Texto
. (VERSÍCULO 22) E A VOZ DE HARPISTAS E DE MOSICOS E DE FLAUTISTAS E DE TOCADORES DE TROMBETAS NÃO MAIS SE OUVIRA EM TI. Significa que neles não haverá afeição alguma da verdade e do bem espirituais, nem afeição da verdade e do bem celestes. Pela "voz" se entende som e todo som corresponde à afeição que pertence ao amor, porque tira daí sua origem. Conseqüentemente, os sons da harpa, da música e da flauta, em virtude da correspondência, significam as afeições. Mas as afeições são de dois gêneros: espirituais e celestes. As afeições espirituais são as afeições da sabedoria e as afeições celestes são as afeições do amor. Elas diferem entre si como os céus, que, como se tem dito algumas vezes anteriormente, foram distinguidos em dois reinos, o celeste e o espiritual. Há, pois, instrumentos de música cujos sons se referem a afeições espirituais e há aqueles cujos sons se referem a afeições celestes. A voz ou o som dos "harpistas e músicos- se relacionam com afeições espirituais e a voz ou o som dos "flautistas e tocadores de trombeta" se relacionam com as afeições celestes. Com efeito, os instrumentos cujos sons são discretos, como os instrumentos de corda, pertencem à classe das afeições espirituais, e os instrumentos cujos sons são contínuos, como os instrumentos de sopro, pertencem à classe das afeições celestes. Daí, a voz ou o som dos "harpistas e músicos" significa a afeição da verdade e do bem espirituais, e a voz ou som dos " flautistas e tocadores de trombetas" significa a afeição da verdade e do bem celestes. Que o som da harpa, pela correspondência, significa a confissão segundo a afeição da verdade espiritual, vê-se nos nºs 276 e 661. Que não há afeição da verdade e do bem espirituais nem afeição da verdade e do bem celestes naqueles que estão nos males e nas falsidades da Religiosidade Católico-romana, é o que se entende aqui, porque se diz "voz de harpistas e de músicos e de flautistas e de tocadores de trombetas não mais se ouvirá em ti". Que (essas afeições) não estão mais neles, é porque elas não lhes podem ser dadas. Com efeito, neles não há verdade alguma proveniente da Palavra, e, como não há verdade, também não existe bem algum. Este é dado somente àqueles que desejam as verdades, mas ninguém deseja as verdades provenientes da afeição espiritual a não ser aqueles que se dirigem ao Senhor; estes são, segundo seu desejo, instruídos depois da morte pelos anjos e recebem as verdades. As afeições externas, em que estão (os da Religiosidade Católico-romana), quando ouvem missas e quando estão em outras devoções sem nenhuma verdade procedente do Senhor pela Palavra, não são outras afeições senão as meramente naturais, sensuais e corporais. Por serem tais, e sem os internos procedentes do Senhor, não é de admirar que, na obscuridade e na cegueira, eles sejam levados ao culto de homens vivos e mortos, e aos sacrifícios a demônios chamados Plutões, para que estes façam expiação pelas suas almas.