabólica, porque seu alvo são os ganhos e o poder sobre as almas dos defuntos, depois da morte.